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Q1702466 Português
Leitura, escrita e oralidade


Uma primeira orientação para aprimorar as aulas de Língua Portuguesa tem a ver com a definição de um programa de prioridades, que é, sem dúvida, o desenvolvimento de saberes em relação à leitura e à escrita. Na prática, o desenvolvimento de competências em leitura e escrita deveria vir antes de tudo. O que levaria a escola a promover, todos os dias, e não apenas eventualmente, diferentes atividades de leitura e de escrita.

A atenção do professor de Língua Portuguesa poderia, assim, estar voltada para descobrir, no que acontece na escola e em seu redor, motivações para essa prática de ensino de leitura e escrita, que, assim, seriam contextualmente diversificadas, pois cada dia é um novo dia. O ensino da nomenclatura de certas categorias gramaticais não deveria ocupar os primeiros interesses da criança no ambiente educacional.

Dessa forma, nas primeiras séries do Ensino Fundamental, não caberia o ensino de particularidades gramaticais, como, por exemplo, as diferenças entre ditongo crescente e ditongo decrescente, ou, pior ainda, o reconhecimento de dígrafos nasais, ou a contagem de letras e fonemas de uma palavra. A prioridade deve ser levar os alunos a lerem e escreverem.

Mas… ler e escrever o quê?

Textos, textos, textos. Inclusive os literários. Não frases soltas, inventadas, descontextualizadas, vazias de sentido e de função. Textos de diferentes gêneros (listas, avisos, recomendações, recados, mensagens, notas, poemas, resumos, bilhetes, cartas, provérbios, formulação de perguntas, respostas a questões...). Basta ver o que circula à nossa volta ou que está estampado em outdoors, cartazes, paredes das escolas, dos estabelecimentos públicos, das lojas, das igrejas. Basta estar atento à multiplicidade de textos com os quais a gente convive no dia a dia.

O interesse por encontrar objetos de leitura e de escrita pode ser também um cuidado dos alunos: eles podem passar a enxergar a leitura e a escrita não como coisas restritas ao mundo da escola, mas como coisas do seu dia a dia social, como ações que fazem parte diretamente de sua vida como participantes de grupos, de comunidades, com necessidades que só serão atendidas pelas atividades da linguagem.

Concretamente, em face das novas configurações do mundo virtual, as demandas pela ação da linguagem tornam-se imperiosas e imprescindíveis. Portanto, textos: todos os dias. Lidos, falados, entendidos e escritos. Exercitar a prática de ensino. Sem pressa para a introdução das categorias gramaticais. Não existem textos sem gramática.

Ou seja, a gramática está lá, compondo, com o vocabulário e o contexto, os sentidos que os textos expressam. Sem pressa na explanação de definições, categorias, subcategorias, sobretudo aquelas da morfologia e da sintaxe. Prioridade para a interpretabilidade da linguagem; para os sentidos expressos e para as intenções pretendidas pelos textos.

Uma terceira orientação para enriquecer as aulas de Língua Portuguesa seria conceder espaço também à exploração das atividades que envolvem a oralidade, em contextos mais formais. Por exemplo, que os alunos tenham a oportunidade de participar como debatedores ou como ouvintes de discussões, de debates, defendendo ou refutando pontos de vista, ligados às questões que mais de perto atingem suas vidas. As normas que regulam e disciplinam a vida na escola poderiam ser objeto dessas discussões, favorecendo a participação de todos na promoção do bem comum e da satisfação dos interesses da coletividade.


Adaptado. Disponível em: https://bit.ly/2FSZO4t.
Leia o texto 'Leitura, escrita e oralidade' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. A exploração das atividades que envolvem a oralidade compreende, por exemplo, aquelas em que os alunos têm a oportunidade de participar como debatedores ou como ouvintes de discussões, de debates, defendendo ou refutando pontos de vista, ligados às questões que mais de perto atingem suas vidas, de acordo com o texto.

II. Segundo o texto, com a priorização da leitura e de escrita, a atenção do professor de Língua Portuguesa poderia estar voltada para descobrir, no que acontece na escola e em seu redor, motivações para essa prática de ensino de leitura e escrita, que, assim, seria contextualmente diversificada, pois cada dia é um novo dia.

III. Segundo o texto, nas primeiras séries do Ensino Fundamental, a prioridade dos alunos deve ser aprender as normas e classificações mais sofisticadas e rebuscadas da Língua Portuguesa.

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Tema central: Interpretação de textos aplicada ao ensino de Língua Portuguesa, com ênfase em métodos e prioridades para as séries iniciais. A questão exige a análise do conteúdo textual, sobretudo a identificação dos objetivos do ensino da disciplina, considerando-se também a abordagem de tópicos gramaticais.

Comentário da questão:

A alternativa correta é C) Apenas duas afirmativas estão corretas.

Análise das afirmativas:

I – CORRETA. O texto é explícito ao defender que a exploração da oralidade deve incluir a participação dos alunos como debatedores e ouvintes em discussões sobre temas de sua realidade, desenvolvendo habilidades argumentativas e de escuta ativa. Essa compreensão textual é essencial para quem vai atuar como professor, pois amplia o conceito de oralidade para além de exposições formais.

II – CORRETA. Conforme o texto, a atuação do professor deve estar conectada ao cotidiano escolar e ao entorno, buscando contextos e motivações vivas para promover a leitura e a escrita em situações reais e variadas. Palavras como “contextualmente diversificada” e “cada dia é um novo dia” são chaves para comprovar essa interpretação.

III – INCORRETA. Aqui reside uma pegadinha clássica de prova: a assertiva vai contra a tese central do texto. O autor destaca que, nos anos iniciais, não se deve priorizar regras e classificações sofisticadas; o foco deve recair na leitura e na escrita significativa, como reforçam Bechara (Gramática Escolar) e a BNCC.

Fundamento normativo: Na forma da gramática normativa, o correto ensino da língua nas séries iniciais preconiza a contextualização e a funcionalização dos conteúdos gramaticais, evitando o excesso de tecnicismos precoce.

Estratégias de interpretação: Identifique sempre palavras-chave que denunciem o objetivo pedagógico do autor e busque contradições entre as alternativas e a tese desenvolvida no texto. Atenção especial às negativas e generalizações, que costumam indicar alternativas erradas.

Resumo: As afirmativas I e II estão plenamente de acordo com a leitura crítica do texto; a III, não. Dominar a habilidade de leitura atenta e identificação da tese é diferencial para o sucesso no concurso.

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