A historieta norte-americana relatada no penúltimo parágrafo

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q690674 Português
Imagine uma discussão, após um jogo de futebol, sobre um pênalti. “Ele obviamente foi empurrado”, diz o torcedor de um time. “Que nada, se jogou”, diz o outro.

O mais interessante: ambos acreditam no que dizem. Ou seja, não se trata de uma distorção deliberada da realidade, uma “malandragem”, mas de um viés involuntariamente criado pelo cérebro.

Apostando que isso não se aplica só ao futebol, mas também se aplica a várias outras áreas (como a política), um físico e professor da USP tem se dedicado a mapear todos os mecanismos mentais que nos tornam seres tendenciosos – ele já publicou artigos sobre o tema em revistas científicas e prepara um livro. Para André Martins, isso é um problema inclusive para o método científico.

Além do viés de confirmação – primeiro escolhemos um lado, depois selecionamos os fatos que sejam adequados –, existem muitos outros mecanismos de parcialidade no nosso cérebro. Um dos mais famosos é o pensamento de grupo.

Estudos mostram que, se um voluntário desavisado é colocado em uma sala cheia de atores, ele vai concordar com eles em várias questões, mesmo que estejam obviamente errados. A maior parte dos voluntários chega a dizer que duas retas evidentemente diferentes têm o mesmo tamanho, só porque os outros concluíram isso antes deles.

“Um exemplo disso é uma assembleia estudantil”, diz Martins. “Não existe muita permissão para ideias próprias, só alguns pensamentos são permitidos. Dissidentes são de alguma forma humilhados”.

Uma historieta norte-americana sintetiza o assunto: em uma sala de reuniões, o chefão dá o diagnóstico: “Nosso problema é que precisamos de mais opiniões divergentes”, ao que os subordinados reagem, dizendo “com certeza, chefe”, “exatamente o que eu penso”.

Estudos mais recentes, em que os cérebros dos voluntários são mapeados, mostram que estar isolado, discordando da maioria, ativa regiões ligadas à dor, ou seja, a rejeição de ser diferente machuca.

(Ricardo Mioto, Como estragar um raciocínio. Folha de S.Paulo, 28.11.2015. Adaptado)

A historieta norte-americana relatada no penúltimo parágrafo
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: Interpretação de texto, com foco em compreensão de ironia, humor e análise do comportamento coletivo. Essa questão pede que você identifique o propósito comunicativo do trecho destacado (a historieta norte-americana).

Comentário Técnico:

O texto aborda os mecanismos de parcialidade do cérebro humano, especialmente o chamado pensamento de grupo, onde o indivíduo tende a concordar com a maioria por pressão social ou desejo de pertencimento. No penúltimo parágrafo, a historieta norte-americana ilustra, por meio do humor e da ironia, como pessoas submetidas a uma hierarquia costumam, de maneira quase automática e acrítica, concordar com o líder — mesmo quando a intenção original era provocar o contrário.

Segundo autores como Figueiredo (Interpretação de textos para concursos) e Cunha & Cintra (Nova Gramática), reconhecer ironia e humor é fundamental para compreender a mensagem pretendida pelo autor, especialmente quando o sentido vai além do literal. É nesse ponto que a alternativa correta se distingue.

Justificativa da Alternativa C (correta):
A opção C acerta ao afirmar que a historieta “ilustra, com humor, a tese de que o cérebro, muitas vezes, reage de forma tendenciosa, independentemente de convicções racionais”. No diálogo, os subordinados concordam prontamente com o chefe, ironizando a suposta busca por opiniões divergentes e mostrando a tendência do ser humano à conformidade grupal.

Análise das alternativas incorretas:

  • A: Erro de interpretação — não há demonstração de que a obediência é regra desejável; a situação é, na verdade, ironizada.
  • B: Discute assembleias estudantis, mas a historieta não trata desse contexto e sim de ambientes corporativos.
  • D: Desvia do texto — não se consagra a esperteza, mas sim a crítica ao pensamento acrítico.
  • E: Foge do foco — não aborda resultados de ideias diferentes, mas sim a falta delas.

Dica para futuras provas: Sempre observe o tom irônico ou humorístico do trecho e não confunda intenção do autor com afirmações literais do texto. Atenção a palavras-chave como “humor”, “ironiza”, “exemplifica” e ao vocabulário que sinaliza opinião ou crítica.

Resumo: A resposta correta (C) reconhece, com base na interpretação crítica, que o texto usa humor para mostrar um mecanismo de conformidade social irracional.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Gabarito: C

 

Há um certo humor, pois todos concordam que devem discordar !

Humor ?? Acho que preciso adoçar minha vida! ¬¬

Humor? Só se for pra você, Vunesp marvada!

 

humor?? seria minha última alternativa como opção.. 

Uma historieta norte-americana sintetiza o assunto: em uma sala de reuniões, o chefão dá o diagnóstico: “Nosso problema é que precisamos de mais opiniões divergentes”, ao que os subordinados reagem, dizendo “com certeza, chefe”, “exatamente o que eu penso”.

 

Gab. C

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo