Um paciente de 45 anos em hemodiafiltração veno-venosa contí...

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Q3835453 Medicina
Um paciente de 45 anos em hemodiafiltração veno-venosa contínua por 6 dias devido a injúria renal aguda oligurica secundária a rabdomiólise começa a apresentar diurese de 0,8 mL/kg/h nas últimas 24h. Hemodinamicamente estável. Creatinina sérica estabilizou em 3,0 mg/dL (basal 1,0 mg/dL).
Diante da possibilidade de descontinuação da CRRT, qual a melhor estratégia de avaliação e transição, segundo as evidências atuais? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em paciente com IRA em CRRT que evolui com recuperação parcial da função renal, evidenciada por retorno de diurese e estabilidade hemodinâmica, a conduta é testar a interrupção da terapia com monitorização clínica e laboratorial nas 24-48 horas; não é necessário aguardar creatinina basal nem fazer desmame progressivo da dose.

Tema central: Suspensão da CRRT na IRA
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve a conduta prática compatível com recuperação parcial da função renal em paciente previamente dialítico por IRA: interromper a CRRT e observar se o rim sustenta a depuração e o controle hidroeletrolítico sem suporte. Os achados que sustentam essa decisão são a recuperação da diurese e a estabilidade hemodinâmica. A creatinina ainda elevada não impede o teste, porque pode permanecer acima do basal mesmo quando já há função renal suficiente para retirada temporária da terapia. O ponto técnico indispensável é a monitorização nas 24-48 horas seguintes para detectar necessidade de reinício.
B
Errada
O erro está na retirada imediata do cateter junto com a interrupção da terapia. A independência de TRS ainda precisa ser confirmada após o teste de suspensão; portanto, remover o acesso dialítico antes de observar diurese, creatinina e eletrólitos nas horas seguintes é precipitado e pode dificultar reinício precoce da terapia, se necessário.
C
Errada
Está errada porque a CRRT não exige desmame progressivo de dose antes da suspensão. Não há fundamento técnico consolidado para reduzir gradualmente a dose como etapa obrigatória. A decisão é guiada por recuperação clínica e renal, não por retirada escalonada do suporte.
D
Errada
A conversão imediata para hemodiálise intermitente diária só faria sentido se ainda houvesse indicação dialítica persistente e o paciente já tolerasse modalidade intermitente. Neste caso, os dados do enunciado apontam para possibilidade de retirada completa da TRS, não para migração automática entre modalidades.
E
Errada
Está incorreta porque a suspensão da CRRT não depende de a creatinina voltar ao valor basal. Em IRA em recuperação, a creatinina pode permanecer elevada por cinética lenta e depuração ainda incompleta, mesmo quando já existe função renal suficiente para um teste de independência. Manter dose plena até normalizar a creatinina prolonga suporte sem critério fisiológico adequado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre creatinina ainda elevada e necessidade obrigatória de manter CRRT, além de induzir a erro ao sugerir retirada imediata do cateter ou transição automática de modalidade sem antes testar independência dialítica.
Dica para questões semelhantes
  • Em suspensão de CRRT, procure primeiro sinais de recuperação funcional: retorno de diurese e estabilidade hemodinâmica.
  • Não use creatinina isoladamente como exigência para retirada; ela pode permanecer acima do basal mesmo com recuperação suficiente para teste.
  • Interromper CRRT não significa retirar imediatamente o cateter; antes, confirme independência com monitorização de 24-48 horas.
  • Troca para hemodiálise intermitente só se justifica quando ainda existe necessidade de TRS.

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