Sobre neuropatologia e os marcadores tumorais mais utilizado...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: imunohistoquímica em neuropatologia para identificação de tumores do SNC. Marcar corretamente a diferenciação celular (neuronal, glial, meníngea, epitelial) e a taxa proliferativa é chave para diagnóstico e graduação (OMS/WHO CNS5 2021/2024; UpToDate).
Alternativa correta: C
A sinaptofisina é proteína de vesícula sináptica, marcador de neurônios/neuroendócrino. Tumores com diferenciação neuronal, como meduloblastoma (tumor embrionário com diferenciação neuronal) e tumores parenquimatosos da pineal (ex.: pineocitoma/pineoblastoma), mostram coloração positiva para sinaptofisina. Frequentemente também marcam chromogranina e INSM1. Isso sustenta o diagnóstico e auxilia no painel com GFAP/OLIG2 (gliais) e CK/EMA (epiteliais) (WHO CNS5; UpToDate, Immunohistochemistry of CNS tumors).
Por que as outras estão erradas?
A) Ki-67 (MIB-1) mede fração de células em ciclo (G1-S-G2-M), não estando presente apenas em “tumores de crescimento rápido”. Ele é amplamente útil em gliomas e meningiomas para estimar agressividade, mas não é limitado a tumores rápidos e apresenta heterogeneidade e sobreposição entre graus (WHO CNS5; Robbins). O erro está em “sua expressão é limitada”.
B) GFAP identifica diferenciação glial e não é específico de “gliomas” no sentido restrito nem é “raro” em ependimomas/oligodendrogliomas. Ependimomas tipicamente são GFAP positivos; oligodendrogliomas podem ser variáveis e há positividade em astrócitos reacionais. Logo, a afirmação de raridade em ependimomas/oligodendrogliomas é incorreta (WHO CNS5).
D) EMA é clássico em meningiomas, mas não é específico: ependimomas podem apresentar padrão pontilhado/apical (“dot-like”), e carcinomas metastáticos comumente expressam EMA. Portanto, não é “raramente encontrado” fora de meningiomas (WHO CNS5; UpToDate).
E) β-hCG eleva-se sobretudo em coriocarcinoma e em alguns germinomas com células sinciciotrofoblásticas; não é “particularmente elevada” em teratomas e não é marcador de astrocitomas de alto grau. Para astrocitomas, o painel inclui GFAP, OLIG2, IDH1 R132H, ATRX, p53; para germinativos, PLAP, OCT3/4, SALL4, AFP/β-hCG conforme o subtipo (WHO CNS5).
Dica de prova: desconfie de termos absolutos como “específico”, “limitado” e “raramente”. Memorize pares clássicos: neuronal (sinaptofisina, chromogranina, INSM1), glial (GFAP, OLIG2), meningioma (EMA, PR), metástase epitelial (CK, EMA), proliferação (Ki-67).
Referências essenciais: WHO Classification of Tumours of the Central Nervous System, 5th ed (2021/2024); UpToDate – Immunohistochemistry of CNS tumors; Robbins & Cotran – Pathologic Basis of Disease.
Gabarito: C
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
questão sobre marcadores tumorais em tumores do SNC
alternativa correta: [C] Os tumores neuroendócrinos do SNC, como o pineocitoma e o meduloblastoma, podem ser identificados por meio da coloração positiva para sinaptofisina, que é um marcador de vesículas sinápticas.
justificativa
A sinaptofisina é uma proteína que está presente em vesículas sinápticas e é utilizada como marcador em tumores neuroendócrinos, como o pineocitoma e o meduloblastoma. Esses tumores, que apresentam características neuroendócrinas, frequentemente mostram coloração positiva para sinaptofisina, o que ajuda a confirmar o diagnóstico.
análise das demais alternativas
[A]: O marcador Ki-67 (ou MIB-1) é de fato utilizado para avaliar a proliferação celular e classificar o grau de malignidade em gliomas e meningiomas. No entanto, sua expressão não é limitada apenas a tumores de crescimento rápido, podendo ser observado em qualquer tumor com alta taxa de proliferação, tornando a descrição dessa alternativa imprecisa.
[B]: O GFAP (proteína ácida fibrilar glial) é um marcador de gliomas, mas também pode ser encontrado em outros tipos de tumores do SNC, como ependimomas e oligodendrogliomas, não sendo exclusivo para gliomas. Portanto, a afirmação de que é raramente encontrado em outros tipos é incorreta.
[D]: A expressão do antígeno de membrana epitelial (EMA) não é específica para meningiomas. Embora seja positivo em meningiomas, também pode ser encontrado em outros tumores do SNC, como ependimomas e carcinomas metastáticos. Assim, a alternativa está incorreta.
[E]: A beta-hCG (gonadotrofina coriônica humana) é um marcador comum para tumores germinativos, como os teratomas, mas não é tipicamente elevado em astrocitomas de alto grau. A menção de astrocitomas de alto grau como um tumor em que a beta-hCG seria comumente elevada está incorreta.
resumo: A sinaptofisina é um marcador importante para tumores neuroendócrinos do SNC, como o pineocitoma e o meduloblastoma, ajudando na identificação desses tumores.
pontos chave
◊ A sinaptofisina é usada como marcador para tumores neuroendócrinos, como pineocitomas e meduloblastomas.
◊ O Ki-67 é útil para avaliar a proliferação celular, mas não é limitado a tumores de crescimento rápido.
◊ O GFAP pode ser encontrado em outros tumores além dos gliomas, como ependimomas e oligodendrogliomas.
◊ O EMA não é exclusivo de meningiomas, podendo ser encontrado em outros tipos de tumores do SNC.
◊ A beta-hCG é um marcador para tumores germinativos, mas não é comum em astrocitomas de alto grau.
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo