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Q3507022 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós


        Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligéncia artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem quea IA reflete, como o de Narciso em seu lago.


        Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.


        Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.


        Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", pregaa autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"


(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)

A consideração ética central da filósofa americana Shannon Vallor quanto ao uso progressivo da Inteligência Artificial vem expressa neste segmento do texto: 
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto.

Esta questão exige compreensão do sentido global do texto, ou seja, a identificação da ideia central desenvolvida pela filósofa Shannon Vallor sobre os riscos éticos da Inteligência Artificial (IA). Aqui, é fundamental recorrer à coerência textual, buscando o segmento que apresente, de maneira direta, a preocupação central da autora no campo ético.

Justificativa para a alternativa C (correta):

O trecho “abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões” sintetiza a consideração ética central que Vallor apresenta: o verdadeiro perigo não é a substituição do ser humano, mas a delegação de processos decisórios essenciais para a IA. O risco apontado é a perda da autonomia humana, um conceito fortemente relacionado à ética e à responsabilidade individual.

Pela semântica do texto, essa oração revela o núcleo do argumento ético: a estagnação das capacidades humanas em decorrência da dependência das máquinas.

Análise das alternativas incorretas:

A) “progressiva substituição de gente por máquinas” — Erro de compreensão: esta é precisamente a ideia contestada pela autora, pois ela ressalta que o perigo não está nesse ponto.

B) “ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas” — Trata-se de um elogio à utilidade da IA, não um alerta ético e, portanto, não representa o foco da preocupação da autora.

D) “Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos” — Esse segmento apresenta uma reflexão geral, mas não discute o risco da IA em si, como pede o enunciado.

E) “A seta sempre apontou para o futuro” — É uma metáfora sobre progresso, sem relação direta com a preocupação ética principal.

Estratégia de interpretação: Em questões similares, busque palavras-chave associadas ao problema, risco, perigo, desafio ou crítica — elas costumam indicar onde se encontra o núcleo da consideração ética. No texto, “abrindo mão do domínio dos próprios meios” une a ideia de perda de autonomia à preocupação ética.

Dica valiosa: Segundo a obra de Koch & Elias (Ler e Compreender), identificar o argumento central passa por localizar o trecho mais alinhado ao tema do enunciado.

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Comentários

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Podemos encontrar a resposta nesse trecho:

  • "Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher."

Pôxa, mas a A) também parece muito certa pra mim

:(

Não é a máquina que ameaça. É nossa disposição de nos acomodar. No trecho “abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões” aqui está o centro da crítica moral. O problema não é eficiência, é delegarmos capacidades fundamentais como escrever, raciocinar, escolher... (Gab.: C)

Eu usando a própria IA pra me ajudar a entender a questão.

C

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