No município de Queimadas-PB, o Prefeito promulgou uma lei ...

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Q3016563 Direito Constitucional
No município de Queimadas-PB, o Prefeito promulgou uma lei municipal que restringe o direito à livre manifestação em locais públicos, justificando a medida como essencial para a manutenção da ordem pública. Entretanto, uma associação civil ingressa com uma ação direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça do Estado, alegando que a referida norma viola princípios constitucionais fundamentais. Diante dessa situação, considere as assertivas abaixo:

1. A supremacia da Constituição Federal implica que qualquer lei municipal ou estadual que contrarie preceitos constitucionais deve ser declarada inconstitucional.
2. O Tribunal de Justiça do Estado pode declarar a inconstitucionalidade da norma municipal em controle difuso, limitando os efeitos da decisão às partes envolvidas.
3. A livre manifestação do pensamento é um direito fundamental previsto na Constituição, sendo permitidas apenas restrições temporárias e específicas que atendam ao princípio da proporcionalidade.
4. O princípio da interpretação conforme a Constituição permite que a norma seja interpretada de forma a evitar sua inconstitucionalidade, preservando ao máximo os direitos fundamentais.
5. Caso a norma municipal seja declarada inconstitucional em controle concentrado pelo Tribunal de Justiça, seus efeitos podem ser modulados para evitar prejuízos à ordem pública, a critério do Tribunal.

Alternativas:
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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A Constituição Federal, art. 5º, IV, dispõe: "IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;". A restrição municipal descrita deve ser confrontada com essa garantia. Mantém-se o gabarito oficial E, mas apenas com as ressalvas interpretativas indicadas: a redação do item 3 é excessiva, e os itens 2 e 5 dependem das delimitações expostas na justificativa.

Tema central: Controle constitucional de lei municipal
Análise das alternativas
A
Errada
Exclui indevidamente os itens 2 e 4. O TJ pode declarar incidentalmente a inconstitucionalidade de lei municipal em processo concreto, observada a reserva de plenário. Também é juridicamente possível preservar a norma mediante interpretação conforme quando existir sentido compatível com a Constituição dentro de suas possibilidades interpretativas.
B
Errada
Exclui o item 1, embora a incompatibilidade efetiva e insuperável da lei com a Constituição imponha o reconhecimento da inconstitucionalidade pela supremacia constitucional. Esse erro basta para afastar a alternativa. A exclusão do item 3 contraria a leitura contextual do gabarito, mas sua redação realmente apresenta a objeção jurídica de exigir temporariedade de todos os limites.
C
Errada
Exclui o item 5, embora seja possível modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado estadual, desde que satisfeitos os requisitos jurídicos. A objeção à redação do item 3 é pertinente, mas não torna correta uma combinação que também exclui a possibilidade de modulação.
D
Errada
Exclui o item 2, apesar da competência geral do TJ para exercer controle difuso em causas concretas, com efeitos ordinariamente entre as partes e observância do art. 97 da Constituição Federal. A natureza concentrada da ADI narrada não elimina essa competência. A ressalva jurídica ao item 3 não corrige essa exclusão indevida.
E
Certa
A alternativa E é a resposta oficial, sustentada pelas seguintes delimitações, sem as quais não há fundamento seguro para considerar todos os itens integralmente corretos. Item 1: a supremacia constitucional exige reconhecer a inconstitucionalidade quando houver incompatibilidade efetiva e insuperável com a Constituição; se existir sentido constitucionalmente admissível, cabe interpretação conforme. Item 2: o TJ pode exercer controle difuso em processo concreto, com efeitos ordinariamente entre as partes, mas a ADI narrada é controle concentrado. Deve observar a Constituição Federal, art. 97: "Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público." No controle concentrado estadual, a Constituição Federal, art. 125, § 2º, dispõe: "§ 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão." Como entendimento interpretativo, o STF, no RE 650.898, Tema 484, admite também o uso de normas federais de reprodução obrigatória pelos Estados, não de qualquer norma federal. Item 3: existe proteção constitucional à manifestação e à reunião. A Constituição Federal, art. 5º, XVI, estabelece: "XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;". Contudo, a expressão 'apenas restrições temporárias' não é correta como regra geral, pois a vedação ao anonimato é permanente. Sua aceitação pelo gabarito depende de leitura contextual sobre medidas circunstanciais, delimitação que não está expressa no item. Item 4: segundo o entendimento do STF na ADI 1.344 MC, a interpretação conforme permite escolher um sentido constitucional entre interpretações juridicamente possíveis; não permite reconstruir norma de sentido unívoco incompatível com a Constituição. Item 5: a modulação é possível no controle concentrado estadual, mas depende de fundamento qualificado, fundamentação e quórum qualificado. A Lei nº 9.868/1999, art. 27, dispõe: "Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado." O dispositivo menciona expressamente o STF, não os TJs. A aplicação da técnica pelo TJPB encontra apoio na decisão relativa à Lei municipal nº 1.409/2015, de Bayeux, sem constituir tese vinculante. A invocação de ordem pública deve corresponder a segurança jurídica ou excepcional interesse social; não autoriza modulação irrestrita.
Pegadinha da questão
Confundir a competência geral do TJ para controle difuso com a natureza concentrada da ADI narrada, aceitar 'apenas restrições temporárias' como regra constitucional geral e interpretar 'a critério do Tribunal' como autorização para modular sem requisitos. A fragilidade do item 3 é real e não deve ser ocultada para justificar o gabarito.
Dica para questões semelhantes
  • Separe a modalidade da ação apresentada da competência geral do tribunal: a ADI é controle concentrado, ainda que o TJ também exerça controle difuso.
  • Confira afirmações absolutas sobre direitos fundamentais com os limites constitucionais expressos: a vedação ao anonimato não é temporária.
  • Na interpretação conforme, exija um sentido constitucional já compreendido nas possibilidades interpretativas da norma.
  • Na modulação, identifique segurança jurídica ou excepcional interesse social, fundamentação e quórum qualificado; a menção genérica à ordem pública não basta.

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Comentários

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Deveriam proibir estas bancas de elaborar provas de concurso

concordo plenamente

banca pequena

tipica questao se eu fosse examinador... me achando o máximo sem ser

Questão sem pé e nem cabeça

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