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Q2088542 Medicina
longa data e doença de Chagas, é trazida ao pronto-socorro devido a quadro de dispneia, que vem progredindo há vinte dias com intensa piora nas últimas 24 horas. Em tratamento irregular de suas comorbidades. Ao exame: PA: 185 x 105 mmHg; FC: 105 bpm; FR: 30 ipm; saturação de oxigênio 85% e ar ambiente; temperatura axilar: 36,8° C; sonolenta, respondendo somente ao estímulo doloroso. Ausculta cardíaca: ritmo irregular; BNF; sem sopros. Ausculta respiratória: MV diminuído globalmente; crepitação bilateral até terço médio; presença de turgência jugular; abdômen: plano, flácido, sem sinais de peritonismo. Membros inferiores edemaciados 3+/4; ausência de sinais de TVP. Realizado ECG que evidenciou: taquicardia atrial multifocal e sinais de sobrecarga de ventrículo esquerdo. 

Sobre o manejo clínico desta paciente, analise as afirmativas a seguir.


I. É adequada a redução da pressão arterial entre 20 a 25% na primeira hora, preferencialmente com um venodilatador venoso.


II. O quadro pode ser manejado com VNI, pois este método ventilatório diminui a pré e a pós-carga ventricular esquerda, melhorando, assim, o seu débito cardíaco.


III. Apresenta sinais clínicos de hipoxemia e deve receber suplementação de oxigênio com o objetivo de obter uma saturação necessariamente maior que 94%.


Está correto o que se afirma apenas em 

Alternativas

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Comentário Gabaritado – Cardiologia / Emergências Hipertensivas e IC Aguda

Tema central: O caso aborda uma emergência hipertensiva em paciente com Insuficiência Cardíaca (IC) aguda descompensada, apresentando dispneia grave, hipoxemia e alterações hemodinâmicas, todas com potencial risco de vida.

Análise da alternativa correta — Letra A:

Afirmativa I — Correta. Em emergências hipertensivas com repercussão clínica, a orientação é reduzir a pressão arterial em 20-25% na primeira hora, evitando quedas abruptas que podem levar à isquemia de órgãos-alvo. Segundo a Diretriz Brasileira de IC (2018): “vasodilatadores endovenosos como nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio devem ser utilizados para essa finalidade”. Eles reduzem pré e pós-carga, melhorando sintomas e desfechos.

Alternativas incorretas:

II – Incorreta. Apesar de a VNI (Ventilação Não Invasiva) ser recomendada em edema agudo pulmonar, seu uso é contraindicado em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (sonolenta, só responde à dor), dado o alto risco de aspiração. Diretriz SBC de Insuficiência Cardíaca (2018): “VNI está contraindicada se houver incapacidade de proteger vias aéreas”. Esse é um erro comum em provas, fique atento!

III – Incorreta. Em IC aguda, o uso de oxigênio deve ser cauteloso. O objetivo é saturação entre 90-92%; manter necessariamente maior que 94% pode causar hiperóxia, aumentando o estresse oxidativo e vasoconstrição. Diretrizes atuais (SBC, 2020): “Evitar hiperóxia, oxigenoterapia apenas se SpO2 <90%”.

Resumo da Estratégia de Resolução:

  • Observe critérios de indicação/contraindicação dos métodos (VNI e O2). Nível de consciência: sempre avaliar antes de indicar VNI.
  • Atenção a termos como “necessariamente”, que indicam pegadinhas de interpretação.
  • Siga as metas pressóricas recomendadas (20-25% em 1h nas emergências hipertensivas).

Obras e Diretrizes de Apoio:
Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca. Sociedade Brasileira de Cardiologia (2018).
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020).
Harrison’s Principles of Internal Medicine, 20ª ed.

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A questão apresenta um cenário clínico de uma paciente com quadro de insuficiência cardíaca aguda que tem como origem uma doença de Chagas não tratada adequadamente. Ela apresenta dispneia, edema nos membros inferiores, turgência jugular e hipertensão arterial, mostrando sinais de descompensação cardíaca. A resposta correta para o manejo clínico desta paciente é a alternativa A - I, que afirma a necessidade de redução da pressão arterial entre 20 a 25% na primeira hora, preferencialmente com um venodilatador venoso. Isso é, de fato, recomendado em casos de insuficiência cardíaca aguda com hipertensão arterial para reduzir a pós-carga e o esforço do coração, melhorando assim a condição hemodinâmica da paciente. As afirmativas II e III não estão corretas. A afirmativa II erra ao sugerir VNI (Ventilação Não Invasiva) como manejo, pois apesar dela melhorar a pré e pós-carga ventricular em alguns casos, a paciente apresenta sonolência, o que é uma contraindicação para VNI. A afirmativa III também erra ao dizer que a paciente deve ter sua saturação de oxigênio necessariamente maior que 94%. Em pacientes com insuficiência cardíaca, o objetivo é manter a saturação de O2 entre 90-94%, não necessariamente maior que 94% para evitar hiperoxia.

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