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Q3511605 Medicina
Um homem de 72 anos apresenta insuficiência cardíaca não isquêmica com fração de ejeção reduzida. Sendo portador de diabetes e portador de disfunção renal estágio 3, em uso de inibidor de neprilisina e valsartana, betabloqueador, inibidor SGLT2 e antagonista no receptor de mineralocorticoide. Após 4 semanas, o paciente fez ECG, no qual se observou uma onda T de amplitude aumentada e simétrica.
O cardiologista suspeitou da seguinte anormalidade eletrolítica: 
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Gabarito: A — Hipercalemia

Tema central: interpretação de alterações eletrocardiográficas causadas por distúrbios eletrolíticos em paciente com insuficiência cardíaca e doença renal crônica. A pista-chave é a onda T de grande amplitude, simétrica e de base estreita, típica da hipercalemia inicial.

Justificativa da alternativa correta (A): Na hipercalemia, o primeiro achado no ECG é a onda T apiculada (“peaked”), alta, simétrica, com base estreita, frequentemente difusa. Com a progressão, surgem prolongamento do PR, achatamento/disparo da onda P, alargamento do QRS e, em casos graves, padrão “sine-wave” e arritmias malignas. O paciente tem múltiplos fatores de risco para hipercalemia: DRC estágio 3, diabetes e uso de valsartana (bloqueio do SRAA) e antagonista do receptor mineralocorticoide (ex.: espironolactona), todos sabidamente elevam potássio. Betabloqueadores podem contribuir levemente. Inibidores de SGLT2 tendem a reduzir o risco, mas não anulam os demais. Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate; Diretrizes AHA/ACC/HFSA 2022 e KDIGO para hiperpotassemia.

Estratégia de prova: viu onda T alta e simétrica em paciente com DRC e bloqueio do SRAA → pense hipercalemia. Atenção à pegadinha: ondas T “hiperagudas” do IAM são altas e largas (base ampla), geralmente regionais; na hipercalemia, são altas, pontiagudas, simétricas e difusas.

Por que as demais estão incorretas?

B — Hipocalcemia: cursa com prolongamento do QT por prolongamento do ST; não produz T altas apiculadas. Pode associar tetania e parestesias. ECG não compatível.

C — Hipercalcemia: típica de QT encurtado (ST curto), “T” geralmente discretas, não apiculadas marcantes. Não explica a T alta e simétrica descrita.

D — Hiperfosfatemia: isoladamente não determina padrão específico no ECG. Quando clinicamente relevante, induz hipocalcemia secundária → QT prolongado, não T apiculadas.

E — Hipopotassemia (hipocalemia): faz o oposto da hipercalemia: onda T achatada, onda U proeminente, depressão de ST e prolongamento do QU. Incompatível com T alta simétrica.

Diagnóstico e conduta (resumo útil): confirmar com dosagem sérica de K+, além de Ca2+ e Mg2+, e reavaliar função renal. Se hipercalemia moderada/grave ou com alterações ECG, seguir diretrizes: gluconato de cálcio (estabiliza membrana), insulina + glicose e beta-agonista inalatório (shift intracelular), além de diurético de alça, resinas ligadoras e hemodiálise quando indicado (AHA/ACC/HFSA, KDIGO, UpToDate).

Resumo-chave para a prova: T alta, pontiaguda e simétrica + DRC/SRAA/MRA = hipercalemia.

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