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Q3367219 Medicina
Um homem de 34 anos, vítima de agressão com faca, é admitido no pronto-socorro com uma ferida penetrante na região anterior do pescoço, no triângulo anterior da zona II, com sangramento ativo moderado. O paciente está consciente, hemodinamicamente estável (PA: 122 x 78 mmHg; FC: 98 bpm). Não há sinais clínicos de déficit neurológico, enfisema subcutâneo ou hematoma em expansão.
Com base nas melhores práticas para o manejo do trauma penetrante cervical em paciente estável, a conduta inicial mais apropriada é: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O trauma penetrante cervical é uma intercorrência cirúrgica de alta complexidade devido à presença de estruturas vitais. O manejo depende da estabilidade hemodinâmica e do local do ferimento (zonas do pescoço). No caso, trata-se de trauma na Zona II (da borda da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula), região que permite avaliação clínica e cirúrgica com maior facilidade.

Justificativa para a alternativa correta (B): Segundo recomendações atualizadas e literatura científica, como a Revista de Medicina da USP, pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de alarme (hematoma em expansão, enfisema subcutâneo, déficit neurológico), devem ser submetidos à investigação complementar, preferencialmente com angiotomografia. A angiotomografia permite identificar ou descartar lesões vasculares, esofágicas e traqueais de modo não invasivo e seguro, guiando a conduta para exploração cirúrgica somente quando necessário.

Esta conduta é sintetizada em guidelines internacionais (ATLS, Western Trauma Association) e reduz intervenções desnecessárias, complicações e mortalidade associada.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Toracotomia + cervicotomia são procedimentos de exceção, indicados apenas em instabilidade hemodinâmica ou lesão torácica evidente. No quadro descrito, não há indicação.

C) Vigiar apenas sem exames é erro grave. O risco de lesão de estruturas ocultas permanece, mesmo que o paciente esteja estável.

D) Curativo compressivo e reavaliação não substituem a avaliação tomográfica em ferida penetrante cervical. O sangramento pode não ser a única ameaça presente.

E) Exploração cirúrgica mandatória para toda ferida em Zona II é conduta ultrapassada. Atualmente, a indicação é seletiva, conforme alterações no exame físico ou exame de imagem, conforme reforçado pela literatura (ATLS, 10ª ed., pág. 174).

Pontos de atenção e estratégias para provas:

  • Busque palavras-chave como “hemodinamicamente estável” e “zona II” — elas direcionam para o manejo conservador inicial.
  • Desconfie de termos absolutos, como em “toda ferida requer cirurgia”. Protocolos modernos priorizam seletividade e exames de imagem.
  • Lembre-se do avanço proporcionado pela angiotomografia! É cada vez mais referenciada nas principais diretrizes de trauma.

Segundo a Western Trauma Association, “Ferimentos penetrantes em pacientes estáveis devem ser preferencialmente avaliados por imagem antes de qualquer decisão operatória.”

Conclusão: Em paciente estável, angiotomografia cervical seguida de abordagem seletiva é a conduta com melhor respaldo científico e institucional.

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