Uma mulher de 42 anos de idade, com queixa de asteni...

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Ano: 2019 Banca: Quadrix Órgão: FHGV Prova: Quadrix - 2019 - FHGV - Médico Hematologista |
Q1069584 Medicina
Uma mulher de 42 anos de idade, com queixa de astenia, fraqueza e palidez, procurou atendimento de rotina. Foram solicitados exames de sangue, que mostraram uma eletroforese de proteínas séricas, com uma paraproteína kappa de imunoglobulina G (IgG) de 6,42 g/dL (VR < 50 mg/dL), hemoglobina de 8,3 g/dL (VR: 12 a 15), hematócrito de 24% (VR: 35 a 42), perfil de ferro, função renal e cálcio normais, albumina de 3,6 g/dL e β2‐microglobulina de 3 mg/L. A pesquisa esquelética revelou osteopenia, mas nenhuma lesão lítica, e a ressonância magnética de corpo inteiro não mostrou lesões focais, mas um sinal difusamente anormal da medula óssea. A biópsia da medula óssea foi notável para 90% de plasmocitose, com restrição para a cadeia leve kappa, a citogenética foi normal e o FISH não identificou anormalidades, nível de LDH 230 (VR: 180 a 350). Não relatou comorbidades prévias.
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem terapêutica e o estadiamento clínico pela IMWG (International Myeloma Working Group).
Alternativas

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O tema central desta questão é o Mieloma Múltiplo, uma neoplasia de células plasmáticas caracterizada por uma produção excessiva de paraproteínas monoclonais, frequentemente IgG ou IgA, e uma infiltração da medula óssea por plasmócitos anormais. O estadiamento e o tratamento dessa condição são fundamentais, e a questão aborda especificamente o estadiamento pelo Revised International Staging System (R-ISS) e o plano terapêutico.

Para determinar o estadiamento pelo R-ISS, são considerados os níveis de beta-2 microglobulina, albumina, a presença de anormalidades citogenéticas e os níveis de desidrogenase láctica (LDH). Com base nos dados fornecidos:

  • Nível de beta-2 microglobulina: 3 mg/L.
  • Nível de albumina: 3,6 g/dL.
  • Nível de LDH normal.
  • Anormalidades citogenéticas: ausentes.

Com esses dados, o R-ISS é classificado como Estágio I, pois a beta-2 microglobulina é menor que 3,5 mg/L, a albumina é maior que 3,5 g/dL e não há citogenética de alto risco ou aumento de LDH.

Agora, vamos analisar as alternativas:

Alternativa A: Indica R-ISS estágio I, mas erroneamente afirma que não há necessidade de tratamento. Mesmo em estágio inicial, pacientes com 90% de plasmocitose precisam de tratamento.

Alternativa B: Classifica o R-ISS como II e sugere quimioimunoterapia. No entanto, o estágio correto é I, e a abordagem terapêutica não menciona o transplante autólogo, que é uma prática comum em pacientes jovens.

Alternativa C: Correta. Ela classifica o R-ISS adequadamente como I e propõe quimioterapia com três drogas e coleta de células-tronco para transplante de medula óssea autólogo, o que é apropriado para um paciente jovem com este perfil.

Alternativa D: Sugere que o R-ISS é 3, o que está incorreto. Além disso, desencoraja o TMO autólogo, que é essencial em pacientes jovens e sem comorbidades significativas.

Alternativa E: Embora classifique corretamente o R-ISS como 1, recomenda o uso de CART-cells, que ainda não é a prática padrão inicial para mieloma múltiplo.

Portanto, a alternativa C é a correta, pois alinha-se com as diretrizes atuais para o tratamento de mieloma múltiplo em pacientes jovens, incluindo quimioterapia de indução e preparação para transplante autólogo. Esta abordagem é baseada em diretrizes como as do Harrison’s Principles of Internal Medicine e recomendações da International Myeloma Working Group.

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Comentários

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Com base nos dados clínicos e laboratoriais apresentados, a paciente possui um quadro de mieloma múltiplo (MM), uma neoplasia maligna dos plasmócitos. O estadiamento da doença é realizado pelo sistema R-ISS (Revised International Staging System), que considera o número de biomarcadores, incluindo beta-2-microglobulina, albumina e LDH, entre outros. No caso apresentado, o R-ISS da paciente é I, o que indica um prognóstico favorável. A abordagem terapêutica recomendada seria a quimioterapia com três drogas, além da coleta de células-tronco para transplante de medula óssea autólogo (TMO) posteriormente. Essa é uma estratégia comum em pacientes com MM e pode levar a uma melhora significativa na qualidade de vida e na sobrevida. Portanto, a alternativa correta é a C.

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