Uma paciente com 42 anos, admitida na sala de emergência com...
O emergencista definiu o quadro clínico como:
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Tema central: hipertensão na gestação. O quadro descrito é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, muito provavelmente sobreposta à hipertensão crônica (história prévia de HAS), no 3º trimestre.
Alternativa correta (C) – Pré-eclâmpsia: Em gestante ≥20 semanas, a combinação de PA elevada (≥160 sistólica), proteinúria (+++), e lesão de órgão-alvo define pré-eclâmpsia. Há sinais de gravidade: PA 170 mmHg (critério), edema de papila (envolvimento neurológico), dispneia/estertores (edema pulmonar), e S4 (“bulha pré-sistólica”, compatível com sobrecarga de pressão). Esses achados satisfazem os critérios de severidade segundo ACOG Practice Bulletin 222 e UpToDate.
Critérios diagnósticos úteis na prova: Pré-eclâmpsia = HAS após 20 semanas + (proteinúria ≥300 mg/24h ou relação P/C ≥0,3) ou sinais de dano de órgão (plaquetopenia, creatinina elevada, TGO/TGP elevadas, edema pulmonar, cefaleia/alteração visual). Se convulsão → eclâmpsia. Em quem já era hipertensa, novos achados (proteinúria/lesão orgânica) configuram pré-eclâmpsia sobreposta.
Conduta inicial (alto rendimento): monitorização, sulfato de magnésio para prevenção de convulsões, anti-hipertensivo de escolha (labetalol EV, hidralazina EV ou nifedipina VO), oxigênio e diurético se edema pulmonar, avaliar maturação fetal e oportunidade de interrupção da gestação conforme idade gestacional e estabilidade materno-fetal (ACOG; Ministério da Saúde; FEBRASGO).
Por que as demais estão incorretas?
A) Eclâmpsia: exigiria convulsão/coma não atribuíveis a outras causas. Não há convulsões descritas.
B) Hipertensão resistente: diagnóstico exige PA não controlada com 3 fármacos (incluindo diurético) ou controlada com 4. A questão não informa esquema terapêutico; além disso, na gestação a prioridade é reconhecer pré-eclâmpsia.
D) Hipertensão refratária: falha com ≥5 fármacos (incluindo diurético e antagonista de mineralocorticoide). Não aplicável e não é diagnóstico obstétrico primário.
E) Hipertensão crônica estágio III: essa classificação não é usada em obstetrícia para definir o quadro. Além disso, o achado principal é pré-eclâmpsia (HTA + proteinúria/lesão de órgão após 20 semanas).
Pegadinhas e estratégia: em provas, identifique: (1) idade gestacional ≥20s; (2) PA ≥160/110; (3) proteinúria; (4) sinais de órgão-alvo (neurológico/renal/hepático/pulmonar). Ausência de convulsão afasta eclâmpsia. Termos como “bulha pré-sistólica (S4)” e edema de papila reforçam gravidade.
Referências: ACOG PB 222 (Gestational Hypertension and Preeclampsia); UpToDate – Preeclampsia: Clinical features and diagnosis; Ministério da Saúde – Atenção ao Pré-Natal de Alto Risco; FEBRASGO – Hipertensão na gestação.
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