Um homem de 28 anos, previamente hígido, é admitido no pron...
Com base na melhor conduta para esse caso, assinale a alternativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: manejo de trauma penetrante por arma branca no abdome em paciente hemodinamicamente estável, sem peritonite, com imagem sem violação peritoneal. Nessa situação, aplica-se o manejo não operatório seletivo (MNOS) com observação seriada.
Alternativa correta: D — O tratamento conservador com observação rigorosa é apropriado quando o paciente está estável, sem peritonite ou sangramento ativo. O caso apresenta: sinais vitais estáveis, FAST sem líquido livre, tomografia com contraste mostrando trajeto restrito à parede, e 12h de observação sem dor, febre ou irritação peritoneal — conjunto que sustenta MNOS. A conduta inclui exames físicos seriados, monitorização de sinais vitais, hemograma seriado e baixa limiar para reavaliar com imagem se houver piora. Diretrizes: ATLS (ACS), EAST e WSES recomendam MNOS em feridas por arma branca no abdome em pacientes estáveis e sem peritonite, reduzindo laparotomias negativas e complicações (Mattox/Feliciano; UpToDate).
Análise das alternativas incorretas
A — “Laparotomia imediata em todo trauma penetrante”: incorreta. A era da “exploração mandatória” ficou para trás. Hoje, a seleção por critérios clínicos é padrão: operar quando há instabilidade, peritonite, evisceração, sangramento ativo não controlado, ou achados tomográficos inequívocos de lesão significativa. Fazer laparotomia aqui aumenta risco de complicações desnecessárias (EAST/WSES).
B — “Laparoscopia diagnóstica obrigatória”: não é obrigatória. A laparoscopia é útil quando há dúvida de violação peritoneal ou achados inconclusivos, mas neste caso a TC delimitou o trajeto à parede e a observação por 12h foi benigna. Submeter à cirurgia seria intervenção excessiva (EAST/WSES, UpToDate).
C — “Sutura + antitetânica + antibiótico e alta imediata”: inadequado. Mesmo com TC favorável, a observação clínica por período curto (12–24h) é recomendada para detectar lesões tardias, sobretudo de víscera oca. Além disso, antibioticoprofilaxia não é rotineira em ferida restrita a partes moles sem contaminação; já a profilaxia antitetânica depende do status vacinal (ATLS, CDC/Ministério da Saúde).
E — “FAST negativo exclui lesão e autoriza alta imediata”: falso. O FAST tem baixa sensibilidade para lesões de víscera oca e retroperitônio e pode ser negativo na ausência de hemoperitônio. Não deve, isoladamente, guiar alta em trauma penetrante (ATLS; UpToDate).
Como pensar em prova
- Identifique 3 chaves: estabilidade hemodinâmica, peritonite, imagem. Estável + sem peritonite + TC sem violação = observação.
- Pegadinhas: “FAST negativo” não exclui lesão; “laparoscopia obrigatória” não é regra; “alta imediata” antes de observação é arriscada.
Referências essenciais: ATLS (ACS), EAST Practice Management Guidelines para trauma penetrante, WSES guidelines para trauma abdominal, Mattox/Feliciano – Trauma, UpToDate (Penetrating abdominal trauma, selective nonoperative management).
Gabarito: D
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