Koch e Elias (2011) observam que, “na narrativa, o pretérito...

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Q1052373 Português
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    Ceia: do latim coena, última refeição do dia, o nosso popular jantar. A ceia de Natal, porém, tem suas singularidades, a primeira das quais são os convidados. O costume nasceu na Europa. Os cristãos deixavam abertas as portas das casas para que mendigos e viajantes pudessem compartilhar fraternalmente pelo menos uma refeição por ano. O romancista polonês Wladyslaw Stanislaw Reymont (1867-1925), Prêmio Nobel de Literatura em 1924, em Uma Lenda de Natal, situa sua trama na Polônia em certa noite natalina. Jesus, Judas e Pedro chegam esfomeados a uma estalagem. Não havendo nada para comer, a estalajadeira vende-lhes um ganso. Judas, ganancioso, sopra as penas da barriga da ave e pechincha no preço, dizendo que o ganso é muito magro. Jesus propõe que os três vão dormir, enquanto o ganso é preparado. Como a comida não é suficiente para todos, diz que quem tiver o sonho mais bonito comerá o ganso. Judas come a ave enquanto Pedro e Jesus dormem. Quando o mestre pergunta qual foi seu sonho, responde com cinismo: “Sonhei que me levantava e em sonho comia o ganso”. O escritor conclui que esta é a razão de o povo da Polônia guardar vigília na noite de Natal.
(Ângela Paiva Dionísio, Verbetes: um gênero além do dicionário.
Em: Machado e Bezerra [orgs.])
Koch e Elias (2011) observam que, “na narrativa, o pretérito perfeito marca o primeiro plano e o pretérito imperfeito marca o segundo plano (plano de fundo)”. Na nota enciclopédica, constata-se que
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Tema central da questão: Interpretação de texto e uso dos tempos verbais na narrativa. O foco é a identificação do jogo temporal — alternância intencional de tempos verbais — e o papel do presente histórico na construção de sentido do texto.

Justificativa para a alternativa correta – D:

A alternativa D está correta pois reconhece dois fenômenos:

  • O jogo temporal: o texto alterna pretérito perfeito (ações principais e concluídas, por exemplo: “chegaram esfomeados”, “propõe que os três vão dormir”, “responde”) e pretérito imperfeito (descrição de contextos e situações de fundo, por exemplo: “não havia nada para comer”). Segundo Bechara, “na narrativa, o pretérito perfeito traduz o fato acabado, e o imperfeito, o quadro de fundo” (Moderna Gramática Portuguesa).
  • Uso do presente histórico: Em algumas passagens, o narrador emprega o presente para relatar eventos passados, tornando o enredo mais vívido e aproximando o leitor dos acontecimentos: “Jesus propõe”, “responde com cinismo”. Cunha & Cintra destacam que o presente histórico “recria a cena vivida”, efeito visível no texto.

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta. Não há predominância de verbos no presente. O presente histórico não minimiza o plano de fundo, mas sim aproxima o leitor dos fatos principais.

B) Incorreta. Não se organizam todas as passagens narrativas somente no pretérito perfeito; há alternância de tempos, além da presença do presente histórico e do imperfeito, evidenciando o jogo temporal.

C) Incorreta. O primeiro plano costuma usar pretérito perfeito ou presente histórico, mas não há predominância do presente para todas as ações principais. A assertiva também confunde os planos.

E) Incorreta. O jogo temporal concentra-se nas passagens de narração; ele não se estende de forma marcante à análise argumentativa (por exemplo, à análise do comportamento de Judas).

Explicação estratégica: Questões desse tipo exigem atenção cuidadosa aos tempos verbais e à função do presente histórico, que costuma ser usado para inserir o leitor “na cena”. Leia atentamente os verbos e identifique se narram, descrevem ou analisam para não cair em pegadinhas.

Resumo da regra: O pretérito perfeito narra ações concluídas (primeiro plano); o pretérito imperfeito, ações contínuas/descritivas (segundo plano); o presente histórico traz o passado para perto do leitor, valorizando o efeito de presença e imediatismo.

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Comentários

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Assertiva D

há o jogo temporal nas passagens narrativas, porém, ocorre também o presente histórico nestas e em outras passagens, por meio do qual se cria uma relação mais próxima entre o leitor e os fatos narrados.

Se observarmos o texto, mesmo dentro da narrativa, o autor utiliza verbos no presente: "chegam esfomeados", "a estalajadeira vende-lhes um ganso", " Judas come a ave", e outros trechos.. Conclui-se que: embora não tenha SOMENTE verbos no presente (mas também alguns no pretérito, ocorrendo o jogo temporal citado) o autor utiliza do presente histórico para criar uma relação dos fatos narrados com o leitor.

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