Tomando-se por referência a teoria de Bakhtin (1992), concl...

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Q1052362 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Meu vizinho das quintas-feiras, Sérgio Rodrigues, já abordou o tema com muito mais propriedade do que eu seria capaz, mas ele tem me irritado tanto (o tema, não o Sérgio) que vou invadir o quintal alheio e bater na mesma tecla. De um ano pra cá, comecei a ouvir frases do tipo “não é sobre opinião, é sobre respeito” ou “não é sobre alimentação, é sobre saúde”, “não é sobre direitos, é sobre deveres”.
    A primeira vez que me deparei com este novo uso do “sobre”, pensei que estavam falando “sobre” algum filme, livro ou peça de teatro. A respeito de “Superman I”, por exemplo, poderíamos dizer que “não é sobre superpoderes, é sobre amor”. Assim como “Casa de Bonecas”, do Ibsen, “não é sobre um casamento, é sobre a liberdade”. Prestando mais atenção, porém, percebi que o sentido era outro. Era o “sobre” como “ter a ver com”. Trata-se de uma tradução troncha de “it’s not about”, que os anglófonos usam a torto e a direito. Ou melhor, nós usamos torto, eles usam direito.
(Antônio Prata, Sobre o “sobre”. Em: Folha de S.Paulo, 29.10.2017)
Tomando-se por referência a teoria de Bakhtin (1992), conclui-se que o texto de Antônio Prata corresponde a um gênero discursivo
Alternativas

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Tema central: A questão exige interpretar e classificar o gênero discursivo do texto, com base na teoria de Mikhail Bakhtin sobre gêneros primários e secundários. Trata-se de um tema central para provas de interpretação textual e análise discursiva, especialmente para candidatos ao cargo de Professor de Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta (B):

A alternativa B está correta ao afirmar que o texto é um gênero discursivo secundário, pois circula em suporte escrito complexo — no caso, uma crônica publicada em jornal de grande circulação. Segundo Bakhtin (Estética da Criação Verbal, 1992), gêneros discursivos secundários são aqueles que surgem em contextos culturais elaborados, como literatura, jornalismo, artigos, discursos científicos. Nesses gêneros, há planejamento, reelaboração e maior complexidade estrutural. O texto analisado exibe essas características: é escrito, público e veiculado em mídia impressa, o que exige uma produção que transcende a oralidade e o imediatismo dos gêneros primários.

Análise das alternativas incorretas:

A, C e E: Ambas rotulam o texto como primário baseando-se em aspectos superficiais, como a informalidade, a presença da primeira pessoa ou suposta oralidade. É importante notar que, de acordo com Bakhtin, gêneros primários são típicos da comunicação cotidiana e imediata (ex: conversas, bilhetes), e não textos elaborados para circulação pública em jornais, independentemente do tom coloquial empregado.

D: Apesar de mencionar o caráter secundário, erra ao afirmar que o texto não possui alteração ideológica. Todo texto veicula posicionamentos ou visões de mundo, ainda que sutis. Ademais, a relação do gênero secundário não se define pela "realidade representada", mas sim pelo nível de elaboração e complexidade cultural do suporte onde circula.

Dicas para concursos: Atenção: não confunda informalidade com gênero primário, nem o uso da primeira pessoa com comunicatividade cotidiana! Sempre leve em conta o suporte (meio de circulação) e a complexidade cultural do texto, conforme ressalta a teoria de Bakhtin e gramáticas modernas (Cunha & Cintra; Faraco).

Resumo: O texto analisado é um gênero discursivo secundário por ser uma crônica elaborada, publicada em jornal, com circulação pública e planejada. Compreenda esse conceito para não cair em pegadinhas!

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Comentários

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Alguém poderia explicar essa questão??

gabarito letra B.

Gênero primário se forma em situação de enunciação verbal espontânea. Já o secundário se estabelece quando há “reflexão”, cuidado com a forma do que é dito. Há predominância dos textos escritos neste último caso.

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