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Q3511556 Medicina
Uma mulher de 42 anos, obesa e hipertensa prévia, realizou fertilização in vitro – primeiro filho. No 8º mês, apresenta-se assintomática. Foram verificadas três medidas tensionais, com valores de 150 x 96 mmHg. Foram constatados ainda edema de membros inferiores de ++/4+, plaquetas de 120.000, TGO: 140 ui, TGP: 160 ui, creatinina: 1,1 mg%, e presença de hemácias crenadas na hematoscopia. No EAS, há presença de proteínas +++/4+.
A seguinte complicação pode estar presente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Hipertensão na gestação com disfunção orgânica – pré-eclâmpsia com síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de enzimas hepáticas, Plaquetopenia). Trata-se de complicação grave, típica do 3º trimestre, sobretudo em pacientes com fatores de risco como idade avançada, obesidade, hipertensão crônica e gestação por FIV.

Alternativa correta: A – Síndrome HELLP

Justificativa clínica: PA elevada e persistente no 3º tri + proteinúria +++ caracterizam pré-eclâmpsia. Há plaquetopenia (120.000) e TGO/TGP elevadas (140/160), compondo o HELLP (classe III de Mississippi quando plaquetas 100–150 mil). A alteração morfológica eritrocitária sugere hemólise microangiopática. Edema não é critério diagnóstico, mas é achado frequente. Conjunto típico de pré-eclâmpsia sobreposta à HAS crônica com HELLP. (ACOG PB 222; Williams Obstetrics; UpToDate)

Por que as demais estão incorretas?

B) Glomerulopatia por IgA: Cursa com hematúria/proteinúria, porém não explica elevação importante de TGO/TGP nem plaquetopenia. É doença renal primária, sem quadro típico de pré-eclâmpsia/HELLP.

C) Glomerulonefrite difusa aguda: Espera-se hematúria, cilindros hemáticos e complemento baixo após infecção estreptocócica. Não cursa com elevação de enzimas hepáticas nem plaquetopenia, e a hipertensão costuma ser mais volêmica.

D) Hipertensão maligna na gravidez: Exigiria PA ≥160/110, retinopatia maligna/encefalopatia/lesão renal aguda. Aqui a PA é 150/96, e há marcadores de microangiopatia hepatoesplênica típicos de HELLP.

E) Púrpura trombocitopênica idiopática: Cursa com trombocitopenia isolada; usualmente não há proteinúria, elevação de TGO/TGP nem HAS nova na gestação.

Diagnóstico e critérios

- Pré-eclâmpsia: HAS após 20 semanas + proteinúria ou disfunção orgânica.

- HELLP: Hemólise (esquizócitos/LDH alto), ELevated LFTs (AST/ALT >70), LPlaquetas baixas (<150 mil; gravidade crescente <100 mil). Referências: ACOG PB 222; WHO recommendations.

Conduta essencial (resumo)

- Sulfato de magnésio para prevenir eclâmpsia; anti-hipertensivos (labetalol, hidralazina, nifedipina); monitorização materno-fetal. Interrupção da gestação é o tratamento definitivo: geralmente indicada ≥34 semanas ou mais cedo se piora materno-fetal. Considerar corticoide fetal se <34 semanas. (ACOG; UpToDate; WHO)

Pegadinhas de prova

- Edema não é critério diagnóstico.

- Plaquetas entre 100–150 mil já podem configurar HELLP (classe III).

- Alteração de hemácias no esfregaço aponta para microangiopatia, favorecendo HELLP, não glomerulopatias primárias.

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