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Q3367319 Medicina
Homem de 45 anos, obeso e hipertenso, procura atendimento devido a sonolência excessiva diurna, roncos intensos e episódios de sufocamento noturno relatados por sua esposa. Ele refere acordar cansado e apresentar dificuldade de concentração durante o dia. Foi submetido à polissonografia, que evidenciou um Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) de 38 eventos/hora, com saturação mínima de oxigênio de 78%.
Com base nesse quadro clínico, qual é o diagnóstico mais provável e sua conduta inicial?
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Tema central: Distúrbios do sono com foco em Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). O caso reúne fatores de risco (obesidade, hipertensão), sintomas cardinais (roncos intensos, engasgos noturnos, sonolência diurna) e polissonografia com IAH 38/h e SpO₂ mínima 78%, compatíveis com AOS grave.

Alternativa correta: D — Apneia obstrutiva do sono – CPAP

Raciocínio clínico: A AOS é caracterizada por colapso recorrente das vias aéreas superiores durante o sono, gerando dessaturações e despertares. Critérios de gravidade pelo IAH: leve (5–14), moderada (15–29), grave (≥30). O IAH 38/h e a SpO₂ 78% confirmam AOS grave. Sintomas diurnos (sonolência, fadiga, dificuldade de concentração) reforçam o diagnóstico.

Conduta inicial: CPAP é o tratamento de escolha para AOS moderada a grave, reduz eventos respiratórios, melhora sintomas e desfechos cardiovasculares. Associar medidas: perda ponderal, evitar álcool/sedativos à noite, higiene do sono, positional therapy, e considerar dispositivo oral se intolerância ao CPAP em casos leves a moderados. Referências: AASM Guidelines, UpToDate, Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas?

A) Insônia crônica – hipnóticos: Insônia não explica IAH 38 nem dessaturações. Hipnóticos podem piorar AOS ao reduzir tônus das vias aéreas. Na insônia, polissonografia teria IAH normal e baixa eficiência do sono; aqui há distúrbio respiratório objetivo.

B) Narcolepsia – modafinil: Narcolepsia cursa com cataplexia, alucinações hipnagógicas e sleep-onset REM no MSLT. Não há roncos/engasgos típicos. Dar estimulantes sem tratar AOS é inadequado; primeiro corrige-se a causa de sonolência (CPAP).

C) Síndrome das pernas inquietas – agonistas dopaminérgicos: SPI cursa com urgência de mover as pernas ao repouso aliviada por movimento, não causa apneias nem dessaturações. IAH elevado exclui SPI como diagnóstico principal.

E) Hipersonia idiopática – estimulantes: Sonolência sem apneias; PSG e MSLT mostram latência reduzida sem REM precoce. Aqui há AOS grave comprovada. Estimulantes não tratam o distúrbio respiratório.

Estratégia para prova: Palavras-chave que apontam AOS: obesidade + hipertensão + roncos/engasgos + sonolência + IAH ≥30 + dessaturação. Pegadinha comum: confundir com narcolepsia/hipersonia; porém, a presença de PSG com IAH alto define AOS. Evite respostas com hipnóticos em quem ronca e tem apneias.

Referências essenciais: AASM Clinical Practice Guideline for the Treatment of OSA; UpToDate: “Overview of obstructive sleep apnea in adults”; Harrison’s Principles of Internal Medicine, capítulo de distúrbios do sono.

Gabarito: D — Apneia obstrutiva do sono; conduta inicial: CPAP.

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