Ao associar o sentido pictórico de pentimento ao plano dos p...

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Q3916739 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Arrependimentos


   Pentimento é a palavra italiana para arrependimento, mas designa, em muitas línguas, uma pintura, um desenho ou um esboço encoberto pela versão final de um quadro. Âs vezes, com o passar do tempo, a tinta deixa transparecer uma composição em cima da qual o artista pintou uma nova versão. Outras vezes, os raios X dos restauradores desvendam opções anteriores, que permaneceram debaixo da obra final. Esses esboços ou pinturas, que o artista rejeitou e encobriu, são os pentimentos, que foram descartados sem ser propriamente apagados.

   Visível ou não, o pentimento faz parte do quadro, assim como fazem parte da nossa vida muitas tentações e muitos projetos dos quais desistimos. São restos do passado que, escondidos e não apagados, transparecem no presente, como potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.

   A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram. Por que não se realizaram? Em geral, pensamos que nos faltou coragem: não soubemos renunciar às coisas das quais era necessário abdicar para que outras escolhas tivessem uma chance. E é verdade que, quase sempre, desistimos de desejos, paixões e sonhos porque custamos a aceitar que nada se realiza sem perdas: por não querermos perder nada, acabamos perdendo tudo.

   O problema dos pentimentos é que eles esvaziam a vida que temos. O passado que não se realizou funciona como a miragem da felicidade que teria sido possível se tivéssemos feito a escolha "certa". Diante disso, de que adianta qualquer experiência presente? Os pentimentos podem ser maus conselheiros, até porque muitas vezes nós os inventamos como desculpas para os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.


(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, pp. 25-27, passim)
Ao associar o sentido pictórico de pentimento ao plano dos projetos pessoais não realizados em nossa vida, o autor está considerando como elemento comum a esses dois processos uma
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a analogia semântica explicitada pelo próprio texto entre o pentimento pictórico — algo rejeitado, encoberto, mas não apagado — e os projetos pessoais abandonados, descritos como "potencialidades que não foram realizadas". Como o comando pede o elemento comum entre os dois processos, a resposta correta é a alternativa que retoma essa possibilidade não concretizada.

Tema central: analogia entre pentimento e projetos não realizados
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A traduz com fidelidade a formulação central do texto. No plano pictórico, o pentimento é algo rejeitado e encoberto, mas não apagado; no plano existencial, o autor diz que esses restos do passado aparecem "como potencialidades que não foram realizadas". Portanto, o ponto comum não é culpa, fantasia ou redenção, mas a permanência de uma possibilidade que existiu e não se concretizou.
B
Errada
Está errada porque afirma "apagou em definitivo", e o texto sustenta o contrário: os pentimentos são "encobertos" e "não apagados", podendo ainda "transparecer no presente". O erro é semântico e contraria diretamente o núcleo da analogia.
C
Errada
Está errada porque desloca o foco para "fantasia" e para uma permanência que se sobreporia aos fatos. O texto menciona "falsos pentimentos" apenas na parte final, como efeito secundário ligado às redes sociais; isso não define o elemento comum central entre o pentimento pictórico e os projetos não realizados, que é a existência de possibilidades não concretizadas.
D
Errada
Está errada porque o texto não apresenta o pentimento como "forma crítica de atualização do passado". Quando diz que esses restos "transparecem no presente", o autor está falando de permanência residual de algo não realizado, não de revisão crítica positiva. Além disso, ele afirma que os pentimentos podem "esvaziar a vida que temos" e funcionar como "miragem", o que afasta essa caracterização.
E
Errada
Está errada porque confunde o significado inicial da palavra italiana com o sentido contextual efetivamente construído. Embora "pentimento" signifique "arrependimento", a analogia desenvolvida no texto não trata de intenção de se redimir dos fracassos, e sim de projetos abandonados que permanecem como possibilidades latentes.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de o candidato se prender ao sentido de "arrependimento" ou ao trecho final sobre "falsos pentimentos", quando a resposta está na analogia central explicitada pela expressão "potencialidades que não foram realizadas".
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir o elemento comum entre dois planos, localize a frase em que o próprio texto explicita a comparação.
  • Dê prioridade às expressões definidoras do autor, como "potencialidades que não foram realizadas", e não a associações vagas próximas do tema.
  • Elimine alternativas que invertam traços centrais do texto, como trocar "encoberto" e "não apagado" por apagamento definitivo.
  • Não use o significado original de uma palavra para responder se o texto constrói um sentido contextual mais preciso.

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Comentários

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Resposta: A

Justificativa: O texto explicita que os pentimentos, na pintura e na vida, são “potencialidades que não foram realizadas”, mas que permanecem como parte da obra/da história pessoal.

RESPOSTA A: os fracassos do presente. Hoje, é fácil esbarrar em espectros do passado: as redes sociais proporcionam reencontros improváveis e, com isso, criam pentimentos artificiais. Por conta da ação das redes, uma história que foi realmente apagada da memória (não apenas encoberta) pode renascer, como se representasse uma grande potencialidade à qual teríamos renunciado. Os falsos pentimentos, revisitados, são pequenas receitas para o desastre.

A alternativa correta é:

✅ A) potencialidade que não foi desenvolvida.

✔ Explicação:

O texto faz uma comparação entre:

  • Pentimento na pintura → algo que foi feito, mas depois encoberto, permanecendo como uma possibilidade não concretizada na versão final.
  • Vida pessoal → projetos, escolhas e caminhos que poderiam ter acontecido, mas não se realizaram.

O ponto em comum entre os dois é justamente a ideia de:

algo que existiu como possibilidade, mas não foi plenamente desenvolvido ou realizado.

Isso aparece claramente no trecho:

“potencialidades que não foram realizadas, mas que, mesmo assim, integram a nossa história.”

Agora, veja por que as outras estão erradas:

❌ B) ilusão que o tempo apagou em definitivo.

O texto diz o contrário:

os pentimentos não são apagados, mas encobertos e podem até reaparecer.

❌ C) fantasia cuja permanência se sobrepõe aos fatos.

O autor não fala de fantasia, mas de possibilidades reais que existiram.

Além disso, não diz que elas se sobrepõem aos fatos — apenas que permanecem como marcas.

❌ D) forma crítica de atualização do passado.

Não há ideia de “atualização crítica” do passado.

O texto fala de permanência e influência, não de reinterpretação ativa ou crítica.

❌ E) intenção de se redimir dos fracassos.

O texto não trata de redenção.

Pelo contrário, ele diz que os pentimentos muitas vezes atrapalham, funcionando como “maus conselheiros”.

✔ Resumo direto:

O elo entre arte e vida no texto é:

possibilidades que existiram, mas não se concretizaram plenamente.

1º período do 3º parágrafo:

"A vida é abarrotada de caminhos que deixamos de trilhar; são todos pentimentos encobertos, histórias que não se realizaram.[...]"

A

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