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Q3511558 Medicina
Uma paciente que desenvolveu pré-eclâmpsia deve ser acompanhada, após a gravidez, em função do maior risco de desenvolver a seguinte condição clínica, futuramente:
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Alternativa correta: D – Hipertensão arterial

Tema central: Risco cardiovascular a longo prazo após pré-eclâmpsia. A pré-eclâmpsia é um estado de disfunção endotelial e inflamação sistêmica que aparece após 20 semanas de gestação e se associa, no pós-parto, a maior probabilidade de desenvolver hipertensão crônica e outras doenças cardiovasculares.

Justificativa da alternativa D: Mulheres com história de pré-eclâmpsia têm risco 2 a 4 vezes maior de hipertensão arterial crônica nos anos subsequentes, além de maior risco de doença coronariana, AVC e insuficiência cardíaca. O mecanismo envolve persistência de disfunção endotelial, rigidez arterial, ativação inflamatória e maior carga metabólica (resistência à insulina, dislipidemia). Diretrizes ACOG/ISSHP e revisões do UpToDate recomendam seguimento pós-parto com monitorização pressórica em 6–12 semanas e anual, além de manejo de fatores de risco.

Estratégia para a prova: Quando a questão perguntar “acompanhamento após pré-eclâmpsia”, associe imediatamente a risco cardiovascular. Entre opções variadas, escolha a condição com evidência mais forte e direta: hipertensão arterial.

Análise das alternativas incorretas:

A) Gota: Apesar da hiperuricemia ser comum na pré-eclâmpsia, não há evidência de aumento consistente de gota no longo prazo por esse antecedente. As diretrizes não listam gota como desfecho típico pós-pré-eclâmpsia.

B) Mioma uterino: Miomas relacionam-se a estrogênio/progesterona, idade e raça. A pré-eclâmpsia não é fator de risco estabelecido para leiomiomas.

C) Pericardite aguda: Geralmente viral, pós-infecciosa ou autoimune. Não há associação causal reconhecida entre pré-eclâmpsia e pericardite.

E) Câncer de endométrio: Associado a estímulo estrogênico desbalanceado, obesidade e SOP. Pré-eclâmpsia não é fator de risco típico; não há recomendação de rastreio específico por esse motivo.

Condutas práticas (pós-prova e na vida real): Reavaliar PA em 6–12 semanas (antes se houve sinais graves), checar perfil lipídico e glicêmico, orientar estilo de vida, e planejar futuras gestações com profilaxia de AAS em risco alto. Evitar anticoncepcionais estroprogestativos se hipertensão não controlada.

Referências rápidas: ACOG Practice Bulletin 222 (2020); ISSHP 2021; American Heart Association 2018; UpToDate – Long-term maternal morbidity after preeclampsia.

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