O prurido aquagênico é um tipo raro de prurido caracterizad...
Gabarito comentado
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Tema central: O prurido aquagênico é coceira intensa desencadeada pelo contato da água (banho, suor, chuva), sem lesões de pele visíveis e geralmente independente da temperatura. Clássica associação com neoplasias mieloproliferativas (especialmente policitemia vera). Referências: UpToDate (Aquagenic pruritus), Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B — Correta porque a fisiopatologia mais aceita envolve a ativação de fibras nervosas sensoriais cutâneas (fibras C) e vias de prurido em resposta à água, sem papel central de histamina. O estímulo ocorre com água fria, morna ou quente, reforçando a independência da temperatura. Muitos pacientes têm pouca resposta a anti-histamínicos, sustentando esse mecanismo neurocutâneo (UpToDate, 2024).
Por que as demais estão incorretas?
A — Atribuir à “alergia ao cloro” e à histamina é inadequado. O quadro ocorre com qualquer água (inclusive filtrada) e anti-histamínicos frequentemente falham. Mastócitos não são os principais mediadores aqui. Isso descreve melhor urticária aquagênica, não prurido aquagênico.
C — Não é exclusivo de hemodiálise. Uremia pode cursar com prurido, mas o prurido aquagênico típico é independente de IRC e tem forte ligação com policitemia vera e outros mieloproliferativos (Harrison’s). O termo “exclusivamente” torna a afirmativa falsa.
D — Dizer que há “urticária frequente” confunde com urticária aquagênica (pápulas/vergões). No prurido aquagênico, a pele costuma permanecer normal, o que dificulta o diagnóstico clínico.
E — Basear-se em anti-histamínicos pressupõe histamina como mediador central, o que não se confirma. Resposta clínica é variável e muitas vezes insatisfatória. Outras abordagens são superiores.
Diagnóstico e diferenciais: é clínico, pela coceira após água sem lesões. Diferenciar de: urticária aquagênica (pápulas), urticária ao frio (após frio, com vergões), colinérgica (pápulas puntiformes após calor/exercício). Considerar hemograma para rastrear policitemia vera; investigar outras causas sistêmicas de prurido conforme história (Harrison’s).
Tratamento (conduta prática): medidas comportamentais (banho morno/rápido, secagem suave, hidratantes oclusivos imediatos). Fármacos com evidência: fototerapia NB-UVB, capsaicina tópica, gabapentina/pregabalina, antidepressivos (paroxetina, mirtazapina), naltrexona; tratar a doença de base (p. ex., policitemia vera com flebotomia, ruxolitinibe) pode resolver o prurido. Anti-histamínicos podem ser tentados, mas não são o pilar (UpToDate, diretrizes dermatológicas).
Pegadinhas de prova: - Não confundir prurido aquagênico (sem lesões) com urticária aquagênica (com vergões). - Termos como “cloro” e “histamina” costumam apontar para urticária, não para prurido aquagênico. - “Exclusivo da hemodiálise” é generalização equivocada.
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