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Q3367213 Medicina
Um homem de 43 anos, vítima de colisão automobilística de alta energia (condutor sem equipamentos de contenção), é admitido no pronto-socorro com dor torácica intensa e dispneia. No exame físico, observam-se abaulamento paradoxal em hemitórax direito e murmúrio vesicular reduzido bilateralmente. A radiografia de tórax evidencia múltiplas fraturas costais segmentares à direita e opacificação basal. O paciente está hemodinamicamente estável, saturando 88% em ar ambiente, com frequência respiratória de 28 irpm.
Considerando o quadro apresentado, assinale a alternativa que apresenta a conduta prioritária para esse paciente.
Alternativas

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Tema central: Trauma torácico contuso com tórax instável (flail chest) e provável contusão pulmonar. O movimento paradoxal do hemitórax e as fraturas costais segmentares definem o diagnóstico. A prioridade é restaurar a ventilação eficaz e controlar a dor para evitar insuficiência respiratória.

Alternativa correta (A): Analgesia multimodal otimizada + suporte ventilatório não invasivo (NIV) + fisioterapia respiratória precoce.

Justificativa clínica: No tórax instável, a dor intensa causa hipoventilação, atelectasia e piora da troca gasosa. Analgesia eficaz (opioides titulados, AINEs e, preferencialmente, técnicas regionais como epidural, paravertebral, serratus/erector spinae block) reduz o trabalho respiratório e melhora a ventilação. Com SpO₂ 88% e FR 28 irpm, NIV (CPAP/BiPAP) está indicada se não houver pneumotórax não drenado, pois recruta alvéolos e melhora oxigenação. Fisioterapia respiratória (higiene brônquica, espirometria de incentivo) previne atelectasia e pneumonia. Diretrizes ATLS, EAST e UpToDate recomendam abordagem inicial conservadora com analgesia otimizada e suporte ventilatório em pacientes hemodinamicamente estáveis com flail/contusão pulmonar.

Por que as demais estão incorretas?

B) Cricotireoidostomia com VM invasiva: Procedimento de via aérea de resgate (cannot intubate, cannot ventilate) ou obstrução grave. O paciente ventila, está estável e sem sinais de obstrução. Indicação desproporcional, aumenta morbidade. (ATLS)

C) Fixação cirúrgica precoce das costelas: Pode ser considerada em flail extenso com falha de desmame, dor intratável apesar de bloqueios, deformidade importante ou deslocamento grave. Não é medida prioritária imediata em paciente estável; primeiro otimize analgesia/NIV. (EAST, WSES)

D) Toracostomia com selo d’água: Indicada em pneumotórax/hemotórax. O RX descreve opacificação basal (sugestiva de contusão/atelectasia), sem evidências de pneumotórax hipertensivo. Drenagem profilática é inadequada e pode causar complicações. (BTS/ATLS)

E) Reposição volêmica agressiva: Ausência de choque. Excesso de fluidos piora o edema alveolar na contusão pulmonar e aumenta risco de SDRA. Objetivo é euvolemia, não hipervolemia. (ATLS, UpToDate)

Dicas de prova: Identifique as palavras-chave: “movimento paradoxal” + “fraturas costais segmentares” = tórax instável. Em paciente estável com hipoxemia, priorize analgesia potente e NIV, evitando intubação precoce e procedimentos invasivos sem indicação. Suspeita de pneumotórax? Faça avaliação rápida (USG/RX) antes de NIV.

Referências essenciais: ATLS 10/11ª ed.; EAST Practice Management Guidelines – Rib Fractures/Flail Chest; UpToDate – “Initial evaluation and management of rib fractures” e “Management of flail chest”; WSES/BTS para condutas torácicas.

Gabarito: A

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