Gestante de 32 semanas de gestação, 35 anos de idade, chega...

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Q3986611 Medicina
Gestante de 32 semanas de gestação, 35 anos de idade, chega ao Pronto Atendimento referindo que há cerca de 10 dias iniciou quadro de edema de mbs inferiores, com piora gradativa, cefaleia, dor em epigástrio e diminuição dos movimentos fetais há um dia. Tem antecedentes de hipertensão arterial pre-gestacional, atualmente em uso de anlodipino, GIII, PII, dois partos normais, sendo o último há 6 anos. Relata que iniciou o pré-natal na Unidade Básica de Saúde, mas deixou de ir às consultas após a 20ª semana de gestação porque a gestação estava tranquila. Ao exame físico, verificase edema generalizado, PA=170/110 mm/Hg, frequência cardíaca= 90/m, altura de fundo de útero=28 cm, batimentos cardiofetais= 130/m, ausente contrações uterinas. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica e o tratamento inicial são, respectivamente,
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Gestante de 32 semanas com hipertensão grave (170/110 mmHg) e sintomas de gravidade, como cefaleia e dor epigástrica, em contexto de hipertensão crônica prévia, sugere pré-eclâmpsia superposta com sinais graves e iminência de eclâmpsia. A resposta correta é a que inicia estabilização materna com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo endovenoso de ação rápida.

Tema central: Pré-eclâmpsia superposta grave
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque trata o caso como hipertensão arterial pré-gestacional isolada, o que não explica adequadamente o surgimento tardio de PA grave, cefaleia, dor epigástrica e edema generalizado. Esses achados apontam para pré-eclâmpsia superposta com sinais de gravidade, não para simples ajuste ambulatorial de anti-hipertensivo oral. Além disso, solicitar dopplerfluxometria antes da estabilização materna posterga a conduta inicial necessária.
B
Certa
A alternativa B é a correta porque propõe a conduta inicial adequada diante de uma gestante com PA grave e sinais de gravidade materna. O quadro não é de hipertensão crônica isolada nem de crise hipertensiva genérica, mas de doença hipertensiva grave da gestação, com risco de convulsão. Nessa situação, a estabilização materna deve incluir sulfato de magnésio para prevenção/tratamento das convulsões e hidralazina endovenosa para controle pressórico rápido.
C
Errada
Incorreta porque reduz o quadro a crise hipertensiva e omite o componente decisivo da doença hipertensiva grave da gestação: o risco de convulsão. Em presença de cefaleia e dor epigástrica, a conduta inicial deve incluir sulfato de magnésio, não apenas hidralazina. Também erra ao propor normalização aguda para PA <140/90 mmHg; na hipertensão grave da gestação, o objetivo inicial é reduzir a PA para faixa segura e evitar complicações maternas, não forçar normalização imediata.
D
Errada
Incorreta porque não há base no enunciado para diagnosticar síndrome HELLP: faltam evidências laboratoriais de hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. Também não há comprovação de sofrimento fetal agudo, já que o enunciado não traz bradicardia fetal persistente, desacelerações ou outro marcador fetal objetivo; diminuição de movimentos fetais e altura uterina menor podem sugerir comprometimento fetal, mas não fecham esse diagnóstico. Além disso, a questão pede tratamento inicial, e a prioridade é estabilização materna antes de definir interrupção.
Pegadinha da questão
A banca tenta induzir dois erros: minimizar o quadro por causa do antecedente de hipertensão crônica e confundir diminuição de movimentos fetais com sofrimento fetal agudo já definido. O dado que resolve a questão é a combinação de PA grave com cefaleia e dor epigástrica, que exige estabilização materna imediata com sulfato de magnésio e anti-hipertensivo endovenoso.
Dica para questões semelhantes
  • Em gestante após 20 semanas, PA ≥160/110 mmHg com cefaleia e/ou dor epigástrica deve ser lida como doença hipertensiva grave com risco de eclâmpsia.
  • Na doença hipertensiva grave da gestação, diferencie controle pressórico de proteção anticonvulsivante: hidralazina trata a PA, sulfato de magnésio trata o risco convulsivo.
  • Antecedente de hipertensão crônica não exclui pré-eclâmpsia superposta quando surgem sinais de gravidade materna.
  • Não feche HELLP ou sofrimento fetal agudo sem os elementos objetivos exigidos; se a questão cobra tratamento inicial, a estabilização materna vem primeiro.

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