Uma mulher de 68 anos com diabetes, hipertensão e hipotireo...

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Ano: 2013 Banca: NCE-UFRJ Órgão: UFRJ Prova: NCE-UFRJ - 2013 - UFRJ - Médico cardiologista |
Q2951501 Medicina
Uma mulher de 68 anos com diabetes, hipertensão e hipotireoidismo de longa data, em uso de enalapril, levotiroxina e metformina, é levada à emergência após um quadro de síncope. O marido relata que na última semana a paciente vinha apresentando tonteira, dispneia progressiva e edema de membros inferiores. A síncope ocorrera pela manhã, ao levantar para ir ao banheiro, negando pródromos, dor torácica, traumatismo craniano ou liberação esincteriana. Além disso, estava em uso de diclofenaco 50mg 4 vezes/dia há 2 semanas devido à artralgia no joelho direito. Ao exame: sonolenta, mas facilmente despertável, com lapping induzido, taquipneica em ar ambiente e com leve esforço respiratório. Corada, acianótica, anictérica, afebril. Frequência cardíaca: 35 bpm; pressão arterial: 100x60 mmHg; murmúrio vesicular reduzido nas bases com crepitação nos 1/3 inferiores bilateralmente; ritmo cardíaco regular em 2 tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros ou atrito pericárdico, pulso venoso com onda “a” em canhão, turgência jugular patológica a 60º; abdome lácido, levemente doloroso à palpação profunda do hipocôndrio direito; membros inferiores com edema 2+/4+ simétrico com cacifo até joelhos. O diagnóstico mais provável do quadro acima e o tratamento mais adequado, respectivamente, são:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda um caso clínico de síncope, bradicardia grave e sinais congestivos em paciente idosa, com polifarmácia e múltiplas comorbidades. O raciocínio exige identificar uma etiologia sistêmica e de urgência, conectando manifestações cardiovasculares à possibilidade de efeito adverso farmacológico.

Justificativa da alternativa correta (C):

O quadro da paciente sugere bloqueio atrioventricular total (BAVT) decorrente de hipercalemia. Destacam-se:

  • Bradicardia (<35bpm) e BAV total (comprometimento de condução cardíaca), frequentemente induzidos por hipercalemia;
  • Fatores de risco para hipercalemia: uso de IECA (enalapril), idade avançada, provável insuficiência renal (sugerida por congestão, sonolência e uso de AINE), polifarmácia;
  • Síncope sem pródromos, edema e turgência jugular: reforçam congestão e repercussão hemodinâmica;
  • Abordagem alinhada às diretrizes brasileiras e internacionais:
    • Gluconato de cálcio estabiliza a membrana cardíaca;
    • Glicoinsulinoterapia reduz potássio sérico;
    • Marcapasso provisório recomendado no BAV total (IV Diretriz SBC, 2009);
    • Hemodiálise em pacientes refratários ou insuficiência renal grave.

Análise das alternativas incorretas:

A) Coma mixedematoso cursaria com hipotermia, rebaixamento progressivo e alterações cutâneas, não com bradicardia grave isolada e congestão.

B) SCA com acometimento de VD geralmente cursa com hipotensão, mas não explica a bradicardia acentuada e não há evidência de dor torácica ou alterações típicas de infarto inferior.

D) Tamponamento cardíaco causaria pulso paradoxal, abafamento de bulhas, sinais de baixo débito e rápida piora clínica, sintomas ausentes no caso.

E) Embolia pulmonar maciça poderia provocar síncope, mas esperam-se taquicardia e dor pleurítica, além de não justificar a extrema bradicardia.

Dicas de prova: Fique atento ao uso de IECA/AINEs em idosos, associação de sintomas neurológicos e cardíacos e presença de sinais congestivos. Situações em que bradicardia grave se associa a uso de medicamentos deve sempre levantar suspeita de alteração hidroeletrolítica, principalmente hipercalemia.

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