Um assistente social está atendendo uma família monoparenta...
Suellen trabalha como diarista autônoma de maneira eventual e, aos finais de semana, trabalha como garçonete no período noturno, momento em que deixa seus filhos sob os cuidados da irmã, Jussara, 32 anos. Durante a semana, quando faz diárias, os filhos mais velhos ficam no CMEI, porém ela não conseguiu vaga para o filho de 11 meses. Dessa forma, ela precisa deixá-lo sob os cuidados das vizinhas Antônia, 25 anos, e Mariana, 39 anos, as duas se revezam, conforme a disponibilidade.
Frente à situação exposta, o assistente social chegou à conclusão de que o caso se trata de
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Alternativa correta: C – uma prática familiar normal e possível frente à organização social atual, denominada, por alguns autores, como circulação de crianças.
Tema central da questão: O enunciado aborda as dinâmicas familiares contemporâneas, especialmente em famílias monoparentais e de baixa renda, e a maneira como a rede de apoio comunitária e familiar é fundamental para a organização dos cuidados com as crianças. O conhecimento básico necessário inclui a compreensão das diversas formas de cuidado na sociedade brasileira e os conceitos de circulação de crianças e rede de apoio.
Resumo teórico: No contexto brasileiro, é comum que famílias, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade, compartilhem a responsabilidade pelo cuidado dos filhos entre parentes e vizinhos. Esse fenômeno é denominado “circulação de crianças” (Fonseca, 2002; Sarti, 2012). Tal prática não é, por si, indicativo de negligência ou abandono, mas sim um arranjo social diante das dificuldades enfrentadas.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/1990) reforça o papel da família ampliada e da comunidade na proteção e cuidado das crianças.
Justificativa da alternativa correta: A alternativa C reconhece que a situação descrita é uma estratégia legítima de organização dos cuidados, baseada em vínculos sociais e familiares, e não configura negligência, abandono ou delito. Essa interpretação está alinhada com a literatura acadêmica e com a política de assistência social, que compreende as diferentes formas de cuidado infantil na realidade brasileira.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Negligência ocorre quando há omissão intencional nos cuidados. Aqui, há preocupação e rede de apoio, não negligência.
- B: Prática delitiva envolve violência ou abandono intencionais, o que não está presente.
- D: Desorganização familiar é um conceito superado e estigmatizante. O contexto é de adaptação frente às necessidades.
- E: Abandono implica ausência de cuidado, o que não ocorre, já que as crianças são assistidas por adultos próximos.
Dica para interpretação: Atente-se a termos pejorativos ou julgamentos morais nas alternativas. Busque compreender os arranjos familiares como respostas criativas às dificuldades sociais e utilize sempre a legislação e a literatura técnica como base.
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Comentários
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Este caso exige do profissional uma visão crítica que supere o senso comum e o conservadorismo. A situação de Suellen é um reflexo das estratégias de sobrevivência de famílias empobrecidas diante da ausência de políticas públicas (como a falta de vaga na creche).
- ❌ A, B, D e E: Todas essas alternativas adotam uma postura patologizante e punitiva. Classificar como "negligência", "crime" ou "desestruturação" é ignorar que a mãe está buscando redes de apoio (irmã, vizinhas) justamente para garantir o sustento da prole. A intervenção punitiva, nestes casos, apenas agrava a vulnerabilidade social.
- ✅ C) Circulação de crianças: Este conceito, estudado por autores como Claudia Fonseca, descreve a prática de compartilhar o cuidado e a criação de crianças entre parentes, vizinhos e amigos. Não se trata de abandono, mas de uma rede de solidariedade e reciprocidade que permite que a família se mantenha funcional em um contexto de extrema precariedade econômica e falta de suporte estatal.
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