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Um município de porte médio celebrou convênio com consórcio...

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Q4111521 Direito Constitucional
Um município de porte médio celebrou convênio com consórcio intermunicipal para execução de política regional de resíduos sólidos. Ocorre que, durante auditoria interna, constatou-se que o convênio previa transferência integral da regulação, fiscalização e definição de tarifas ao consórcio, sem lei municipal autorizando a transferência de competências típicas. O Procurador Municipal foi instado a analisar a constitucionalidade do arranjo institucional, considerando as regras federativas que regem autonomia municipal e cooperação interfederativa. Neste sentido, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Constituição Federal, art. 30, I: "Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local;"; Lei nº 11.445/2007, art. 8º, I: "Exercem a titularidade dos serviços públicos de saneamento básico: I - os Municípios e o Distrito Federal, no caso de interesse local;"; Lei nº 11.445/2007, art. 8º, § 5º: "O titular dos serviços públicos de saneamento básico deverá definir a entidade responsável pela regulação e fiscalização desses serviços, independentemente da modalidade de sua prestação."; Constituição Federal, art. 241: "A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos."

Tema central: Autonomia municipal e gestão associada
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque plano regional de resíduos não substitui a competência legislativa municipal. O art. 30, I, da CF preserva ao Município a competência para legislar sobre assunto de interesse local.
B
Errada
Está errada porque o interesse comum ou a cooperação regional não tornam válida, por si sós, a transferência total de funções regulatórias típicas ao consórcio. A gestão associada depende de disciplina legal e a Lei nº 11.445/2007 mantém no titular a definição da entidade reguladora e fiscalizadora.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a gestão associada por consórcio é admitida, mas não elimina a titularidade municipal nem afasta a necessidade de disciplina legal compatível com a forma de cooperação. Além disso, a Lei nº 11.445/2007 preserva ao titular o dever de definir a entidade responsável pela regulação e fiscalização. Assim, no caso concreto, não se pode validar a transferência integral de regulação, fiscalização e definição tarifária como se o consórcio substituísse o Município titular.
D
Errada
Está errada porque acordo entre prefeitos não supre a exigência de disciplina legal para consórcios e convênios de cooperação. O art. 241 da CF exige lei, e o art. 30, I, resguarda a autonomia legislativa municipal.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre gestão associada e perda da titularidade municipal: o fato de haver consórcio, interesse regional ou acordo político não autoriza tratar competências regulatórias típicas como integralmente transferíveis sem suporte legal compatível com a titularidade do Município.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro quem é o titular do serviço; se a lei preserva a titularidade do Município, a cooperação interfederativa não apaga essa posição jurídica.
  • Distinga execução associada do serviço de transferência integral de competências típicas de regulação e fiscalização.
  • Quando a questão mencionar consórcio ou convênio de cooperação, confira se há disciplina legal e se o ente titular continua responsável por definir a entidade reguladora.

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Fundamentos legais e doutrinários:

Exigência de lei autorizadora:

A participação do Município em consórcios públicos exige obrigatoriamente a ratificação de protocolo de intenções por meio de lei específica municipal aprovada pela Câmara de Vereadores (conforme o art. 5º da Lei Federal nº 11.107/2005).

Vedação à transferência integral de poder de império:

Atividades regulatórias, fiscalizatórias ou de poder de polícia típicas e exclusivas do ente municipal não podem ser integralmente esvaziadas ou delegadas de forma total a terceiros ou a consórcios públicos sem expressa previsão e balizamento legal, sob pena de ofensa ao princípio da indisponibilidade do interesse público e à autonomia federativa.

Pontos essenciais do tema:

  • O consórcio público depende de lei prévia para nascer e definir suas atribuições.

  • Funções de regulação e controle inerentes à administração direta não comportam transbordamento integral sem amparo legal restrito.

  • A cooperação interfederativa é permitida, mas subordinada estritamente aos limites da autorização legislativa.

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