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Q1702463 Português
Leitura, escrita e oralidade


Uma primeira orientação para aprimorar as aulas de Língua Portuguesa tem a ver com a definição de um programa de prioridades, que é, sem dúvida, o desenvolvimento de saberes em relação à leitura e à escrita. Na prática, o desenvolvimento de competências em leitura e escrita deveria vir antes de tudo. O que levaria a escola a promover, todos os dias, e não apenas eventualmente, diferentes atividades de leitura e de escrita.

A atenção do professor de Língua Portuguesa poderia, assim, estar voltada para descobrir, no que acontece na escola e em seu redor, motivações para essa prática de ensino de leitura e escrita, que, assim, seriam contextualmente diversificadas, pois cada dia é um novo dia. O ensino da nomenclatura de certas categorias gramaticais não deveria ocupar os primeiros interesses da criança no ambiente educacional.

Dessa forma, nas primeiras séries do Ensino Fundamental, não caberia o ensino de particularidades gramaticais, como, por exemplo, as diferenças entre ditongo crescente e ditongo decrescente, ou, pior ainda, o reconhecimento de dígrafos nasais, ou a contagem de letras e fonemas de uma palavra. A prioridade deve ser levar os alunos a lerem e escreverem.

Mas… ler e escrever o quê?

Textos, textos, textos. Inclusive os literários. Não frases soltas, inventadas, descontextualizadas, vazias de sentido e de função. Textos de diferentes gêneros (listas, avisos, recomendações, recados, mensagens, notas, poemas, resumos, bilhetes, cartas, provérbios, formulação de perguntas, respostas a questões...). Basta ver o que circula à nossa volta ou que está estampado em outdoors, cartazes, paredes das escolas, dos estabelecimentos públicos, das lojas, das igrejas. Basta estar atento à multiplicidade de textos com os quais a gente convive no dia a dia.

O interesse por encontrar objetos de leitura e de escrita pode ser também um cuidado dos alunos: eles podem passar a enxergar a leitura e a escrita não como coisas restritas ao mundo da escola, mas como coisas do seu dia a dia social, como ações que fazem parte diretamente de sua vida como participantes de grupos, de comunidades, com necessidades que só serão atendidas pelas atividades da linguagem.

Concretamente, em face das novas configurações do mundo virtual, as demandas pela ação da linguagem tornam-se imperiosas e imprescindíveis. Portanto, textos: todos os dias. Lidos, falados, entendidos e escritos. Exercitar a prática de ensino. Sem pressa para a introdução das categorias gramaticais. Não existem textos sem gramática.

Ou seja, a gramática está lá, compondo, com o vocabulário e o contexto, os sentidos que os textos expressam. Sem pressa na explanação de definições, categorias, subcategorias, sobretudo aquelas da morfologia e da sintaxe. Prioridade para a interpretabilidade da linguagem; para os sentidos expressos e para as intenções pretendidas pelos textos.

Uma terceira orientação para enriquecer as aulas de Língua Portuguesa seria conceder espaço também à exploração das atividades que envolvem a oralidade, em contextos mais formais. Por exemplo, que os alunos tenham a oportunidade de participar como debatedores ou como ouvintes de discussões, de debates, defendendo ou refutando pontos de vista, ligados às questões que mais de perto atingem suas vidas. As normas que regulam e disciplinam a vida na escola poderiam ser objeto dessas discussões, favorecendo a participação de todos na promoção do bem comum e da satisfação dos interesses da coletividade.


Adaptado. Disponível em: https://bit.ly/2FSZO4t.
Leia o texto 'Leitura, escrita e oralidade' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. De acordo com o texto, ler e escrever textos, inclusive os literários, as frases soltas, inventadas e descontextualizadas, as orações vazias de sentido e de função, são formas de contribuir positivamente para o enriquecimento das aulas de Língua Portuguesa.

II. Na exploração das atividades que envolvem a oralidade, as normas que regulam e disciplinam a vida na escola poderiam ser objeto de discussões, favorecendo a participação de todos na promoção do bem comum e da satisfação dos interesses da coletividade, de acordo com o texto.

III. Uma terceira orientação para enriquecer as aulas de Língua Portuguesa seria conceder espaço também à exploração das atividades que envolvem a oralidade, em contextos mais formais, de acordo com o texto.

Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Interpretação de texto e análise da coerência textual.

Esta questão pede ao candidato a identificação correta de ideias que estejam em conformidade com o texto, utilizando competências de leitura atenta, análise de informações explícitas e inferência de sentido de acordo com a norma-padrão e critérios de lógica textual.

Análise das Afirmativas:

I – Incorreta. O texto repudia justamente o uso de frases soltas, inventadas e descontextualizadas, classificando-as como “vazias de sentido e de função”. O autor valoriza a leitura e a escrita de textos completos e contextualizados, inclusive literários, mas não associa frases desconexas ao enriquecimento das aulas. Portanto, há uma distorção na afirmativa I — típica pegadinha de interpretação.

II – Correta. O texto sugere que o ensino da oralidade pode ser articulado em torno das normas escolares, permitindo debates e discussões que envolvam todos os estudantes, no intuito de promover o bem comum e a satisfação dos interesses coletivos. A afirmativa reprisa fielmente essa orientação, respeitando a coesão e a coerência do trecho.

III – Correta. O autor aponta como terceira orientação a inclusão de práticas de oralidade em contextos mais formais, citando debates e discussões como estratégias enriquecedoras para as aulas de Língua Portuguesa. Esta afirmativa recupera o sentido exato apresentado no texto.

Alternativas:
A alternativa C (“Apenas duas afirmativas estão corretas.”) é a escolha certa, pois apenas as afirmativas II e III retomam fielmente os argumentos apresentados no texto.

Estratégia de prova: Atente-se sempre à presença de termos contraditórios, extrapolações e inversão de sentido nas alternativas, principalmente em questões de interpretação. Sublinhar palavras-chave e parafrasear mentalmente as ideias principais do texto ajudam a evitar erros por desatenção. Conforme orienta Evanildo Bechara, uma leitura eficaz exige foco no contexto, no sentido global e na intenção comunicativa do autor.

Em síntese: O domínio da interpretação textual é essencial para a prova de Língua Portuguesa. Utilizar as estratégias de comparação entre afirmativas e texto-base, bem como localizar detalhes diferenciais, garante melhor desempenho.

Gabarito: C

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