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Q3511619 Medicina
Um paciente de 75 anos apresentou trauma de tórax e, ao chegar à UTI, foi auscultado um sopro holossistólico de 4+/6+, na região epigástrica, que acentua com a inspiração.
Esses achados são compatíveis com: 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: identificação de sopros valvares pelo tempo no ciclo cardíaco, foco de ausculta e resposta a manobras. Em provas, associe: “inspiração aumenta sopros do lado direito” (sinal de Carvallo) e “epigástrio/subxifoide” ao foco da valva tricúspide.

Gabarito: B — Insuficiência da valva tricúspide

Por quê? Sopro holossistólico audível no epigástrio que acentua com a inspiração é típico de regurgitação tricúspide (sinal de Carvallo). O trauma torácico pode causar lesão do aparelho subvalvar tricúspide (ruptura de cordoalhas/papilares), levando à insuficiência aguda. Fisiopatologicamente, a inspiração aumenta o retorno venoso à direita, intensificando o jato regurgitante para o átrio direito. Referências: ACC/AHA 2020 Valvular Heart Disease Guideline; Diretrizes de Valvopatias da SBC; UpToDate; Harrison’s.

Estratégia para a prova: 1) Defina o tempo (sistólico vs diastólico). 2) Localize o foco (apex, borda esternal, epigástrio). 3) Aplique manobras (inspiração = direita; expiração/handgrip = esquerda). A combinação aqui fecha diagnóstico para tricúspide.

Como confirmar? Ecocardiograma transtorácico com Doppler (avalia jato, vena contracta, refluxo sistólico em veias hepáticas), estimativa de pressão pulmonar e função do VD. Sinais clínicos podem incluir onda v jugular proeminente e fígado pulsátil. Em contexto traumático, considerar eco precoce e, se necessário, TEE.

Conduta (resumo): estabilização, diuréticos para congestão; em insuficiência grave sintomática ou lesão estrutural por trauma, reparo/reconstrução valvar é preferível quando factível (ACC/AHA 2020; SBC).

Análise das alternativas incorretas

A) Rotura do septo interventricular: sopro holossistólico tipicamente na borda esternal inferior esquerda, muitas vezes com hiperfonese e thrill, mas não acentua com inspiração. Trauma pode causar, porém a manobra de Carvallo negativa desfavorece.

C) Insuficiência aórtica: sopro diastólico, em “descrescendo”, no foco aórtico/borda esternal esquerda, pode ter sopros sistólicos acessórios, mas o achado-chave não é holossistolia nem aumento com inspiração.

D) Insuficiência mitral: sopro holossistólico no ápex com irradiação para a axila; costuma aumentar com handgrip e não com inspiração. Trauma pode causar ruptura papilar, mas a topografia e a manobra não batem.

E) Regurgitação pulmonar: sopro diastólico (Graham Steell) na borda esternal superior esquerda, que pode aumentar com inspiração, porém não é holossistólico nem típico do epigástrio.

Pegadinha clássica: confundir “holossistólico” entre MR/VSD/TR. Use o local da ausculta e o efeito da inspiração para separar: TR = epigástrio + Carvallo positivo.

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