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Q3511910 Medicina
Uma paciente de 20 anos, branca, encaminhada da unidade básica de saúde para consulta com pneumologista, apresenta falta de ar com opressão no peito e tosse com secreção mucoide. Relata chiado no peito durante a noite. Está em uso de beta 2 de longa ação e corticoide inalatório, salbutamol spray 100 mcg 4 puffs, de 4 em 4 horas. Fez uso de corticoide oral por 3 vezes no último ano. Há 3 meses, está sem corticoide oral. Refere uso de loratadina 10mg 1cp diariamente, por conta própria, para melhorar os sintomas da rinite alérgica. Nega febre. Pacientes portadores de asma alérgica com características como as acima ilustradas, têm os seguintes biomarcadores principais que caracterizam a inflamação Th2:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: asma alérgica com inflamação tipo 2 (Th2/“T2-high”) e seus biomarcadores.

Resposta correta: A – eosinófilos, IgE e FeNO.

Por quê? Na asma alérgica, citocinas Th2 (IL‑4, IL‑5, IL‑13) dominam: IL‑5 promove eosinofilia; IL‑4/IL‑13 induzem classe IgE e aumentam o óxido nítrico exalado (FeNO) por ativação da iNOS no epitélio. Esses três marcadores caracterizam a endofenótipo T2-high.

Raciocínio clínico: Jovem com sibilância noturna, tosse com escarro mucoide e rinite alérgica sugere asma alérgica. Uso recorrente de SABA e cursos de corticoide oral indicam asma não controlada, típica de fenótipo T2. Biomarcadores esperados: eosinófilos elev. (sangue/escarro), IgE aumentada (total e específica), e FeNO alto (>25 ppb em adultos sugere T2) — GINA 2024; UpToDate; Harrison’s.

Análise das alternativas incorretas

B) eosinófilos, neutrófilos e IgE: mistura fenótipos. Neutrófilos remetem a asma não T2 (Th1/Th17), associada a infecções, tabagismo ou asma grave refratária. Não é marcador principal da asma alérgica T2.

C) neutrófilos, IgE e IgA: além do problema dos neutrófilos, a IgA não é biomarcador de T2; está ligada à imunidade mucosal e sua deficiência pode predispor a atopia, mas não caracteriza inflamação T2.

D) neutrófilos, IgA e FeNO: combina um marcador T2 (FeNO) com dois que não definem T2 (neutrófilos e IgA). Inconsistente com fenótipo alérgico.

E) eosinófilos, IgA e FeNO: troca IgE (marcador clássico de alergia) por IgA. Embora haja eosinófilos e FeNO (T2), falta o componente de atopia representado pela IgE.

Pontos-chave e pegadinhas de prova

  • Tríade T2: eosinófilos, IgE, FeNO. Decore essa associação.
  • Neutrófilos → pense em asma não T2, irritantes, infecção, corticorresistência.
  • IgA não define fenótipo T2; não é usada para elegibilidade de biológicos.

Aplicação prática: esses marcadores orientam terapia alvo no SUS/planos: omalizumabe (anti‑IgE) na asma alérgica; mepolizumabe/benralizumabe (anti‑IL‑5) para eosinofílica; dupilumabe (anti‑IL‑4Rα) quando FeNO/eosinófilos elevados e rinossinusite polipóide. Critérios usuais: eosinófilos ≥150–300/µL, FeNO ≥25 ppb, IgE dentro da faixa de dosagem do anti‑IgE (GINA 2024; UpToDate).

Estratégia em provas: Ao ver “asma alérgica/atópica”, “rinite”, “sibilância noturna” e resposta a corticoide, associe imediatamente a T2-high e selecione eosinófilos + IgE + FeNO.

Referências: GINA 2024 – Difficult-to-treat & severe asthma; UpToDate – Biomarkers of type 2 inflammation in asthma; Harrison’s Principles of Internal Medicine, 21st ed., capítulo de Asma.

Gabarito: A

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