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Q3367214 Medicina
Um paciente de 28 anos, vítima de acidente automobilístico de alta energia, é admitido no pronto-socorro em choque hipovolêmico (PA: 80/50 mmHg; FC: 130 bpm) após reposição inicial de 2 litros de cristaloides. FAST positivo para líquido livre na cavidade abdominal. Na laparotomia de emergência, identificam-se um trauma hepático grau V com lesão extensa do lobo direito, hemorragia ativa e instabilidade hemodinâmica refratária à reposição volêmica.
Qual a melhor conduta para o manejo cirúrgico desse paciente diante dessa situação?
Alternativas

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Tema central: O foco da questão é o manejo cirúrgico do trauma hepático grau V com instabilidade hemodinâmica refratária. Nesses casos graves, é fundamental controlar a hemorragia rapidamente, pois a perda sanguínea pode ser fatal em minutos.

Raciocínio para a alternativa correta (C):

Segundo as diretrizes da World Society of Emergency Surgery (WSES, 2020), o manejo cirúrgico do trauma hepático grave com instabilidade exige intervenções imediatas para hemostasia. A ligadura da artéria hepática direita reduz diretamente o fluxo ao segmento lesionado, controlando o sangramento ativo. Após isso, a hepatorrafia extensa com fio monofilamentar inabsorvível estabiliza o parênquima lesado, favorecendo a parada da hemorragia.

Essa conduta é respaldada por protocolos internacionais e nacionais: “A ligadura seletiva da artéria hepática é indicada em traumas graves com sangramento incontrolável quando outras medidas falham.” (Diretrizes WSES, 2020). Essa abordagem, associada à hepatorrafia, é menos agressiva que grandes ressecções e mais factível no choque, diminuindo mortalidade.

Análise das alternativas incorretas:

A/B) Ressecção formal/hepatectomia (direita ou lobectomia): Contraindicada em paciente instável! Cirurgias extensas aumentam mortalidade nesse contexto (UpToDate, Trauma hepático - 2023; Moore & Feliciano, Tratado de Cirurgia do Trauma).

D) Tamponamento hepático (“Damage Control”): Embora seja fundamental em trauma hepático, geralmente precede, e não substitui, tentativas de controle vascular como a ligadura arterial, especialmente se a hemorragia é focal (WSES, seção Damage Control).

E) TIPS: Shunt portossistêmico é procedimento radiológico, indicado em sangramento por hipertensão portal, e nunca em trauma hepático agudo.

Estratégia para provas: Questões sobre trauma sempre exigem análise do estado hemodinâmico e do tipo de lesão. Cuidado com pegadinhas que sugerem “cirurgias definitivas” em pacientes instáveis – a prioridade é controle da hemorragia com o menor dano possível!

Referências: Diretrizes WSES (2020), UpToDate – Liver trauma, Moore & Feliciano (Tratado de Cirurgia do Trauma).

Resumo: Em trauma hepático Grau V com choque, ligadura arterial + hepatorrafia é a conduta prioritária e respaldada pelas principais diretrizes.

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