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Q3511598 Medicina
Uma paciente com 42 anos, admitida na sala de emergência com falta de ar, apresenta, no sétimo mês de gravidez, história de hipertensão prévia. Está lúcida, taquidispneica, apresentando pressão arterial 170 x 100 mmHg, ritmo cardíaco em 3 tempos, bulha pré-sistólica, estertores bibasais e edema de membros inferiores 3+/4+. Fundoscopia revela edema de papila. Exame de urina: proteinúria +++.
O emergencista definiu o quadro clínico como: 
Alternativas

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Tema central: hipertensão na gestação. O quadro descrito é de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, muito provavelmente sobreposta à hipertensão crônica (história prévia de HAS), no 3º trimestre.

Alternativa correta (C) – Pré-eclâmpsia: Em gestante ≥20 semanas, a combinação de PA elevada (≥160 sistólica), proteinúria (+++), e lesão de órgão-alvo define pré-eclâmpsia. Há sinais de gravidade: PA 170 mmHg (critério), edema de papila (envolvimento neurológico), dispneia/estertores (edema pulmonar), e S4 (“bulha pré-sistólica”, compatível com sobrecarga de pressão). Esses achados satisfazem os critérios de severidade segundo ACOG Practice Bulletin 222 e UpToDate.

Critérios diagnósticos úteis na prova: Pré-eclâmpsia = HAS após 20 semanas + (proteinúria ≥300 mg/24h ou relação P/C ≥0,3) ou sinais de dano de órgão (plaquetopenia, creatinina elevada, TGO/TGP elevadas, edema pulmonar, cefaleia/alteração visual). Se convulsão → eclâmpsia. Em quem já era hipertensa, novos achados (proteinúria/lesão orgânica) configuram pré-eclâmpsia sobreposta.

Conduta inicial (alto rendimento): monitorização, sulfato de magnésio para prevenção de convulsões, anti-hipertensivo de escolha (labetalol EV, hidralazina EV ou nifedipina VO), oxigênio e diurético se edema pulmonar, avaliar maturação fetal e oportunidade de interrupção da gestação conforme idade gestacional e estabilidade materno-fetal (ACOG; Ministério da Saúde; FEBRASGO).

Por que as demais estão incorretas?
A) Eclâmpsia: exigiria convulsão/coma não atribuíveis a outras causas. Não há convulsões descritas.
B) Hipertensão resistente: diagnóstico exige PA não controlada com 3 fármacos (incluindo diurético) ou controlada com 4. A questão não informa esquema terapêutico; além disso, na gestação a prioridade é reconhecer pré-eclâmpsia.
D) Hipertensão refratária: falha com ≥5 fármacos (incluindo diurético e antagonista de mineralocorticoide). Não aplicável e não é diagnóstico obstétrico primário.
E) Hipertensão crônica estágio III: essa classificação não é usada em obstetrícia para definir o quadro. Além disso, o achado principal é pré-eclâmpsia (HTA + proteinúria/lesão de órgão após 20 semanas).

Pegadinhas e estratégia: em provas, identifique: (1) idade gestacional ≥20s; (2) PA ≥160/110; (3) proteinúria; (4) sinais de órgão-alvo (neurológico/renal/hepático/pulmonar). Ausência de convulsão afasta eclâmpsia. Termos como “bulha pré-sistólica (S4)” e edema de papila reforçam gravidade.

Referências: ACOG PB 222 (Gestational Hypertension and Preeclampsia); UpToDate – Preeclampsia: Clinical features and diagnosis; Ministério da Saúde – Atenção ao Pré-Natal de Alto Risco; FEBRASGO – Hipertensão na gestação.

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