Tendo em vista o resultado do perfil glicêmico do mencionad...

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Q3613105 Medicina
Caso clínico para responder à questão.

Um paciente de 67 anos de idade, com diagnósticos prévios de diabetes, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e gota, há mais de 10 anos sem acompanhamento médico e sem medicação, recebeu a visita da filha que mora em outro estado, que, preocupada com o pai, agendou consulta em uma clínica médica. O médico que o avaliou, tendo em vista o tempo sem acompanhamento, solicitou exames laboratoriais para avaliação do paciente para, a partir daí, instituir conduta. O paciente apresentava índice de massa corporal (IMC) de 31 kg/m². O resultado do ecocardiograma do paciente evidenciou fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 35% e insuficiência aórtica moderada, MAPA com valor pressórico médio = 162 mmHg x 102 mmHg, glicemia em jejum = 130 mg/dL, hemoglobina glicada = 7%, colesterol total = 244 mg/dL, triglicerídeos = 69 mg/dl, HDL = 76 mg/dL e LDL = 154 mg/dL. 
Tendo em vista o resultado do perfil glicêmico do mencionado paciente, a conduta adequada seria
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Tema central: diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e conduta inicial. Critérios diagnósticos (ADA/SBD): glicemia de jejum ≥126 mg/dL, HbA1c ≥6,5%, TTGO 2h ≥200 mg/dL ou glicemia casual ≥200 mg/dL com sintomas. Quando dois testes diferentes estão acima do ponto de corte, o diagnóstico está confirmado sem necessidade de repetição.

Alternativa correta: C – iniciar metformina

O paciente tem glicemia de jejum 130 mg/dL e HbA1c 7%, ambos em faixa diabética, logo DM2 confirmado. A conduta inicial recomendada é mudança de estilo de vida + metformina como primeira linha quando HbA1c <9% e sem sintomas de hiperglicemia (ADA 2024/2025; Diretrizes SBD). A metformina reduz produção hepática de glicose e melhora sensibilidade à insulina, com benefício de peso e baixo risco de hipoglicemia.

Comorbidades: insuficiência cardíaca (FEVE 35%). Metformina é segura na IC estável, devendo-se checar função renal (evitar se TFG <30 mL/min/1,73 m²) e risco de acidose láctica. Observação útil em prática: iSGLT2 (empagliflozina/dapagliflozina) são recomendados para IC com FE reduzida independentemente da HbA1c, mas a pergunta foca no perfil glicêmico; por isso, o passo certo aqui é iniciar metformina.

Por que as demais estão incorretas?

A – “Medidas e reavaliar em 6 meses”: inadequado. Já há DM confirmado; postergar tratamento farmacológico não segue diretrizes. Em HbA1c 7%, a meta usual é <7% na maioria dos adultos, então há necessidade de terapia medicamentosa além de MEV.

B – “Solicitar curva glicêmica (TTGO)”: desnecessário. O TTGO é útil quando os testes são limítrofes ou discordantes. Aqui, dois testes concordantes (jejum e HbA1c) já firmam o diagnóstico.

D – “Insulinoterapia (NPH/regular)”: indicada quando há hiperglicemia acentuada (ex.: HbA1c ≥10%, glicemia ≥300 mg/dL), sintomas catabólicos (poliúria, polidipsia, perda de peso) ou cetose. Com HbA1c 7% e ausência de sintomas, insulina não é primeira escolha.

Estratégia de prova: identifique rapidamente os pontos de corte (jejum 126, HbA1c 6,5). Se dois testes diferentes estão positivos, não há necessidade de confirmação. Em HbA1c <9% sem sintomas, metformina é a primeira linha. Lembre contraindicações da metformina: TFG <30, hipoxemia/instabilidade hemodinâmica, risco de acidose láctica.

Referências essenciais: ADA Standards of Care 2024/2025; Diretrizes SBD 2023-2024; UpToDate – Initial management of hyperglycemia in T2D; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: C

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