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Q4145552 Não definido
Canetas emagrecedoras: sem exercício físico, pacientes recuperam peso

        Em 2044, quase metade (48%) dos brasileiros estará obesa, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse é um problema de saúde pública complexo e multifatorial. Recentemente, um medicamento para diabetes tipo 2 ganhou popularidade pelo seu efeito colateral: o emagrecimento. Tendo como princípio ativo a semaglutida, o Ozempic é uma droga injetável que deve ser aplicada em doses semanais. Apesar de seguro, o tratamento deve ser indicado por médico capacitado, levando em consideração indicações, contraindicações, tolerabilidade e expectativas do paciente.

        O mau uso da semaglutida, além de colocar em risco pessoas que não teriam essa indicação, aumenta o estigma de quem já sofre com diversos preconceitos, reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição. No entanto, trata‑se de uma doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamento.

        A doutora em Ciências Biológicas Daisy Motta explica: “Quando reduzimos o peso corporal, perdemos massa muscular também. Quanto mais rápido esse peso é reduzido, maior é também a diminuição de músculos. Então, o exercício é essencial”. Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri‑lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo.

        Para Daisy, o treino de força é protagonista nesse processo, sendo necessário durante o emagrecimento para frear a sarcopenia, ou seja, a redução da musculatura do paciente, condição comum em idosos sedentários, mas que vem acometendo também os jovens. Nesse contexto, outro ponto escancara a dificuldade do tratamento da obesidade. Trata‑se de um problema invisível para muitos, mas que jamais passa despercebido pelo profissional de Educação Física atento: o analfabetismo motor.

        Por isso, o profissional de Educação Física é um agente indispensável no tratamento da obesidade. Muitas dessas pessoas precisarão aprender a se exercitar, ativar musculaturas específicas, estimular a mobilidade e conhecer o próprio corpo. Sem passar por essa etapa, ao suspenderem a semaglutida, esses pacientes entrarão em uma estatística nada otimista, na qual voluntários recuperaram dois terços do peso perdido após um ano sem as injeções.

Internet:<www.confef.org.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


O texto apresenta passagens de natureza argumentativa, como a defesa do papel do profissional de Educação Física no tratamento da obesidade e a crítica ao uso indiscriminado da semaglutida, sem que isso descaracterize a sua base predominantemente expositiva.

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