Diante da afirmativa do romancista americano E. L. Doctorow ...
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: O trecho decisivo é: "Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo \"ouvir\" vozes dentro da cabeça. Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo." O encadeamento entre cautela, concessão metafórica e ressalva por "Contudo" configura relativização e sustenta o gabarito C.
- Examine a sequência posterior à citação: a reação imediata pode revelar cautela, adesão ou recusa.
- Observe expressões delimitadoras como "Como metáfora": elas restringem o alcance da concordância.
- Leia a ressalva introduzida por "Contudo" em conjunto com a aceitação anterior para identificar uma posição de relativização.
- Diferencie caracterizações mencionadas para serem evitadas de propriedades efetivamente defendidas pelo autor.
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Tem que ter um pouco de esquizofrenia mesmo para entender esses textos que a FCC escolhe. Acertei, resposta letra C.
LETRA: C
O romancista americano E.L. Doctorow tem uma frase famosa que sugere distúrbio mais grave: "Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia". Nesse ponto cabe ter cautela. Como metáfora, a coisa tem sua utilidade - quem escreve pode mesmo "ouvir" vozes dentro da cabeça. Contudo (OPOSIÇÃO), deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura para dar ares malditos, heroicos, messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional, boca torta do cachimbo. Embora possa parecer, nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura.
A alternativa correta é:
C) relativiza-a de pronto, por não aceitar que se tome a arte literária como sintoma de desajuste psíquico.
✅ Por quê?
O autor cita a frase de E. L. Doctorow:
“Escrever é uma forma socialmente aceita de esquizofrenia”
Mas logo em seguida ele não aceita isso de forma literal. Pelo contrário, ele faz uma ressalva:
“Como metáfora, a coisa tem sua utilidade [...] Contudo, deve-se evitar a tentação de associar arte e loucura...”
Ou seja:
- Ele reconhece valor como metáfora ✔️
- Mas rejeita a ideia de que escrever seja realmente um distúrbio psíquico ❌
Isso é exatamente relativizar a afirmação.
❌ Por que as outras estão erradas?
A) recusa-a de todo
❌ Errada — ele não rejeita totalmente, pois admite valor metafórico.
B) referenda-a
❌ Errada — ele não concorda plenamente, pelo contrário, faz crítica.
D) julga-a equívoca... nenhuma arte é aceita socialmente
❌ Nada disso aparece no texto — invenção da alternativa.
E) considera-a oportuna... proposta messiânica
❌ O texto critica justamente essa visão “heroica” ou “messiânica” da arte.
A) recusa-a de todo, por julgá-la uma metáfora improcedente...: Incorreta. O autor não a recusa "de todo" (integralmente), pois ele mesmo assume que, "como metáfora, a coisa tem sua utilidade".
B) referenda-a, uma vez que ela se aplica exemplarmente ao caso dos escritores de índole romântica: Incorreta. O autor não referenda (valida) a frase sob a ótica romântica. Ao contrário, ele diz expressamente: "nada disso tem a ver com uma visão romântica da literatura".
C) relativiza-a de pronto, por não aceitar que se tome a arte literária como sintoma de desajuste psíquico: CORRETA. "De pronto" (imediatamente) ele pede cautela e limita o sentido da frase ao campo metafórico, rejeitando a associação direta entre arte e loucura (desajuste psíquico) para justificar o ofício.
D) julga-a equívoca, uma vez que nenhuma arte que problematiza a vida é aceita socialmente: Incorreta. O autor não discute se a arte que problematiza a vida é aceita ou não pela sociedade; esse argumento é inteiramente extrapolado do texto.
E) considera-a oportuna, por considerar que a arte literária deve ser aceita como uma proposta messiânica: Incorreta. O autor faz o movimento oposto: ele diz textualmente que se deve evitar associar a arte à loucura para dar ares "messiânicos ou mágicos ao que é apenas deformação profissional".
C
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