Mulher em idade fértil procura atendimento por apresentar d...

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Q3986610 Medicina
Mulher em idade fértil procura atendimento por apresentar dores hipogástricas e sangramento transvaginal discreto. Relata uso irregular de anticoncepcional hormonal oral combinado e atraso menstrual de duas semanas. Tem antecedentes de três gestações, com três partos normais, sendo o último há cerca de 2 anos. Ao exame físico se apresenta em bom estado geral, afebril, corada e eupneica. Ao exame ginecológico, apresenta dor ao toque vaginal de toda região hipogástrica, mais intensa à direita, não se palpando tumorações, com útero e ovário com tamanhos normais. A ultrassonografia mostra útero com volume= 140 cm³, endométrio= 6 mm, ovários com volume dentro da normalidade e ausência de tumorações pélvicas. A dosagem quantitativa do B-hCG é de 4.800 mlU/ml. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica e a conduta corretas são, respectivamente,
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão decorre da dissociação entre beta-hCG de 4.800 mUI/mL, valor em que usualmente já se espera visualização de gestação intrauterina ao ultrassom transvaginal, e a ausência de saco gestacional intrauterino, em paciente com dor pélvica, sangramento discreto e estabilidade hemodinâmica. Esse conjunto sustenta suspeita de gestação ectópica íntegra e, entre as opções dadas, indica seguimento com beta-hCG quantitativo e ultrassonografia em 48 horas.

Tema central: Gestação ectópica íntegra
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque ameaça de aborto pressupõe gestação intrauterina, e o enunciado não demonstra localização uterina da gestação. Ao contrário, o beta-hCG de 4.800 mUI/mL sem saco gestacional intrauterino ao ultrassom desloca o raciocínio para ectópica. Prescrever progesterona micronizada e repouso domiciliar é inadequado nesse cenário porque não enfrenta o principal diagnóstico em risco, que é gestação ectópica.
B
Errada
Está errada no diagnóstico presumido. Embora a conduta seriada em 48 horas seja compatível com paciente estável, chamar o quadro de 'gestação incipiente' contraria o dado decisivo: com beta-hCG de 4.800 mUI/mL, usualmente já se esperaria visualizar gestação intrauterina ao ultrassom transvaginal. Além disso, dor pélvica lateralizada e sangramento reforçam suspeita de ectópica, não de gestação inicial normal.
C
Errada
Está errada porque restos ovulares exigem evidência de abortamento intrauterino ou conteúdo uterino residual, o que não aparece no caso. Não há descrição de eliminação de material ovular, colo dilatado, gestação intrauterina prévia documentada nem imagem compatível com restos ovulares; ao contrário, o endométrio de 6 mm não sustenta retenção ovular significativa. Indicar AMIU ou curetagem uterina nessa situação é tecnicamente inadequado diante da forte suspeita de gestação ectópica.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o caso reúne os elementos clássicos de suspeita de gestação ectópica: atraso menstrual, dor hipogástrica com predomínio à direita, sangramento transvaginal discreto e beta-hCG positivo. O dado decisivo é o beta-hCG de 4.800 mUI/mL sem evidência de gestação intrauterina ao ultrassom, o que torna muito mais provável ectópica do que gestação intrauterina muito inicial. Como a paciente está em bom estado geral, sem sinais de instabilidade ou abdome agudo hemorrágico, a conduta adequada entre as opções oferecidas é seguimento com beta-hCG seriado e nova ultrassonografia em 48 horas. A ausência de massa anexial não exclui ectópica inicial.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sangramento no início da gestação e abortamento, além da falsa segurança de um ultrassom sem massa anexial. O erro é ignorar que beta-hCG de 4.800 mUI/mL sem gestação intrauterina visível, associado a dor e sangramento, favorece fortemente ectópica mesmo com anexos aparentemente normais.
Dica para questões semelhantes
  • No primeiro trimestre, dor pélvica + sangramento vaginal + atraso menstrual exigem excluir gestação ectópica antes de rotular como abortamento.
  • Se o beta-hCG estiver em faixa em que usualmente já se espera visualização intrauterina e o ultrassom não mostra saco gestacional, a suspeita de ectópica sobe muito.
  • Ausência de massa anexial no primeiro ultrassom não afasta gestação ectópica inicial.
  • Em paciente estável e sem sinais de ruptura, entre alternativas conservadoras, procure seguimento com beta-hCG seriado e ultrassonografia.

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