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Ano: 2019 Banca: Quadrix Órgão: FHGV Prova: Quadrix - 2019 - FHGV - Médico Hematologista |
Q1069585 Medicina
Um homem de 81 anos de idade foi encaminhado ao consultório médico com um diagnóstico de mieloma múltiplo. Seus exames laboratoriais evidenciavam: hemoglobina de 7,6 g/dL (VR: 12 a 15); função renal e cálcio normais; e β2‐microglobulina de 2,6 mg/L e albumina de 3,3 g/dL, consistentes com a doença no estágio II da ISS. A dosagem de IgG foi de 5.400 mg/dL e a razão kappa‐lambda, de 124,2. A ressonância magnética de corpo inteiro mostrou osteopenia e lesão lítica na coluna vertebral em L5, sem sinaisde compressão radicular. A biópsia da medula óssea foi digna de nota para 80% de plasmocitose, com citometria de fluxo demonstrando plasmócitos clonais. A citogenética revelou um cariótipo masculino normal, com análise de 46 e XY, e FISH negativo. Tinha insuficiência cardíaca classe funcional III.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem terapêutica.
Alternativas

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Tema central: O caso trata do Mieloma Múltiplo em paciente idoso com insuficiência cardíaca e complicações ósseas, questão clássica para avaliar a conduta individualizada diante de múltiplas comorbidades.

Análise da alternativa correta (C):

Segundo as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo (CONITEC), o tratamento do paciente idoso com comorbidades deve considerar, prioritariamente, esquemas menos agressivos de quimioterapia e medidas de suporte. Neste caso, a terapia de escolha envolve a combinação de agentes bem tolerados, como bortezomibe, lenalidomida e dexametasona, associada ao uso de bifosfonatos endovenosos para prevenir eventos relacionados ao osso (ex: fratura, hipercalcemia, dor óssea), já que o paciente apresenta lesão lítica e osteopenia.

Esses cuidados são reforçados pela literatura, como no consenso da International Myeloma Working Group e no conteúdo do Harrison's Principles of Internal Medicine, indicando que “bisfosfonatos são indicados a todos os pacientes com mieloma múltiplo com lesão óssea documentada” (Harrison’s 20ª ed., cap. 134).

Análise das alternativas incorretas:

A) Carfilzomibe não é recomendado devido ao risco de cardiotoxicidade, especialmente com insuficiência cardíaca pré-existente.
B) Radioterapia de neuroeixo só está indicada se houver compressão medular ou sintomas neurológicos, o que não ocorre no caso descrito.
D) Cuidados paliativos exclusivos são reservados para casos refratários ou pacientes sem indicação para tratamento ativo, o que não é o cenário aqui.
E) Monoterapia com anticorpos monoclonais tende a ser menos eficaz frente às combinações recomendadas atualmente; diretrizes orientam regimes combinados mesmo em idosos frágeis (UpToDate).

Estratégias para resolver questões semelhantes:

Observe dados de comorbidade (insuficiência cardíaca, função renal), idade e complicações ósseas. Evite “pegar atalhos” por idade sem avaliar a gravidade e elegibilidade clínica às terapias. Fique atento a propostas terapêuticas contraindicas (ex: carfilzomibe em paciente cardiopata) e lembre-se da importância do suporte ósseo.

Resumo: O tratamento do mieloma múltiplo em idosos com comorbidades deve combinar quimioterapia adaptada e suporte ósseo ativo. Esta é a abordagem efetiva e segura, de acordo com a prática recomendada.

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Comentários

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Neste caso hipotético de um homem de 81 anos com mieloma múltiplo, a melhor abordagem terapêutica seria o início da quimioterapia, associado a medidas de suporte como bifosfonatos endovenosos. Essa escolha baseia-se na condição pré-existente do paciente, que já apresenta insuficiência cardíaca classe funcional III e, portanto, poderia ter riscos de complicações com outros tratamentos intensos. Além disso, os bifosfonatos endovenosos são recomendados para prevenir ou tratar a osteoporose e as lesões ósseas que ocorrem frequentemente em pacientes com mieloma múltiplo.

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