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Q1369132 Português

Combate à desigualdade pela raiz

    Cotidianamente, todos nós nos deparamos com o passivo que nosso sistema educacional gera ano a ano. Por mais confortável e estruturada que esteja nossa vida e por melhor que tenha sido a nossa formação e a de nossos filhos, a lacuna que o sistema gera para um contingente tão grande de brasileiros impacta a qualidade de vida, o dia a dia de todos nós. [...]

    Quanto à educação formal, pode-se dizer que tal investimento não começa apenas nos ensinos fundamental e médio: se dá a partir da educação infantil. Sabe-se que os investimentos, ainda na primeira infância, não só reduzem a desigualdade, mas também produzem ganhos tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. No entanto, a urgência frente ao “apagão de mão de obra” tem gerado uma pressão por investimento no ensino médio. A questão de fundo, porém, continua sendo: por que algumas crianças vão tão longe e outras ficam condenadas aos limites de sua inserção social?

    A falta de condições necessárias para desenvolver seu potencial acaba impedindo a mobilidade de um enorme contingente de crianças e jovens. Isso pode ser causado por inúmeros fatores sociais, econômicos, culturais, familiares. No entanto, entre eles, é possível destacar a quantidade e qualidade dos estímulos e informações aos quais os indivíduos são submetidos desde pequenos.

    Tal constatação pode parecer simples, e a resposta imediata a esse problema seria, então, ampliar o nível de exposição de todos à informação e a práticas culturais qualificadas. Sem dúvida, isso é parte da solução, mas, infelizmente, não é suficiente. Para além do contato com a informação, são necessárias interações que promovam o desenvolvimento de capacidades que levem os sujeitos a ultrapassar o mero consumo de conhecimentos. Trata-se, portanto, de colocar a ênfase no processamento e na produção de ideias, reflexões e respostas. E isso se dá por meio da interação com os adultos e com os objetos de conhecimento. A diferença vai se estabelecendo na qualidade da interação cotidiana e na forma de estimular e acreditar na capacidade daquele pequeno ser. [...]

    Atualmente, muitas crianças brasileiras já têm acesso a livros, bibliotecas, laptops, celulares etc. Entretanto, as práticas dos atores que mediam o acesso a essas “tecnologias” são muito diversificadas. E é nesse espaço invisível que se configuram a marginalização e as diferenças na qualidade do relacionamento que as crianças têm com a cultura letrada. Um educador que utiliza estruturas mais sofisticadas da língua para se comunicar com seus alunos, ainda que bem pequenos, e propõe atividades que os incentivem a aprender sobre e a partir da linguagem, oferecerá um contexto favorável ao desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que amplificam seu potencial cognitivo. Em contrapartida, alunos expostos a práticas mais mecânicas, transmissivas, podem continuar limitados ao consumo do conhecimento.

    A educação pode e deve promover o desenvolvimento pessoal e a inserção social, especialmente em um país com tantas desigualdades como o Brasil. É necessário entender que o acesso à informação não é suficiente para transformar a nossa realidade e que é na composição de inúmeros microaprendizados cotidianos que se cria a oportunidade de desenvolvimento cognitivo. O processo de aprendizagem é cultural e precisa de mediação qualificada desde muito cedo. Portanto, para além da urgência de fazer frente ao “apagão da mão de obra”, é necessário investir na produção de conhecimentos no campo da linguagem e nos saberes específicos que se dão na interface entre os domínios teórico e prático. Precisamos subsidiar os professores que atendem à primeira infância, a fim de que todas as crianças brasileiras, desde muito cedo, possam participar regularmente de situações produtivas de aprendizagem.

(Beatriz Cardoso. O Globo, 21 de julho de 2014.)

No 4º§, a autora apresenta uma solução para o problema discutido anteriormente no texto. Porém, através de marcas linguísticas textuais, é possível verificar que tal solução, segundo a autora, não é satisfatória. Tal inferência pode ser verificada através do emprego do indicado nas alternativas a seguir, com EXCEÇÃO:
Alternativas

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Comentário da Questão – Interpretação Textual e Marcas Linguísticas

Tema central: Esta questão envolve interpretação de texto, com foco em reconhecer marcas linguísticas responsáveis por expressar dúvida ou restrição quanto à eficácia de uma solução apresentada no texto. O candidato precisa analisar a função semântica de expressões e estruturas gramaticais, segundo a norma-padrão.

Justificativa para a alternativa correta (C):

A alternativa "Sem dúvida" é a exceção porque atua como uma locução adverbial de afirmação, confirmando categoricamente o que a autora considera efetivo ("isso é parte da solução"). Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra), expressões afirmativas como essa são usadas para afastar qualquer possibilidade de incerteza. Portanto, essa expressão não sugere insuficiência ou dúvida quanto à solução, diferentemente das demais opções.

Análise das alternativas incorretas:

A) "mas": Conjunção adversativa que introduz restrição ou oposição, marca clara de contraste (“Sem dúvida, isso é parte da solução, mas, infelizmente, não é suficiente”), indicando que a solução apresentada tem limites.

B) "seria": Verbo no futuro do pretérito expressa hipótese ou possibilidade condicional, e não certeza (“a resposta imediata a esse problema seria, então…”), sinalizando dúvida sobre a suficiência da solução.

D) "pode parecer": Expressão que, conforme orienta Bechara, introduz uma ideia de aparência e prepara o leitor para uma contestação (“Pode parecer simples…”), evidenciando que a solução não é definitiva ou simples como parece.

Estratégias de resolução: Atenção a palavras que modalizam o discurso (como “mas”, “seria”, “pode parecer”), pois costumam sinalizar dúvidas, restrições ou oposições – um recurso comum em provas para testar sua habilidade de ler além do explícito. Locuções adverbiais de certeza, por outro lado, tendem a reforçar afirmações.

Dica: No Manual de Redação da Presidência da República, destaca-se a importância do uso consciente de conectivos e modalizadores para garantir clareza e precisão ao texto – conceito essencial para advogados e outros cargos que exigem domínio do discurso argumentativo.

Gabarito: C) Da expressão “sem dúvida”.

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Comentários

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Gab: C

"Tal constatação pode parecer simples, e a resposta imediata a esse problema seria, então, ampliar o nível de exposição de todos à informação e a práticas culturais qualificadas. Sem dúvida, isso é parte da solução, mas, infelizmente, não é suficiente."

>> Em "sem dúvida" ela afirma que a solução apresentada é de fato eficaz;

>> Nos termos "pode parecer"; "seria" e "mas", entretanto, a autora questiona a eficácia desse método, estabelecendo que embora seja parte da solução, por si só não o é.

Depois de resolver a questão eu me toquei que na A, temos uma conjunção adversativa (indica contradição);

Na B, uma forma verbal no futuro do pretérito (indica uma fato futuro incerto);

Na D uma locução verbal que também indica incerteza. A única que não indica incertezas ou contradições é a C: "sem dúvida"

Gab C

Não tinha observado o "com exceção" no enunciado.

eita questãozinha dificil, rsrs, mas deu certo!

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