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COMO PROCESSAR QUEM NÃO NOS REPRESENTA?
Não somos vândalos. E deveríamos ganhar flores. Cidadãos que respeitam as regras são diariamente maltratados por serviços públicos ineficientes. Como processar o prefeito e o governador se nossos impostos não se traduzem no respeito ao cidadão? Como processar um Congresso que se comporta de maneira vil, ao manter como deputado, em voto secreto, o presidiário Natan Donadon, condenado a 13 anos por roubo de dinheiro público?
Se posso ser multada (e devo ser) caso jogue no chão um papel de bala, por que não posso multar o prefeito quando a cidade não funciona? E por que não posso multar o governador, se o serviço público me provoca sentimentos de fúria e impotência? Como punir o vandalismo moral do Estado? Ah, pelo voto. Não, não é suficiente. Deveríamos dispor de instrumentos legais para processar quem abusa do poder contra os eleitores – e esse abuso transcende partidos e ideologias. [...]
(Texto retiradodo artigo de Ruth Aquino. Revista Época, 02/09/2103.)
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto (Questão de Administrador)

Tema central: Esta questão cobra interpretação de texto, especialmente a identificação da ideia central em um artigo opinativo, utilizando para isso perguntas retóricas e recursos de coerência e coesão textual.

Para responder questões desse tipo, é essencial buscar o propósito comunicativo do autor: o que ele deseja provocar ou denunciar ao leitor? As perguntas feitas no texto não visam respostas, mas sim destaque e crítica.

Justificativa da alternativa correta (B):

A alternativa B resume com precisão o cerne do texto: trata-se de questionamentos retóricos como forma expressiva da indignação da autora diante de condutas abusivas e impunes de autoridades e instituições. Notem a sucessão de perguntas – “Como processar o prefeito?”, “Por que não posso multar o governador?” – que não esperam resposta, mas criam efeito de denúncia.

Segundo Cunha & Cintra, “a ideia central é a linha-mestra que articula os argumentos e orienta o leitor sobre o posicionamento do autor”. Tudo no texto serve para mostrar a revolta com a falta de meios do cidadão para responsabilizar seus representantes.

Análise das alternativas incorretas:

AErrada porque insinua desconhecimento da autora; na verdade, ela demonstra saber da carência de instrumentos legais, sua dúvida é retórica.

CIncorreta por restringir o tema ao “bom tratamento” ao cidadão. O foco do texto é a representatividade e responsabilização política, não o atendimento cordial.

DImprecisa pois a autora afirma que o voto não basta; ela deseja outros instrumentos para punir abusos do poder.

EEquivocada ao sugerir que o texto trata de “cidadãos que não são eleitores”, o que não ocorre. A autora fala sobre o cidadão em geral.

Dica do especialista:

Identifique palavras-chave e estratégias de argumentação (perguntas retóricas, oposição, generalizações). Fique atento a pegadinhas, como detalhes fora do texto ou interpretações reducionistas.

A alternativa B é a que melhor interpreta o texto à luz da coesão, coerência e da intenção do autor.

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(B)


"Não somos vândalos. E deveríamos ganhar flores. Cidadãos que respeitam as regras são diariamente maltratados por serviços públicos ineficientes. Como processar o prefeito e o governador se nossos impostos não se traduzem no respeito ao cidadão? Como processar um Congresso que se comporta de maneira vil, ao manter como deputado, em voto secreto, o presidiário Natan Donadon, condenado a 13 anos por roubo de dinheiro público?


Se posso ser multada (e devo ser) caso jogue no chão um papel de bala, por que não posso multar o prefeito quando a cidade não funciona? E por que não posso multar o governador, se o serviço público me provoca sentimentos de fúria e impotência? Como punir o vandalismo moral do Estado? Ah, pelo voto. Não, não é suficiente. Deveríamos dispor de instrumentos legais para processar quem abusa do poder contra os eleitores – e esse abuso transcende partidos e ideologias."

Retórico: Aquele que fala muito, falador, faz uso da linguagem para se comunicar de forma eficaz.

E) Há uma contradição no próprio item: cidadãos que não são eleitores. Todo cidadão é eleitor, logo não pode existir  cidadãos que não são eleitores.

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