Uma das doenças que mais preocupa os pediatras é a meningit...
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Tema central: Meningite bacteriana em Pediatria: variações por idade e vacinação, apresentação clínica muitas vezes inespecífica no início, rápida progressão e achados típicos de LCR. Saber reconhecer sinais de gravidade e interpretar o LCR é essencial.
Alternativa incorreta (gabarito): E — Papiledema não é “muito comum” em crianças com meningite bacteriana. Ele é incomum no início da doença, especialmente em lactentes (fontanelas abertas “amortecem” a pressão). Quando presente, costuma ser tardio e sugere complicações como hipertensão intracraniana importante, abscesso, trombose venosa ou hidrocefalia. Em emergências, a ausência de papiledema não exclui risco de herniação. Diretrizes recomendam não retardar antibiótico por aguardar fundoscopia ou imagem quando há forte suspeita clínica (SBP/Ministério da Saúde; UpToDate; Nelson).
Por que as demais estão corretas:
A) A etiologia e incidência variam com a idade e a imunização: em neonatos, predominam Streptococcus do grupo B, E. coli e Listeria; após o período neonatal, Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae. A introdução das vacinas Hib e pneumocócicas conjugadas reduziu drasticamente a doença (SBP/AAP/WHO).
B) O início pode ser inespecífico: febre com sintomas respiratórios ou gastrointestinais, evoluindo depois para sinais de gravidade (letargia, irritabilidade, vômitos, petéquias na meningococcemia). Essa progressão é clássica em Pediatria e é uma “pegadinha” frequente de prova.
C) A progressão pode ser rápida, com manifestações do SNC: cefaleia, rigidez de nuca (em maiores), convulsões, alteração do sensório; em lactentes, choro inconsolável e fontanela abaulada. Reconhecer a rapidez da evolução é essencial para iniciar antibióticos imediatos.
D) LCR típico da meningite bacteriana: pleocitose alta (geralmente >500–10.000/µL) com predomínio de PMN, proteína elevada, glicose baixa (relação LCR:sangue <0,4) e pressão de abertura aumentada. Exceções ocorrem no muito inicial, no neonato e na meningite parcialmente tratada (Nelson/UpToDate).
Estratégia de prova: Desconfie de afirmações absolutas do tipo “muito comum”. Em meningite, papiledema é raro no início; foque em sinais precoces e no LCR. Lembre: imagem antes da punção apenas se houver déficit focal, rebaixamento importante, crises convulsivas focais/recorrentes, imunossupressão ou papiledema; nunca atrasar antibiótico (SBP/IDSA).
Referências essenciais: Nelson Textbook of Pediatrics; UpToDate (Bacterial meningitis in infants and children); SBP/Ministério da Saúde – manejo da meningite; AAP Red Book.
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