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Q2005419 Português
O "cidadão de bem", os Direitos Humanos e a opinião pública

É comum que a opinião pública adote, conforme o quadro social, determinados posicionamentos que predominam nos populares. Trata-se de uma uniformização de discursos, um consenso entre a maioria dos cidadãos sobre certo assunto. É evidente que o discurso não é sempre correto. O número de pessoas que fala a mesma coisa não é capaz de alterar o mundo dos fatos. Em outras palavras, quantidade não é qualidade.

No entanto, desde os primórdios, a intelectualidade gosta de nadar contra a maré. Dizer o contrário do que a maioria da população diz e acredita já deu causa a diversas descobertas, hoje consensos: antes de Galileu Galilei, a opinião pública acreditava que a Terra era plana; antes de Copérnico, era a Terra o centro do Universo. Isso não significa, todavia, que adotar posições antagônicas à opinião pública o tornará um descobridor, um visionário. Há muitas coisas em que a opinião pública está correta. [...]

Cada dia mais há publicações irônicas acerca do chamado "cidadão de bem", questionando a diferenciação desse com relação ao marginal. Há muito tempo o conceito de criminoso nato foi abandonado. Não há traços físicos de pessoas tendentes ao cometimento de delitos. Ademais, qualquer indivíduo está sujeito ao cometimento de práticas delituosas, uma vez que os dispositivos penais nem sempre refletem o sentimento coletivo ou mesmo individual do que é, de fato, uma grave transgressão.

Não se pode desconsiderar, todavia, que a prática criminosa reiterada deriva de desvios de conduta decorrentes de uma formação moral frágil, ou da simples ausência dela. Em uma sociedade, há quem não tenha coragem de subtrair um alfinete, enquanto outros estão dispostos a matar se for preciso ("necessidade" essa não tão latente quanto possa parecer).

João trabalha há 30 anos em uma empresa de vigilância. Exerce uma carga horária de 8 horas, de segunda a sexta-feira, com uma remuneração um pouco superior a 1 salário mínimo e meio. Já foi assaltado 12 vezes e teve um filho morto em um assalto a mão armada. Pedro, por sua vez, não exerce função remunerada regular. Tem extensa ficha criminal, sobrevive com pequenos bicos e roubos a mão armada. Um deles sai à noite do trabalho temendo os altos índices de violência na cidade em que mora; o outro, é grande colaborador para os índices apontados. É fácil perceber que a arma nas mãos de um deles seria um exclusivo meio de defesa, para o outro, um objeto para práticas delituosas.

O disposto a cometer crimes, provavelmente, não se importará de transgredir outra lei penal: adquirirá ilegalmente uma arma também. Mas quem gostaria de tê-la como meio de defesa respeita as normas impostas pelo Estado e fica à mercê da criminalidade e da ineficaz segurança pública. Entre João e Pedro não é difícil visualizar qual é considerado "cidadão de bem" e qual não é.

Se a opinião pública encabeça, atualmente, um movimento cada vez mais punitivista, é porque se cansou de ficar à deriva, entre um Estado que não o protege (e não o deixa se defender) e uma criminalidade que cresce de forma exponencial. Ainda assim, toda vez que João liga a televisão, ouve ONGs de Direitos Humanos afirmando que os presídios estão superlotados; que é preciso desencarcerar; que os apenados sofrem com a opressão do Estado; que prisão não resolve, porque não cumpre sua finalidade ressocializadora.

É evidente que o indivíduo vê-se exausto de "ver prosperar a desonra, de ver crescer a injustiça" e demoniza os Direitos Humanos. Não que os Direitos Humanos em si sejam algo negativo, mas as instituições que os representam atualmente têm deturpado as suas finalidades. Há que se reconhecer o benefício histórico do movimento, sobretudo quando, em tempos sombrios, o Estado se excedia em face do indivíduo. Mas é preciso ponderação.

Os indivíduos devem deixar de transgredir por princípios morais, mas também por temer as consequências de seus atos. Se a educação não resolveu, o desvio precisa ser coibido. É preciso prevenção, mas também repressão. Por isso, a teoria não pode, jamais, desconsiderar a prática. Atacar a opinião pública sem analisar a sua perspectiva é injusto com quem é compelido a seguir os padrões morais e legais impostos pela vida em sociedade. E talvez o "cidadão de bem" não esteja tão errado assim...

Hyago de Souza Otto. Disponível em: https://hyagootto.jusbrasil.com.br/artigos/421032742/o-cidadao-de-bem-os-direitoshumanos-e-a-opiniao-publica?ref=topic_feed. Acesso em: 29/01/2019. Adaptado.
Encontramos, no Texto, a defesa de que
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Tema central: Interpretação de Texto. A questão exige que o candidato identifique a tese principal defendida pelo autor, habilidade essencial para Analistas em Planejamento, Orçamento e Finanças Públicas, pois envolve a análise de argumentos e distinção entre ideias centrais e secundárias.

Justificativa da alternativa correta (B):
"O Estado deve atuar de modo mais repressivo no combate ao crime."

Ao longo do texto, o autor apresenta a frustração da sociedade civil diante da ineficácia do Estado em conter a criminalidade e relaciona essa insatisfação ao crescimento de um pensamento punitivista. Destaque para o trecho: “Se a opinião pública encabeça, atualmente, um movimento cada vez mais punitivista, é porque [...]”. O autor reforça que só a teoria (prevenção) não basta, sendo necessária também a repressão. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, identificar o posicionamento do autor requer observar conectivos e relações de consequência no texto.

Análise das alternativas incorretas:

A) Não há [...] diferença entre o cidadão de bem e o marginal: Incorreta, pois o texto faz a distinção clara (“Entre João e Pedro não é difícil visualizar...”).

C) Somente a educação é capaz [...]: Errada porque o próprio autor afirma ser necessário repressão além da educação (“É preciso prevenção, mas também repressão”). É preciso evitar generalizações no momento da prova.

D) Todos os cidadãos de bem respeitam as normas [...]: Falsa, pois o texto não generaliza e, inclusive, problematiza o conceito de "cidadão de bem". Fique atento a universalizações nas alternativas!

E) A opinião pública não deveria encabeçar um movimento tão punitivista: Também equivocada, pois o texto justifica a postura punitivista da opinião pública, não a condena diretamente.

Estratégia de prova: Ao identificar a tese central, destaque conectivos de consequência (“por isso”, “por esse motivo”), analise argumentos usados pelo autor e afaste alternativas que distorçam o sentido. Evite ser convencido por palavras absolutas (“todos”, “somente”, “sempre”) e confira sempre se a alternativa realmente expressa a posição defendida, conforme ensinamentos de Pasquale Cipro Neto e o Manual de Redação da Presidência da República.

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Comentários

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LETRA B.

O Estado deve atuar de modo mais repressivo no combate ao crime.

o Estado deve atuar de modo mais repressivo no combate ao crime. ✅

Após a leitura do texto, assim que ler todas as alternativas ,

relendo o último paragrafo já da para responder a questão.

GAB :B

RUMO A PMPE !

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