Com base em Marcuschi (2008), é correto afirmar que o texto...

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Q1052360 Português
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    Meu vizinho das quintas-feiras, Sérgio Rodrigues, já abordou o tema com muito mais propriedade do que eu seria capaz, mas ele tem me irritado tanto (o tema, não o Sérgio) que vou invadir o quintal alheio e bater na mesma tecla. De um ano pra cá, comecei a ouvir frases do tipo “não é sobre opinião, é sobre respeito” ou “não é sobre alimentação, é sobre saúde”, “não é sobre direitos, é sobre deveres”.
    A primeira vez que me deparei com este novo uso do “sobre”, pensei que estavam falando “sobre” algum filme, livro ou peça de teatro. A respeito de “Superman I”, por exemplo, poderíamos dizer que “não é sobre superpoderes, é sobre amor”. Assim como “Casa de Bonecas”, do Ibsen, “não é sobre um casamento, é sobre a liberdade”. Prestando mais atenção, porém, percebi que o sentido era outro. Era o “sobre” como “ter a ver com”. Trata-se de uma tradução troncha de “it’s not about”, que os anglófonos usam a torto e a direito. Ou melhor, nós usamos torto, eles usam direito.
(Antônio Prata, Sobre o “sobre”. Em: Folha de S.Paulo, 29.10.2017)
Com base em Marcuschi (2008), é correto afirmar que o texto de Antônio Prata pertence ao domínio discursivo
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação textual – identificação do domínio discursivo e do gênero textual com base em Marcuschi. O foco é reconhecer a crônica como gênero marcado pela subjetividade no âmbito jornalístico, aplicando conceitos de gêneros e domínios discursivos, essenciais para provas de concursos.

Análise e justificativa da alternativa correta:

A alternativa E) está correta: jornalístico, correspondendo a uma crônica em que a subjetividade está marcada.

Segundo Marcuschi, domínios discursivos são esferas de produção de textos – e o jornalismo é uma delas, abrigando gêneros como notícia, reportagem e, principalmente, crônica. A crônica, como mostra o texto de Antônio Prata, manifesta opinião e reflexão pessoal, evidenciando a subjetividade do cronista sobre situações cotidianas. O autor inicia debatendo de maneira leve, usa exemplos cotidianos e se posiciona (“me irritado tanto... vou invadir o quintal alheio”), características dessa mescla entre pessoalidade e análise.

Na tradição consagrada por Bechara, Cintra & Cunha e Marcuschi, a crônica difere-se por valorizar a visão do “eu” e, mesmo publicada em jornais, é predominantemente subjetiva, distinta do relato jornalístico objetivo da notícia.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Interpessoal, página de diário — Diário é gênero confessional, intimista, não publicado em jornais com o objetivo de análise social ou humorística.
  • B) Publicitário — Relatos publicitários buscam persuadir ao consumo, e não expor opiniões pessoais sobre fenômenos da linguagem.
  • C) Do lazer, piada — Embora haja leveza, o objetivo não é só divertir, mas refletir sobre usos linguísticos de forma subjetiva.
  • D) Ficcional, objetividade — Crônica não se caracteriza por objetividade nem é gênero da ficção literária, mas mistura fatos cotidianos à análise pessoal.

Dica de prova: Atenção às pegadinhas! Muitas bancas trocam os domínios ou gêneros, apostando em conceitos próximos, mas com funções sociais distintas. Busque sempre identificar a finalidade do texto e seus marcadores de subjetividade ou objetividade.

Resumo: O texto é uma crônica, publicada em jornal, marcada pela visão subjetiva do autor, inserido, portanto, no domínio jornalístico.

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Assertiva E

jornalístico, correspondendo a uma crônica em que a subjetividade está marcada.

A crônica é um dos genêros do texto jornalístico. É caracterizada pela subjetividade do autor, relatos do cotidiano e uma certa dose de humor.

(Antônio Prata, Sobre o “sobre”. Em: Folha de S.Paulo, 29.10.2017)

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