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Q3367207 Medicina
Um homem de 28 anos, previamente hígido, é admitido no pronto-socorro após sofrer uma agressão com faca na região do flanco direito. Ele está hemodinamicamente estável (PA: 122 x 80 mmHg; FC: 88 bpm) e apresenta uma ferida puntiforme de 0,5 cm, sem evisceração; a exploração digital realizada pelo emergencista não foi conclusiva. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) não evidencia líquido livre, e a tomografia computadorizada com contraste revela trajeto da lesão restrito à musculatura da parede abdominal, sem sinais evidentes de lesão visceral. Após observação por 12 horas, o paciente permanece assintomático e sem sinais de peritonite.
Com base na melhor conduta para esse caso, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: manejo de trauma penetrante por arma branca no abdome em paciente hemodinamicamente estável, sem peritonite, com imagem sem violação peritoneal. Nessa situação, aplica-se o manejo não operatório seletivo (MNOS) com observação seriada.

Alternativa correta: D — O tratamento conservador com observação rigorosa é apropriado quando o paciente está estável, sem peritonite ou sangramento ativo. O caso apresenta: sinais vitais estáveis, FAST sem líquido livre, tomografia com contraste mostrando trajeto restrito à parede, e 12h de observação sem dor, febre ou irritação peritoneal — conjunto que sustenta MNOS. A conduta inclui exames físicos seriados, monitorização de sinais vitais, hemograma seriado e baixa limiar para reavaliar com imagem se houver piora. Diretrizes: ATLS (ACS), EAST e WSES recomendam MNOS em feridas por arma branca no abdome em pacientes estáveis e sem peritonite, reduzindo laparotomias negativas e complicações (Mattox/Feliciano; UpToDate).

Análise das alternativas incorretas

A — “Laparotomia imediata em todo trauma penetrante”: incorreta. A era da “exploração mandatória” ficou para trás. Hoje, a seleção por critérios clínicos é padrão: operar quando há instabilidade, peritonite, evisceração, sangramento ativo não controlado, ou achados tomográficos inequívocos de lesão significativa. Fazer laparotomia aqui aumenta risco de complicações desnecessárias (EAST/WSES).

B — “Laparoscopia diagnóstica obrigatória”: não é obrigatória. A laparoscopia é útil quando há dúvida de violação peritoneal ou achados inconclusivos, mas neste caso a TC delimitou o trajeto à parede e a observação por 12h foi benigna. Submeter à cirurgia seria intervenção excessiva (EAST/WSES, UpToDate).

C — “Sutura + antitetânica + antibiótico e alta imediata”: inadequado. Mesmo com TC favorável, a observação clínica por período curto (12–24h) é recomendada para detectar lesões tardias, sobretudo de víscera oca. Além disso, antibioticoprofilaxia não é rotineira em ferida restrita a partes moles sem contaminação; já a profilaxia antitetânica depende do status vacinal (ATLS, CDC/Ministério da Saúde).

E — “FAST negativo exclui lesão e autoriza alta imediata”: falso. O FAST tem baixa sensibilidade para lesões de víscera oca e retroperitônio e pode ser negativo na ausência de hemoperitônio. Não deve, isoladamente, guiar alta em trauma penetrante (ATLS; UpToDate).

Como pensar em prova

- Identifique 3 chaves: estabilidade hemodinâmica, peritonite, imagem. Estável + sem peritonite + TC sem violação = observação.
- Pegadinhas: “FAST negativo” não exclui lesão; “laparoscopia obrigatória” não é regra; “alta imediata” antes de observação é arriscada.

Referências essenciais: ATLS (ACS), EAST Practice Management Guidelines para trauma penetrante, WSES guidelines para trauma abdominal, Mattox/Feliciano – Trauma, UpToDate (Penetrating abdominal trauma, selective nonoperative management).

Gabarito: D

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