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Ano: 2019 Banca: Quadrix Órgão: FHGV Prova: Quadrix - 2019 - FHGV - Médico Hematologista |
Q1069598 Medicina
Um homem de 22 anos de idade foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin clássico, estádio clínico IIA, envolvendo linfonodos cervicais bilaterais e mediastino. O estadiamento PET/TC demonstrou um nódulo cervical direito de 1,9 × 2,9 cm, comvalor de captação padronizado (SUV) de 10,6, um nó paratraqueal direito de 1,9 × 2,2 cm, com SUV 8, e um nó peitoral esquerdo de 1,3 × 1,7 cm, com SUV 8,6. Ele foi tratado com esquema de quimioterapia (QT) padrão, com ABVD. A PET/TC, após dois ciclos, demonstrou uma resposta parcial (RP), com SUV 3,6 no nódulo cervical direito e resolução dos outros locais nodais (Deauville 3). Após o terceiro ciclo, o paciente palpou um novo nódulo cervical direito e a PET/CT posterior ao quarto ciclo demonstrou um SUV aumentado de 10 de 3,6 no nódulo cervical direito anterior e um novo nódulo cervical direito com SUV 3,3 (Deauville 4). Repetiu a biópsia excisional, que confirmou LHC. Ele recebeu três ciclos do protocolo DHAP e novo PET, que evidenciou resposta completa ao último esquema de QT.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o manejo clínico mais adequado.
Alternativas

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Tema central: O caso aborda o manejo do linfoma de Hodgkin clássico recidivado após falha ao tratamento de primeira linha (ABVD) e à necessidade de terapia consolidativa em resposta à quimioterapia de resgate (DHAP).

Justificativa da Alternativa Correta (D): O transplante de medula óssea autólogo (TMO-A), com condicionamento BEAM — carmustina, etoposídeo, citarabina e melfalano —, é o padrão-ouro para pacientes que respondem a quimioterapia de resgate após recaída ou refratariedade ao tratamento inicial. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, “o tratamento de escolha é com quimioterapia de resgate e transplante de medula óssea (TMO) autólogo” (pág. 44), sendo BEAM o regime preferencial. Diretrizes do INCA e literatura internacional (ex: Harrison’s Principles of Internal Medicine) reforçam essa conduta.

Estudo da revista einstein demonstra que a sobrevida livre de progressão em 18 meses pode chegar a 80%, validando essa estratégia.

Análise das Alternativas Incorretas:

  • A) Observação e seguimento clínico: Inadequado! O paciente necessita de tratamento ativo devido ao risco de progressão rápida.
  • B) TMO autólogo só com melfalano: Melfalano isolado é menos eficaz; o BEAM (multidrogas) é superior para linfoma de Hodgkin.
  • C) Radiação isolada: Restrita a doença localizada ou paliativa. Não aborda o caráter sistêmico da recidiva.
  • E) Brentuximab vedotin isolado: Indicado somente após falha ao TMO autólogo ou terapia de resgate, não como consolidação inicial.

Dica para a prova: Sempre busque identificar o ponto de falha do tratamento e se a abordagem proposta resolve o caráter sistêmico da recidiva. Atenção para palavras-chave como "recidiva", "falha", "consolidação" e para regimes validados em protocolos oficiais.

Portanto, a alternativa D reflete a melhor conduta alinhada às diretrizes e evidências atuais para o linfoma de Hodgkin recidivado/ refratário sensível à quimioterapia de resgate.

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Comentários

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No caso apresentado, o paciente com linfoma de Hodgkin clássico apresentou resposta parcial ao tratamento inicial com esquema de quimioterapia ABVD, com resolução dos locais nodais afetados, exceto pelo nódulo cervical direito. Após o quarto ciclo, foi confirmada recidiva da doença com a presença de nódulos cervicais direitos com aumento do SUV. O paciente recebeu três ciclos do protocolo DHAP e apresentou resposta completa. Diante desse quadro, o manejo clínico mais adequado é a opção D, que prevê um transplante de células-tronco hematopoiéticas (TMO) com condicionamento com carmustina, etoposídeo, citarabina e melfalano (BEAM). O TMO é indicado em casos de linfoma de Hodgkin refratário ou recidivado após tratamento inicial, e a escolha do condicionamento depende do risco do paciente e da resposta à terapia prévia. Nesse caso, a resposta completa após o protocolo DHAP indica um bom prognóstico e suporte à realização do TMO com o regime BEAM para consolidação.

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