Incontinência é a incapacidade de controlar a eliminação, p...
(__) Várias alterações na fisiologia anorretal podem causar incontinência, sendo comum a ocorrência de mais de uma deficiência associada. Como exemplo de distúrbios que podem levar à incontinência, destacamos os defeitos da musculatura do períneo causados pelo parto vaginal, os traumas, ou as condições associadas a cirurgias anorretais.
(__) Alterações neurológicas também podem causar incontinência, mesmo com a musculatura intacta. É o caso da degeneração do nervo pudendo ou de alterações sistêmicas como o diabetes, que podem influenciar de forma negativa a continência ou controle da função anal.
(__) Não é certo que a velocidade e consistência das fezes que chegam ao reto sejam suficientes para contribuir com a dificuldade de continência. Proctites (inflamação da mucosa retal) causadas por inflamação ou radioterapia alteram a sensibilidade retal diminuindo a capacidade de acomodação do reto, causando sensação de urgência e aumento na frequência das evacuações.
(__) Em pacientes portadores de retocele volumosa ou megarreto as fezes endurecidas em grande quantidade se acumulam no reto causando um tipo de incontinência dita por transbordamento. Pacientes com prolapso retal também podem apresentar incontinência.
(__) A consistência das fezes tem grande importância no desenvolvimento de incontinência fecal, principalmente em pacientes que apresentam algum tipo de déficit muscular, neurológico ou anatômico. Fezes líquidas ou pastosas não são adequadas e a causa desta condição deve ser investigada. Outras causas estão associadas ao aumento de gorduras ou açúcares na dieta, a síndrome do intestino irritável, as alterações metabólicas como hipertireoidismo ou diabetes, as cirurgias que diminuem o comprimento intestinal ou do reto ou, ainda, as cirurgias que aceleram o trânsito intestinal, como a extração da vesícula biliar.
Respondidos os itens, a sequência correta é:
Gabarito comentado
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Gabarito: D – V, V, F, V, V
Tema central: O foco da questão é incontinência fecal, condição multifatorial definida como a incapacidade de controlar a eliminação de fezes ou gases pelo ânus, afetando significativamente a qualidade de vida por razões físicas e psicossociais.
Análise dos itens e justificativas:
1. V (Alterações anorretais: parto, trauma, cirurgia)
Correto. Lesões do assoalho pélvico por parto vaginal, traumas e cirurgias anorretais são causas clássicas. Tais fatores podem danificar o esfíncter anal ou o suporte muscular, comprometendo a continência (Harrison, 21ª ed., cap. 349; MS, Diretrizes de reabilitação de TCE).
2. V (Causas neurológicas: degeneração, diabetes)
Correto. Lesões no nervo pudendo e condições neurológicas (ex: diabetes) afetam a condução nervosa e o tônus esfincteriano, mesmo com anatomia preservada. Diretrizes internacionais reforçam que alterações neurológicas são causas frequentes (UpToDate, Incontinência fecal).
3. F (Velocidade/consistência não influenciam?)
Incorreto. Aqui está a pegadinha: a consistência e velocidade das fezes são fundamentais para o controle fecal. Inflamações retal, como proctite, dificultam a acomodação retal e aumentam o risco de urgência e escape (PCDT, MS, p. 34).
4. V (Retocele, megarreto, transbordamento)
Correto. Acúmulo de fezes endurecidas em retocele, megarreto ou prolapso pode causar incontinência por transbordamento. São causas reconhecidas em pacientes com disfunção evacuatória crônica (Sabiston, Tratado de Cirurgia; UpToDate).
5. V (Consistência das fezes e causas metabólicas/cirúrgicas)
Correto. Fezes líquidas/pastosas dificultam a contenção e isso é agravado por doenças metabólicas, cirurgias com ressecção ou trânsito acelerado, além de alterações alimentares. A investigação etiológica é mandatória (SBPC, Protocolo Incontinência Fecal).
Pontos de Atenção em Provas: Fique atento a negações e generalizações injustificadas (“não é certo que...”), frequentemente associadas a alternativas falsas. Busque sempre relação funcional/anatômica dos sistemas e respaldo das diretrizes.
Resumo: O domínio sobre fisiologia, causas anatômicas, neurológicas, funcionais e o reconhecimento das manifestações clínicas são fundamentais para o manejo da incontinência fecal. Siglas, exames e condutas seguem protocolos nacionais e internacionais (MS, OMS, sociedades brasileiras).
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