A leishmaniose é uma zoonose com espectro heterogêneo de ma...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: classificações clínicas da leishmaniose. Há quatro formas principais: cutânea localizada, cutânea difusa, mucosa (mucocutânea) e visceral. A forma mais grave, com infecção sistêmica, é a leishmaniose visceral, também chamada de Calazar.
Alternativa correta: A – Calazar
O Calazar é a leishmaniose visceral (LV), causada nas Américas principalmente por Leishmania (L.) infantum (chagasi), transmitida por flebotomíneos. Caracteriza-se por febre prolongada, perda ponderal, hepatoesplenomegalia (baço geralmente volumoso), pancitopenia e hipergamaglobulinemia, devido à infiltração do sistema mononuclear fagocitário por amastigotas. É a forma com maior letalidade se não tratada. Referências: OMS/WHO Leishmaniasis fact sheets; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate; Ministério da Saúde–Brasil.
Diagnóstico (essencial para provas): suspeitar em febre crônica + esplenomegalia + citopenias em áreas endêmicas. Confirmação por parasitologia (visualização do parasito em aspirado de medula óssea; aspirado esplênico é mais sensível, porém com maior risco), e/ou testes rápidos/serologia (rk39, IFI, ELISA, DAT). PCR aumenta acurácia, útil em coinfecção HIV (onde a sorologia pode falhar). Diretrizes OMS e MS recomendam abordagem combinada conforme disponibilidade.
Tratamento (resumo de conduta): preferir anfotericina B lipossomal em casos graves, gestantes, extremos de idade, comorbidades ou coinfecção HIV. Anfotericina B desoxicolato é alternativa quando L-AmB não está disponível. Esquemas com antimoniais pentavalentes têm maior toxicidade para LV e são preferidos para formas cutâneas/mucosas. Miltefosina é opção em alguns cenários. Baseado em OMS/WHO e Protocolos do Ministério da Saúde.
Análise das alternativas incorretas:
B – Leishmaniose cutânea difusa: forma anérgica cutânea, com múltiplos nódulos/placas não ulceradas disseminadas na pele, refratária a tratamento. Não há comprometimento visceral. Usualmente associada a L. amazonensis.
C – Espúndia: sinônimo de leishmaniose mucocutânea, típica do complexo L. braziliensis. Cursa com destruição de mucosas naso-orofaringeanas, frequentemente após lesão cutânea inicial. Não é forma visceral.
D – Leishmaniose mucosa: mesma condição que “espúndia” (mucocutânea). Afeta mucosas, não é sistêmica. Portanto, não corresponde à forma mais grave disseminada.
Dicas de prova: associe os termos “visceral”, “disseminada” e “maior letalidade” a Calazar. Cuidado com a palavra “difusa” (lembra LV, mas refere-se à cutânea difusa). “Espúndia” = mucosa, não visceral.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo