Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por
seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo
da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou
qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador
cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna,
e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal
professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as
suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às
pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”).
Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse.
Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados.
Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não.
Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio
de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal.
Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os
vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é
uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever
claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever
claro” não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar.
[...].
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras [Fragmento]. In:
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O nariz. 11. ed. São Paulo: Ática, 2006, p.
91.)
No trecho “Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que
ele se criasse.”, NÃO está correto o que se explica em:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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