No trecho “Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dize...
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Ano: 2026
Banca:
IDESG
Órgão:
Prefeitura de Marataizes - ES
Prova:
IDESG - 2026 - Prefeitura de Marataizes - ES - Agente Comunitário de Saúde |
Q4377291
Português
Texto associado
A demência é o pior desafio do envelhecimento
No Brasil, a faixa etária que mais cresce é a dos que estão acima dos 65 anos. Em números arredondados: em
2010 eram 20 milhões, contingente que aumentou para 22 milhões no Censo de 2022.
Os demógrafos definem o índice de envelhecimento dividindo o número de habitantes com mais de 65 anos pelo
de crianças entre zero e 14 anos. Em 2010, o índice era de 30%, ou seja, 30 pessoas com mais de 65 anos para cada
100 crianças. Em 2022, esse índice subiu para 55%.
Graças à redução da fecundidade e dos nascimentos, a pirâmide etária no Brasil começou a mudar de formato a
partir dos anos 1990. A base foi se alargando com o passar dos anos, como aconteceu nos países mais ricos. A diferença
é que neles as mudanças ocorreram em mais de 60 anos; aqui, em metade desse tempo.
O envelhecimento dos brasileiros é visível nas ruas e no ambiente familiar. Em meados do século 19, Machado de
Assis descreveu "um velho gaiteiro de cinquenta anos" num de seus contos. Hoje, quando perdemos um parente de 70
anos, dizemos que morreu moço.
O envelhecimento interfere na organização da sociedade. A Previdência Social terá condições de pagar
aposentadorias mensais até os 90 anos, enquanto o número dos que chegam ao mercado de trabalho não para de
diminuir? As empresas continuarão a considerar velhos e demitir funcionários de 50 ou 60 anos?
Na área da saúde, as consequências poderão ser trágicas. Os brasileiros envelhecem mal: quando chegam aos
60 anos, mais da metade sofre de hipertensão arterial; o número de pessoas com diabetes deve andar perto dos 20
milhões; os índices de obesidade com seu cortejo de complicações aumentam a cada pesquisa do Vigitel.
Nessa faixa etária, é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas, do sedentarismo e do
consumo de alimentos ultraprocessados. Hoje, cerca de 80% dos atendimentos no SUS são de problemas crônicos que
requerem controle pelo resto da vida. Doenças cardiovasculares e câncer são as principais causas de óbito. Criado no
fim dos anos 1980, o sistema único não foi pensado para lidar com essa realidade.
Estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude? Claro que não. Se o Japão, a Suécia e a
Finlândia não estão, nós, neste país continental com tantas diferenças regionais, baixo nível educacional e distribuição
de renda imoral, é que estaríamos?
De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências, tragédia que cai nos ombros
dos familiares sem que o SUS esteja preparado para ajudá-los. Uma pessoa incapaz de se vestir, tomar banho, comer
sozinha ou entender o que se passa ao redor exige cuidados dia e noite, geralmente a cargo de uma mulher da família,
obrigada a **interromper a carreira e a vida pessoal **por anos consecutivos.
Autor: Drauzio Varella - GZH (adaptado)
No trecho “Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dizemos que morreu moço”, a formulação
produz seu efeito argumentativo porque: