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Q3367208 Medicina
Um homem de 55 anos, previamente hígido, é admitido na UTI após laparotomia exploradora devido a um trauma abdominal fechado com lesão hepática grau IV e volumoso hemoperitônio. Foram realizados: hepatorrafia, controle de danos com tamponamento hepático e fechamento temporário da parede abdominal com curativo a vácuo. Evolui nas primeiras 24 horas com oligúria (débito urinário < 0,3 mL/kg/h), elevação progressiva da pressão intra-abdominal (PIA) medida pela bexiga urinária, atingindo 25 mmHg, e distensão abdominal importante. Apresenta instabilidade hemodinâmica, hipoxemia com necessidade de ajuste dos parâmetros ventilatórios e acidose metabólica progressiva.
Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esse paciente.
Alternativas

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Tema central: Síndrome Compartimental Abdominal (SCA) pós-trauma, com hipertensão intra-abdominal (HIA) medida pela bexiga. SCA é definida por PIA sustentada > 20 mmHg associada a disfunção orgânica nova (renal, respiratória, hemodinâmica, metabólica). A PIA de 25 mmHg (HIA grau III) com oligúria, hipoxemia, instabilidade e acidose confirma SCA.

Raciocínio clínico: A PIA elevada reduz retorno venoso e DC, comprime rins (↓TFG), eleva pressões de vias aéreas e compromete perfusão mesentérica, levando a acidose. Em SCA com falência orgânica, a conduta definitiva é descompressão cirúrgica imediata (laparotomia/descompressão do abdome), pois medidas conservadoras são insuficientes e o atraso aumenta mortalidade.

Alternativa correta: EDescompressão abdominal imediata. O paciente tem SCA grau III-IV com disfunção orgânica múltipla; já possui fechamento temporário com curativo a vácuo e tamponamento hepático, mas evoluiu com SCA. Deve-se reabordar, descomprimir, revisar/afrouxar packs se seguro, e manter abdome aberto com terapia por pressão negativa. Evidência: diretrizes WSACS/WSES e UpToDate recomendam descompressão urgente quando PIA >20 mmHg + falência orgânica.

Análise das incorretas

A – Diuréticos: não tratam a causa. Em SCA há hipoperfusão renal por compressão; diurético pode piorar perfusão e atrasar a descompressão. Diretrizes não recomendam como medida inicial definitiva.

B – Expansão volêmica agressiva: aumenta edema visceral/parietal e eleva mais a PIA. Em SCA indica-se ressuscitação guiada por metas, evitar sobrecarga e considerar vasopressores; aqui é necessária descompressão.

C – “Autolimitada”: falso. SCA é tempo-dependente e associada a alta mortalidade se não descomprimida. Conduta conservadora só para HIA sem falência orgânica (sondas, analgesia, bloqueio neuromuscular, evacuação, ajuste de fluidos).

D – Fechamento primário: contraindicado; aumenta a PIA. O manejo correto é manter abdome aberto com curativo a vácuo até controle do edema/pressão, não fechar primariamente em SCA ativa.

Estratégia de prova (pegadinhas): Identifique o par PIA ≥ 20 mmHg + nova disfunção orgânica → escolha descompressão imediata. Evite “diurético” e “expansão agressiva” em SCA. “Fechar a parede” piora o quadro.

Referências úteis: WSACS/WSES Guidelines sobre HIA/SCA; UpToDate (Intraabdominal hypertension and abdominal compartment syndrome); princípios gerais em cirurgia do trauma (ATLS, dano-controlado).

Gabarito: E

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