No fragmento “essa ciência elucidativa, enriquecedora, conq...

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Q2797796 Português

A CIÊNCIA-PROBLEMA


Há três séculos, o conhecimento científico não

faz mais do que provar suas virtudes de verificação e

de descoberta em relação a todos os outros modos

de conhecimento. É o conhecimento vivo que conduz

05 a grande aventura da descoberta do universo, da vida,

do homem. Ele trouxe, e de forma singular neste

século, fabuloso progresso ao nosso saber. Hoje,

podemos medir, pesar, analisar o Sol, avaliar o

número de partículas que constituem nosso universo,

10 decifrar a linguagem genética que informa e programa

toda organização viva. Esse conhecimento permite

extrema precisão em todos os domínios da ação,

até na condução de naves espaciais fora da órbita

terrestre.

15 Correlativamente, é evidente que o conhecimento

científico determinou progressos técnicos inéditos

como a domesticação da energia nuclear e os

princípios da engenharia genética. A ciência é,

portanto, elucidativa (resolve enigmas, dissipa

20 mistérios), enriquecedora (permite satisfazer

necessidades sociais e, assim, desabrochar

a civilização); é, de fato, e justamente, conquistadora,

triunfante.

E, no entanto, essa ciência elucidativa, enrique-

25 cedora, conquistadora e triunfante, apresenta- nos,

cada vez mais, problemas graves que se referem ao

conhecimento que produz, à ação que determina, à

sociedade que transforma. Essa ciência libertadora

traz, ao mesmo tempo, possibilidades terríveis de

30 subjugação. Esse conhecimento vivo é o mesmo que

produziu a ameaça do aniquilamento da humanida-

de. Para conceber e compreender esse problema,

há que acabar com a tola alternativa da ciência “boa”,

que só traz benefícios, ou da ciência “má”, que só

35 traz prejuízos. Pelo contrário, há que, desde a parti-

da, dispor de pensamento capaz de conceber e de

compreender a ambivalência, isto é, a complexida-

de da ciência.


MORIN, Edgard. Ciência com consciência. 3.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999 (adaptado).

No fragmento “essa ciência elucidativa, enriquecedora, conquistadora e triunfante apresenta-nos, cada vez mais, problemas graves” (L. 24 – 26), a regência verbal segue os critérios da língua padrão. A opção em que ocorre uso coloquial da regência é:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O comando pede a identificação de uso coloquial de regência em contraste com a língua padrão, e o verbo “assistir”, no sentido de ver ou presenciar, exige a preposição “a” na norma-padrão. Assim, “Assistiram o jogo pela televisão” é a única alternativa em desacordo com esse critério e, por isso, a correta.

Tema central: Regência verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada como resposta porque a regência é padrão. O verbo “encaminhar” admite objeto direto (“o processo”) e complemento de destino introduzido por preposição (“à Procuradoria”). Não há desvio coloquial nessa construção.
B
Errada
Está errada como resposta porque segue a regência normativa de “preferir”: prefere-se uma coisa a outra, isto é, “preferir X a Y”. A forma “Prefiro cinema a teatro” está de acordo com esse critério; a ausência de artigo antes de “teatro” não caracteriza erro de regência.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque emprega “assistir” no sentido de ver/presenciar como se fosse verbo transitivo direto, sem a preposição exigida pela norma-padrão. Nesse sentido, a construção normativa é “assistir a algo”, de modo que o padrão seria “Assistiram ao jogo pela televisão”. Como a questão pede justamente a opção com uso coloquial da regência, essa é a alternativa que satisfaz o comando.
D
Errada
Está errada como resposta porque a regência está correta no sentido empregado. Em “Sua falha implicou advertência do diretor”, “implicar” significa acarretar, ter como consequência, e nesse uso é transitivo direto. Portanto, a ausência de preposição não é erro.
Pegadinha da questão
A banca explora a frequência do uso coloquial “assistir o jogo”, muito comum no português brasileiro, para induzir o candidato a aceitá-lo como padrão; além disso, o texto-base pode desviar a atenção para interpretação, quando o que decide a questão é regra normativa de regência.
Dica para questões semelhantes
  • Leia primeiro o comando: se ele pede língua padrão ou uso coloquial, o critério decisivo é normativo, não interpretativo.
  • Verifique o sentido do verbo antes de julgar a regência, porque ela pode mudar conforme o significado, como ocorre com “assistir” e “implicar”.
  • Não elimine uma alternativa por estranhamento: ausência de artigo, por si só, não cria erro de regência, como em “preferir X a Y”.

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Comentários

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ASSISTIRAM AO JOGO PELA TELEVISÃO.

Verbo assistir no sentido de espectador pede a preposição a = CORRETO SERIA = ASISTIRAM AO JOGO PELA TELEVISÃO.

"implicar" não exige preposição "em"?

O uso coloquial da regência se refere ao emprego de certas construções gramaticais que não seguem rigorosamente as normas da língua padrão. Isso pode incluir o uso de preposições de forma inadequada ou a omissão delas em contextos onde seriam exigidas.

Por exemplo, na norma padrão, dizemos "assistir ao filme", mas no uso coloquial, algumas pessoas podem dizer "assistir o filme", o que não é gramaticalmente correto. O uso coloquial é comum na fala do dia a dia e pode variar entre regiões e grupos sociais.

C. Assistiram o jogo pela televisão.

Na norma padrão, o correto seria dizer "Assistiram ao jogo pela televisão".

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