Sartre chamou de consciência posicional o que difere um ser-...

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Q196212 Filosofia
Sartre chamou de consciência posicional o que difere um ser-em-si de um ser-para-si. Essa consciência posicional estaria na origem de uma relação na qual uma existência organizaria existências exteriores a ela segundo critérios por ela estabelecidos com base em seus projetos, ou seja, a partir da maneira como essa existência ou ser-para-si projeta-se na temporalidade futura. A consciência que garante a condição de ser-para-si é o fundamento da identificação metafórica que Sartre estabelece entre o binômio ser humano e natureza e a situação em que um verme fura uma maçã. Sem uma consciência posicional, o indivíduo seria tomado pela náusea — tema e também o título de um livro de Sartre — que levaria o ser-em-si a se identificar com o ser-para-si.

Assinale a opção que apresenta a imagem que melhor caracteriza as noções descritas no texto acima.

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O Grito, de Edvard Munch (1893). Obra expressionista que evoca desespero existencial. Dor e angústia também são algumas das interpretações a respeito do quadro. 


No ensaio “O existencialismo é um humanismo”, Sartre cria uma metáfora simples para ilustrar como o ser-humano (ser-para-si) se relaciona com a realidade (ser-em-si):

“O homem está no mundo como o verme na maçã.”

O que ele quer dizer com isso?

  1. Interioridade inevitável – Assim como o verme não fica na casca, mas vive dentro da maçã, nós nunca estamos “fora” do mundo: fazemos parte dele por dentro, mergulhados em seu “miolo” de fatos, coisas e situações.
  2. Falta de visão total – O verme não enxerga a forma completa da maçã; ele só percebe os túneis que cava. Analogamente, nossa consciência só apreende recortes da realidade a partir de nossos projetos, necessidades e pontos de vista – nunca a totalidade objetiva.
  3. Abertura de caminhos – Ao escavar, o verme desenha a maçã por dentro; do mesmo modo, a cada escolha o ser-humano traça um percurso que dá sentido ao mundo à sua volta. É a consciência posicional (consciência-de-algo) que “organiza” o ser-em-si segundo valores e fins que ela mesma estabelece.
  4. Contingência e angústia – Tanto o verme quanto o homem estão ali sem justificativa pré-dada: nenhum de nós pediu para existir no interior desse “fruto” chamado mundo. Reconhecer essa contingência produz a sensação de angústia que Sartre explora em A Náusea.

A imagem do verme na maçã enfatiza que:

  • estamos lançados dentro de um mundo já dado;
  • só podemos experienciá-lo a partir de dentro, por meio de nossos projetos;
  • e damos forma (ou sentido) ao mundo enquanto nos movemos nele, mas sem nunca escapar à sua exterioridade bruta.

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