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Q1702464 Português
Leitura, escrita e oralidade


Uma primeira orientação para aprimorar as aulas de Língua Portuguesa tem a ver com a definição de um programa de prioridades, que é, sem dúvida, o desenvolvimento de saberes em relação à leitura e à escrita. Na prática, o desenvolvimento de competências em leitura e escrita deveria vir antes de tudo. O que levaria a escola a promover, todos os dias, e não apenas eventualmente, diferentes atividades de leitura e de escrita.

A atenção do professor de Língua Portuguesa poderia, assim, estar voltada para descobrir, no que acontece na escola e em seu redor, motivações para essa prática de ensino de leitura e escrita, que, assim, seriam contextualmente diversificadas, pois cada dia é um novo dia. O ensino da nomenclatura de certas categorias gramaticais não deveria ocupar os primeiros interesses da criança no ambiente educacional.

Dessa forma, nas primeiras séries do Ensino Fundamental, não caberia o ensino de particularidades gramaticais, como, por exemplo, as diferenças entre ditongo crescente e ditongo decrescente, ou, pior ainda, o reconhecimento de dígrafos nasais, ou a contagem de letras e fonemas de uma palavra. A prioridade deve ser levar os alunos a lerem e escreverem.

Mas… ler e escrever o quê?

Textos, textos, textos. Inclusive os literários. Não frases soltas, inventadas, descontextualizadas, vazias de sentido e de função. Textos de diferentes gêneros (listas, avisos, recomendações, recados, mensagens, notas, poemas, resumos, bilhetes, cartas, provérbios, formulação de perguntas, respostas a questões...). Basta ver o que circula à nossa volta ou que está estampado em outdoors, cartazes, paredes das escolas, dos estabelecimentos públicos, das lojas, das igrejas. Basta estar atento à multiplicidade de textos com os quais a gente convive no dia a dia.

O interesse por encontrar objetos de leitura e de escrita pode ser também um cuidado dos alunos: eles podem passar a enxergar a leitura e a escrita não como coisas restritas ao mundo da escola, mas como coisas do seu dia a dia social, como ações que fazem parte diretamente de sua vida como participantes de grupos, de comunidades, com necessidades que só serão atendidas pelas atividades da linguagem.

Concretamente, em face das novas configurações do mundo virtual, as demandas pela ação da linguagem tornam-se imperiosas e imprescindíveis. Portanto, textos: todos os dias. Lidos, falados, entendidos e escritos. Exercitar a prática de ensino. Sem pressa para a introdução das categorias gramaticais. Não existem textos sem gramática.

Ou seja, a gramática está lá, compondo, com o vocabulário e o contexto, os sentidos que os textos expressam. Sem pressa na explanação de definições, categorias, subcategorias, sobretudo aquelas da morfologia e da sintaxe. Prioridade para a interpretabilidade da linguagem; para os sentidos expressos e para as intenções pretendidas pelos textos.

Uma terceira orientação para enriquecer as aulas de Língua Portuguesa seria conceder espaço também à exploração das atividades que envolvem a oralidade, em contextos mais formais. Por exemplo, que os alunos tenham a oportunidade de participar como debatedores ou como ouvintes de discussões, de debates, defendendo ou refutando pontos de vista, ligados às questões que mais de perto atingem suas vidas. As normas que regulam e disciplinam a vida na escola poderiam ser objeto dessas discussões, favorecendo a participação de todos na promoção do bem comum e da satisfação dos interesses da coletividade.


Adaptado. Disponível em: https://bit.ly/2FSZO4t.
Leia o texto 'Leitura, escrita e oralidade' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Concretamente, em face das novas configurações do mundo virtual, da ascensão da internet, da dinâmica das redes sociais e da velocidade das novas tecnologias, as demandas pela ação da linguagem tornam-se equivocadas e imprecisas, de acordo com o texto.

II. Com a priorização da leitura e da escrita, nas primeiras séries do Ensino Fundamental, não caberia o ensino de particularidades gramaticais, como, por exemplo, as diferenças entre ditongo crescente e ditongo decrescente, ou, pior ainda, o reconhecimento de dígrafos nasais, ou a contagem de letras e fonemas de uma palavra, de acordo com o texto.

III. Devido à ampla diversidade de meios de comunicação oral e escrito aos quais uma criança está exposta desde o início da sua vida, o ensino da nomenclatura de certas categorias gramaticais deve sempre ocupar os primeiros interesses dessa criança no ambiente educacional, de acordo com o texto.

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Gabarito comentado – Interpretação de texto e ensino de gramática nas séries iniciais

Tema central: Esta questão aborda a interpretação de texto, focando na compreensão das prioridades pedagógicas para o ensino de Língua Portuguesa nas séries iniciais, sobretudo quanto ao lugar da gramática.

Alternativa correta: B) Apenas uma afirmativa está correta.

Justificativa:

A questão exige leitura atenta e confronto do que cada afirmativa diz com o conteúdo e a intenção do texto base sobre a prática pedagógica.

Análise das afirmativas:

I – Incorreta: A afirmativa distorce o texto ao afirmar que as demandas pela ação da linguagem no mundo virtual são “equivocadas e imprecisas”. O texto declara o contrário: as demandas são “imperiosas e imprescindíveis”, reforçando sua necessidade e urgência. Atenção à pegadinha do sentido oposto colocado pelas palavras.

II – Correta: O texto é transparente ao sugerir que detalhes gramaticais devem ceder lugar à leitura e à escrita nas séries iniciais. O ensino precoce de nomenclaturas ou particularidades gramaticais é visto como inadequado para essa etapa, alinhado à proposta de um ensino mais contextualizado, conforme defendem Bechara (Ensino da Gramática: Opressão? Liberdade?) e Travaglia.

III – Incorreta: Distorce a tese do texto ao defender que o ensino de nomenclatura gramatical deve “sempre” ser prioridade. O texto afirma o oposto: o ensino da gramática não deve ocupar os primeiros interesses da criança no ambiente escolar. É importante não se deixar enganar por palavras como “sempre” ou “prioridade” quando o texto original diz o contrário.

Orientações para concursos:

Ao interpretar textos em provas, compare sempre o enunciado com as ideias centrais explicitadas, identificando alterações semânticas, trocas de palavras-chave e generalizações impróprias. Considere que a prioridade nas séries iniciais, segundo referências como Cunha & Cintra, é o desenvolvimento da competência comunicativa pelo uso de textos reais.

Resumo: Apenas a afirmativa II está correta. As demais contradizem o texto.

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