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O paradoxo citado no 2o parágrafo do texto diz respeito

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Q4196406 Português

Leia o texto para responder à questão.


Mais ambição para a primeira infância


    Está previsto para o início deste mês o lançamento da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância. Publicado em junho de 2024, o decreto dava 120 dias para que um comitê intersetorial, formado por representantes de ministérios e da sociedade civil, propusesse um plano efetivo destinado à promoção e à proteção dos direitos de crianças de até 6 anos.


    É importante dizer que o plano precisa ter a robustez compatível com seu papel histórico. É na primeira infância, afinal, que são dados os passos cruciais para o desenvolvimento infantil. Nessa etapa ocorrem os estímulos adequados que afetam, no longo prazo, indicadores de educação, saúde, trabalho, violência e desigualdade. E, embora sejam centrais na vida nacional, as crianças têm sido negligenciadas pelo País, apesar do que dizem a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Marco Legal da Primeira Infância. O paradoxo explica o imperativo da política prometida: deve ser ambiciosa no propósito, criativa na estratégia, realista e integrada na governança entre União, Estados e municípios, consistente na concretude de suas metas e indicadores e, tão importante quanto tudo isso, detalhista nos métodos e nas ações propostas.


    O Brasil tem hoje mais de 18 milhões de crianças na primeira infância, 55% das quais vivendo em famílias de baixa renda, e 60% que nunca frequentaram creche ou pré-escola, de acordo com dados apresentados ao governo pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e pelo Todos Pela Educação. Há, por baixo, 670 mil crianças de 0 a 6 anos em situação de pobreza ou extrema pobreza. Segundo o IBGE, em 2023, 45% das crianças brasileiras de 0 a 5 anos estavam em domicílios com renda mensal per capita de meio salário-mínimo, enquanto entre a população geral o porcentual é de 27%. Ou seja, a pobreza atinge mais as crianças do que os adultos. Indicadores perversos as colocam ainda entre os mais vulneráveis a saneamento precário, insegurança alimentar e educação deficitária.


    Há boas ideias em discussão, mas a execução segue como o principal desafio. Entre as propostas mais promissoras está a criação de um sistema integrado de dados sobre a primeira infância, que permita o monitoramento por gestores locais e o diálogo direto com as famílias. O risco, no entanto, é repetir os equívocos da Caderneta da Criança: uma solução com baixa adesão e pouco alcance do público-alvo. Atualmente, os dados do desempenho escolar de uma criança, por exemplo, não são integrados com os da carteira de vacinação. As crianças brasileiras têm um número no sistema de saúde e outro no Cadastro Único, que identifica as famílias brasileiras de baixa renda e permite o acesso de famílias aos programas e benefícios sociais. A política pode apontar também informações e ações para a abertura de vagas em creches, ampliação da vacinação e uma espécie de frente nacional de atendimento a famílias carentes onde há crianças nessa faixa de idade.


(Editorial, https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.08.2025. Adaptado)

O paradoxo citado no 2o parágrafo do texto diz respeito
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a retomada anafórica de “o paradoxo” no 2º parágrafo, ligada à estrutura concessiva “embora”, que opõe a centralidade das crianças na vida nacional à negligência que elas sofrem. Essa oposição é a que o texto nomeia e explica, conduzindo ao gabarito C.

Tema central: referente de paradoxo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque desloca o referente de “o paradoxo” para uma cronologia administrativa do 1º parágrafo: publicação do decreto em 2024 e lançamento da política em 2025. O texto não nomeia esse intervalo temporal como contradição, e a expressão pedida retoma o período imediatamente anterior do 2º parágrafo.
B
Errada
Está errada porque troca o núcleo do paradoxo por um elemento de apoio argumentativo. As leis citadas reforçam a gravidade da negligência, mas o texto não formula o paradoxo como “leis existentes versus criação de nova política”. A oposição central é outra: importância das crianças versus negligência sofrida por elas.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reproduz com fidelidade os dois polos da contradição explicitada no texto: as crianças são apresentadas como “centrais na vida nacional”, mas ao mesmo tempo “têm sido negligenciadas pelo País”. É essa coexistência de relevância social e descuido prático que o editorial chama de “paradoxo”.
D
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: não corresponde ao 2º parágrafo, de onde vem “o paradoxo”, e ainda contraria informação expressa do texto, que afirma haver “mais de 18 milhões de crianças na primeira infância”. Portanto, não existe no texto a ideia de “pouco número de crianças nessa faixa etária”.
E
Errada
Está errada porque cria uma oposição inexistente. No texto, “ambiciosa” e “integrada na governança entre União, Estados e municípios” aparecem como características somadas da política defendida, não como termos em contraponto. A alternativa inventa um contraste sem suporte textual.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de associar “paradoxo” a qualquer contraste do texto. Aqui, era necessário localizar a retomada imediata no 2º parágrafo e identificar os dois polos efetivos da oposição, sem importar datas, leis ou dados de outros trechos.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir o sentido de uma expressão como “o paradoxo”, localize primeiro o período imediatamente anterior, porque é ali que costuma estar o referente textual.
  • Se houver conectivos como “embora”, verifique quais são os dois fatos postos em oposição; normalmente eles definem o núcleo da resposta.
  • Separe núcleo argumentativo de contexto de apoio: leis, datas e dados podem reforçar a tese sem serem o conteúdo exato retomado pela expressão perguntada.

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