Um cirurgião está realizando uma anastomose término-terminal...
Qual dos fatores a seguir é mais importante para garantir a segurança da sutura contínua em anastomoses intestinais?
Gabarito comentado
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Tema central: segurança da sutura contínua em anastomoses intestinais. Em anastomose término-terminal, a escolha do material do fio e a técnica influenciam diretamente o risco de fístula/deiscência. Princípios essenciais: tecido bem vascularizado, aproximação sem tensão, bites que incluam a submucosa (camada de maior resistência) e baixo trauma tecidual.
Alternativa correta: C — Uso de fio monofilamentar (inabsorvível como polipropileno ou absorvível de longa duração como polidioxanona – PDS) reduz capilaridade e resposta inflamatória, diminuindo contaminação bacteriana por “efeito pavio” e risco de fístula. Em sutura contínua, o monofilamento desliza melhor, causa menos trauma e distribui a tensão de forma uniforme. A PDS mantém força por semanas, o suficiente até a cicatrização colagênica da anastomose. Referências: Sabiston Textbook of Surgery; Schwartz’s Principles of Surgery; UpToDate (Techniques for gastrointestinal anastomosis); diretrizes ASCRS/WSES sobre prevenção de fístula.
Estratégia de prova: quando a questão mencionar “sutura contínua” e “segurança”, procure por: monofilamento, baixa reação tecidual, evitar capilaridade, e inclusão da submucosa. Desconfie de propostas de “mais tensão” ou de materiais multifilamentares no intestino.
Por que as demais estão incorretas?
- A — Fio multifilamentar inabsorvível aumenta capilaridade, depósito bacteriano e reação tecidual. No intestino, isso eleva o risco de infecção e fístula. Longa permanência não é necessária: a resistência da anastomose vem da cicatrização da submucosa em dias-semanas; PDS/PP são superiores nesse cenário.
- B — Alta tensão compromete perfusão marginal, gerando isquemia e deiscência. O correto é coaptação suave, sem estrangular as bordas. Estanqueidade se obtém por bites adequados e alinhamento, não por “aperto”.
- D — Dar nó a cada passagem transforma a lógica da contínua em múltiplos pontos interrompidos, aumentando corpo estranho, tempo operatório e risco de isquemia pontual. Na técnica contínua, os nós são apenas no início e no fim.
- E — Serosa isolada é insuficiente. A submucosa é a camada de resistência; técnicas recomendadas (camada única extramucosa) incluem seromuscular + submucosa. Serosa apenas aumenta falha/extravasamento e não reduz aderências de forma clinicamente relevante.
Pearls clínicos (caso de isquemia mesentérica): ressecar até bordas viáveis, alinhar sem tensão, evitar edema excessivo nos bites, preferir monofilamento de baixa reação (PDS/PP) e checar perfusão antes de concluir a anastomose.
Referências rápidas: Sabiston; Schwartz; UpToDate “Intestinal anastomosis: techniques”; ASCRS Guidelines; WSES Consensus sobre prevenção de deiscência.
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