Paciente de 35 anos, com diagnóstico de carcinoma mamário ti...
Paciente de 35 anos, com diagnóstico de carcinoma mamário tipo não especial grau III, triplo negativo em mama direita. Ausência de sintomas sistêmicos.
Ao exame clínico: presença de nódulo de 3,5x5,2 cm no quadrante súperolateral da mama direita não aderido a planos adjacentes, irregular e endurecido, associado a linfonodomegalia axilar homolateral de 3cm com aspecto coalescente. Ausência de alterações de pele locais.
Ressonância de mamas pré-quimioterapia neoadjuvante: nódulo mama direita medindo 4,8x,6,0cm associado a 2 linfonodos axilares de aspecto suspeito. BIRADS 6
Após ser submetida a quimioterapia neoadjuvante foi realizado cirurgia com anatomopatológico de ausência de tumor invasor. Pequena área medindo 9 mm de extensão de carcinoma in situ de alto grau. Linfonodos axilares sem evidência de tumor residual.
Sobre o estadiamento do caso acima, assinale a afirmativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: O tema desta questão é estadiamento do câncer de mama, etapa crucial para planejamento terapêutico, determinação de prognóstico e tomada de decisão em Mastologia. O candidato deve dominar a diferenciação entre estadiamento clínico (pré-tratamento) e patológico (pós-cirurgia, com ou sem neoadjuvância), conforme os sistemas TNM do INCA e AJCC 8ª edição.
Justificativa da alternativa correta (A):
Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Câncer de Mama e as Normas de Estadiamento do INCA:
- T3: Tumor >5 cm (no caso, até 6 cm na RNM pré-quimioterapia).
- N2: Linfonodomegalia axilar homolateral coalescente >=2cm, indica fixação/coalescência dos linfonodos axilares (N2).
- M0: Ausência de sintomas/metástases à distância.
Logo, cT3cN2M0 corresponde ao estágio clínico IIIA.
Importante: O prefixo “c” indica estadiamento pré-tratamento (clínico) e “y” seria utilizado somente após terapia neoadjuvante.
Análise das alternativas incorretas:
B) Incorreta. O caso não é N1 (linfonodos móveis), mas N2 (coalescentes). Mx não é usado quando se sabe que não há metástase (M0).
C) Incorreta. O estadiamento após neoadjuvância deveria ser ypTis (não T1), pois há apenas carcinoma in situ residual.
D) Incorreta. Equívoco duplo: pós-neoadjuvância exige prefixo “y” e, havendo apenas carcinoma in situ, o correto é ypTis, não T1a.
E) Incorreta. Estágio IIIB envolve presença de ulceração cutânea, edema, invasão de parede torácica ou carcinoma inflamatório; não descritos aqui.
Dicas de prova: Atenção aos detalhes do status linfonodal (tamanho, fixação, coalescência), ao uso correto dos prefixos (c, p, y) e à descrição dos estágios. Questões frequentemente cobram conceitos sutis entre N1/N2 e T2/T3.
Segundo o INCA:
“O estadiamento permite classificar a doença de acordo com sua extensão locorregional e a distância… agrupando os casos com características semelhantes e estabelecendo padrões que orientam o tratamento…”
Resumo: O caso descrito ilustra um cT3cN2M0, estágio IIIA, conforme protocolos INCA e AJCC 8ª edição. A alternativa A está correta.
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